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Em Dhaka, capital de Bangladesh, foi inaugurada uma escola muçulmana para alunos transexuais, os hijras, chamada Madrassa. Financiada por uma fundação criada pelo falecido Ahmd Ferdous Bari Chowhury, a inauguração foi na primeira semana de setembro. As informações são da Revista Forum.

Assim como acontece em várias partes do mundo, as pessoas trans em Bangladesh não têm, em sua maioria a educação formal e muitos não sabem ler e escrever. Devido a ausência de qualificação, elas não conseguem trabalhos formais, trabalhando mais no ramo da dança e do canto.

“Não estabelecemos nenhum limite de idade. Qualquer pessoa pode ser matriculada aqui se for identificada como do terceiro gênero, mesmo se for uma pessoa madura, não importa a idade que tenha” – disse o secretário de educação responsável pela Madrassa, Mohammed Abdul Aziz Hussaini.

Segundo a BBC, o país conta oficialmente com cerca de 10 mil hijras, sendo que este número pode chegar a 50 mil.

Bangladesh inaugura primeira escola religiosa para pessoas trans
Reprodução

QUEM SÃO OS HIJRAS?

Hijra é uma comunidade religiosa hinduísta que, segundo a tradição, precisam transicionar para o outro gênero para agradar a deusa Bahuchara Mata. Em geral, os meninos e meninas vítimas de abuso sexual são conduzidos pelas próprias famílias para rituais místicos visando a transição de gênero.

A partir daí, os Hijras são obrigados a vestir-se e portar-se como pessoas do sexo oposto. Adultos também podem transicionar, em especial os homens que traem suas esposas e estas têm o poder de decidir se irá castrar totalmente ou parcialmente seu namorado ou marido traidor. Os castrados podem decidir se juntar a comunidade Hijra ou ficar com suas famílias, mas na maioria dos casos, eles passam a se comportar como mulheres.

A prática de transição de gênero é considerada uma violação de direitos humanos pela Organização das Nações Unidas, pois não leva em consideração os reais desejos e sentimentos do indivíduo. Ou seja, a pessoa pode nascer um meninos cisgênero (que se sente confortável com seu gênero), porém, por uma questão religiosa e cultural, eles são obrigados a transicionar.

Mesmo sendo parte da cultura hindu, os Hijras tinham menos direitos quando comparada a população cis. Somente em 2009, o tribunal eleitoral indiano incluiu o gênero “outro” em documentos oficiais para abranger também este segmento da sociedade.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".