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A partir deste mês, a EcoRodovias passa a custear o processo de retificação de nome e gênero em cartório e documentos oficiais para os seus colaboradores trans que desejem a alteração, além de dar suporte a toda a burocracia que envolve o processo.

A medida faz parte das ações do Programa Caminho Para Todos que, desde 2018, vem intensificando ações para ampliar a diversidade na empresa e tornar o ambiente de trabalho mais inclusivo em suas 11 unidades presentes em oito estados do país.

Atualmente, a empresa já faz o registro de nome social no crachá e no e-mail para os funcionários que assim preferem, mas explica que não é possível estender a prática à toda documentação que deve ser enviada aos órgãos públicos ou a empresas terceiras, o que pode trazer desconforto para pessoas trans mesmo dentro de uma empresa que adota políticas claras de inclusão.

“Buscamos promover um ambiente e condições para que todos os colaboradores possam desenvolver plenamente seus potenciais profissionais e acreditamos que para isso as pessoas devem se sentir confortáveis para expressarem suas identidades, para serem quem realmente são”, comenta Aline Sitta de Assis Sant`Anna, gerente de desenvolvimento organizacional na EcoRodovias.

EcoRodovias oferece opção para retificar nome a colaboradores trans
Reprodução

Além dos custos que podem ser pesados para a realidade de algumas pessoas, há também toda a parte burocrática que envolve a emissão de cerca de dez certidões atualizadas, entre outros documentos, e a dificuldade de acesso à informação para o processo. Para facilitar, a EcoRodovias contratou consultoria especializada que dará apoio aos colaboradores em todas as etapas. Inclusive, na empresa, os funcionários já contam com apoio psicológico por meio do programa Conte Comigo.

A operadora de pedágio da concessionária Eco135, unidade do grupo que atua em MG e GO, Gyovanna Costa de Lima, vivenciou por conta própria algumas dificuldades que envolvem o processo de retificação do nome. “Iniciei o processo no final de 2017, mas só concluí em 2019 com o apoio de um centro de apoio LGBT, os advogados tiraram para mim todas as certidões que eram necessárias. Acho que toda trans tem vontade de retificar o nome, mas a burocracia faz com que a pessoa desista. A satisfação de ser chamada pela minha identidade é imensa”, comemora Gyovanna, lembrando que a partir da conquista da certidão, é necessário solicitar a retificação do nome em todos os documentos pessoais e, inclusive, na Justiça, já que não há uma integração entre os diversos órgãos oficiais.

Atualmente, 16 colaboradores declaradamente trans integram o quadro da companhia. As várias ações de diversidade e inclusão adotadas pelo RH da empresa, como o trabalho de conscientização das lideranças, já resultaram no aumento de 33% nas contratações de pessoas LGBTQIAP+ em relação ao ano passado. Gyovanna integra o quadro de colaboradores da Eco135 há um ano, quando decidiu sair de São Paulo para morar mais próxima de sua mãe em Curvelo (MG) e a oportunidade aberta pela concessionária veio a calhar com esse momento. “Eu jamais poderia imaginar que aqui na minha cidade, por ser pequena, teria uma empresa que contrataria uma mulher trans”, comenta Gyovanna que, após ser contratada, iniciou a faculdade de recursos humanos em busca de seu desenvolvimento profissional.

Quem também se surpreendeu com a oportunidade na Eco135 foi a Bianka Asca Rosa da Fonseca, contratada há sete meses como operadora do Centro de Controle Operacional da concessionária. “A Eco é a primeira empresa que trabalho como CLT, sempre ocupei vagas com funcionária pública porque eu pensava ‘se eu passar no concurso, eles vão ter que me aceitar’. Infelizmente o mercado de trabalho para trans ainda é muito fechado”, lamenta Bianka que é formada em letras e está no segundo ano do curso superior de jornalismo. Em sua jornada profissional, ela passou por vários cargos na Prefeitura de Curvelo (MG) e foi professora estadual no ensino fundamental e médio. A conquista da retificação de seu nome veio no ano passado, pouco antes de sua contratação pela concessionária. “Chegar na Eco foi super acolhedor. Sou tratada como a profissional que sou, como a Bianka e ponto” comemora.

D&I na EcoRodovias

Para ampliar a diversidade na empresa, a EcoRodovias mantém comitês com líderes da alta gestão e colaboradores que representam cinco frentes de atuação: mulheres, LGBTQIAP+, raça, PcD e, mais recentemente, convívio de gerações (pessoas 50+). A empresa realiza uma agenda intensa de campanhas internas, palestras, mentorias, treinamentos e rodas de conversa, inclusive entre colaboradores do RH e líderes que participam de contratações, além de ser signatária do “Livres e Iguais”, campanha global da ONU que tem o objetivo de lutar contra a homofobia e transfobia, promovendo direitos iguais e tratamento justo para pessoas LGBTQIAP+.




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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"