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O cantor, músico, DJ e fotógrafo estadunidense Richard Melville Hall (55), conhecido como Moby, está prestes a lançar o álbum “Reprises”, com releituras de hits, e o documentário “Moby Doc”, com mídias de seu acervo pessoal para recontar sua carreira.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, o músico comentou sobre a confusão com a atriz Natalie Portman, a qual desmentiu que tivesse tido relacionamento com ele, como descrito em sua autobiografia e que vive há 5 anos sem relacionamento: “Bem, eu não tenho conflitos com namoradas agora porque eu simplesmente não namoro. A última vez que tive vida romântica foi há cinco anos. Estou mais feliz trabalhando, fazendo caminhadas, vendo amigos, fazendo coisas espirituais. Eu não sei por que isso acontece, mas talvez eu namore de novo em algum ponto da minha vida, mas tem sido legal viver esse hiato. Cinco anos vivendo basicamente como um monge”.

Se ser gay fosse opção sexual, Moby diz que não optaria por ser hétero
Se ser gay fosse opção sexual, Moby diz que não optaria por ser hétero – Reprodução

Em seguida, o artista contou que ficava frustrado por não ser gay quando era mais jovem:  “Quando eu tinha 18 ou 19, eu tinha muitos amigos gays e a gente ia muito a clubes gays em Nova York. Eu pensava ‘será que posso aprender a ser gay?’. Sentia que me conectava muito mais com a cultura gay, apesar de ser hétero. Acho que muita gente se sente assim, especialmente nos Estados Unidos. Quando você olha Donald Trump e pessoas colecionando armas, assistindo corridas Nascar e vendo a Fox News, se isso é a cultura hétero, a cultura gay começa a parecer muito atraente.”

Questionado se ele realmente seria mais feliz se sua orientação sexual fosse outra, Moby pondera: “Não há solução fácil para a condição humana. É muito perigoso olhar para outro lugar ou outro grupo de pessoas e achar que eles estão melhores que você. Não. Todo lugar é complicado e qualquer grupo de pessoas tem de batalhar. A gente olha para o Brad Pitt e pensa ‘uau, não seria ótimo ser ele?’. Mas aí lemos notícias sobre ele lutando conta o alcoolismo e pedindo divórcio da mulher. Então, claramente, ele luta com a condição humana como qualquer outro”.

REPÚDIO A BOLSONARO

Ao final da entrevista, o vegetariano desde os 19 anos e vegano desde os 21, diz que suas preocupações com a causa incluem a Amazônia. “Tudo que posso dizer sobre o presidente Bolsonaro é ‘sinto muito’. Em termos mundiais, é aterrorizante o que está acontecendo. Tantos líderes eleitos sem interesse em democracia, mas em tirania. Erdogan [Turquia], Duterte [Filipinas], Putin [Rússia], Bolsonaro. Trump se foi, ou seria incluído nessa lista também. Nos anos 1990 a gente achava que a democracia havia ganhado. E hoje a maioria dos países é não democrática ou em vias de se tornar. Brasil ainda é uma democracia, mas você pode facilmente dizer que Bolsonaro gostaria de ser presidente para o resto da vida.”

Ao fim da conversa, Moby um recado de esperança para o Brasil. “Eu sei que os brasileiros estão lutando como nós lutamos aqui [para tirar Trump da Casa Branca]. Então, boa sorte com o resto do seu apocalipse”.

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