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Gustavo é um menino transexual de 7 anos. Ele realizou a transição aos 4 anos de idade, com o apoio da mãe, Jaciana, 34. Atualmente em São Paulo, a dupla divide sua história e rotina em um perfil no Instagram (@jacianaegustavinho), com mais de 20 mil seguidores, e auxilia outras crianças que estão passando pelo mesmo processo.

Na reportagem publicada pelo site Metrópoles, a mãe de Gustavo conta que a mudança se deu de vez há três anos, quando ela foi chamada com urgência à escola. A mãe surpreendeu-se ao receber dos profissionais da instituição um encaminhamento para que a criança buscasse tratamento para depressão.

(Foto: Fábio Vieira/ Metrópoles)

O primeiro passo para superar a depressão foi atender o desejo da criança de ser tratada como menino. Ao trocar todo o guarda-roupa e escolher um novo nome, Gustavo logo recuperou a alegria. Entre os outros desejos, ele queria ser youtuber.

A criação de um perfil no Instagram foi a maneira mais fácil que a mãe do menino encontrou para atender aos seus desejos. A conta foi criada no ano passado e, através dela, Jaciana compartilha o processo de transição de Gustavo, além das coreografias, dublagens e brincadeiras feitas pelo menino.

“Eu permiti o perfil porque ele tem o mesmo direito que toda criança. Mas não deixo que acesse a tudo, porque, querendo ou não, do mesmo jeito que as redes sociais ajudam, elas são muito tóxicas”, conta Jaciana. Ao Metrópoles, ela também relata que já ajudou outras 35 mães, através do perfil, dando dicas de como obter atendimento médico especializado e serviços jurídicos.

(Foto: Fábio Vieira/ Metrópoles)

“Queremos que o nosso filho realize um sonho, mas também temos medo da exposição. Nas redes, do mesmo jeito que as pessoas te amam, elas te machucam”, disse Jaciana, sobre o dilema dela e de sua esposa. Ela relata que recebe ataques frequentes por meio de mensagens diretas. “É só porque ele é trans. Existem milhões de crianças que desde bebês possuem perfis, que os pais tiram fotos e ganham com isso, e nunca existiu polêmica”, pontuou.

Entre os outros desejos de Gustavo, a Jaciana conta que ele deseja ser ator ou dançarino. O menino chegou a ser escolhido como o “Mini Mister Trans Brasil” e desfilou no concurso que ocorreu no último dia 9 de novembro, em São Paulo. “Ninguém é contra uma criança fofinha que desfila, que atua, mas é contra uma criança trans”, comentou.

Transição

Para a escolher o novo nome, o menino se inspirou em uma canal do YouTube chamado “Gustavo TV” no qual o autor fala sobre games, pegadinhas e desafios. “Mãe, Gustavo combina mais comigo, mas só Gustavo, não precisa do TV”, disse o pequeno, aos 4 anos, à Jaciana.

Ao Metrópoles, a mãe relata que aos 2 anos Gustavo passou a rejeitar tudo que era feminino. “Nessa época, eu não entendia absolutamente nada sobre crianças trans. Nem sabia que isso era possível”, lembra Jaciana. Ela ainda acrescenta: “Não sabia por onde começar. Não é uma coisa fácil fazer uma transição em um estado nordestino, onde as pessoas são extremamente homofóbicas”.

(Foto: Fábio Vieira/ Metrópoles)

“Quando trocamos o guarda-roupa em um bazar, ele abriu a sacola e chorou. Depois, vestiu uma bermuda e uma camisa social, foi para o espelho, começou a sorrir e pedir para eu olhar para ele”, contou. A partir daí, a família passou a fazer progressos. No entanto, ainda enfrentou episódios de transfobia com a escola em que Gustavo estudava em Fortaleza (CE), onde havia dificuldades para respeitar o seu nome social.

“Não existe isso de induzir uma criança a ser trans. Ela nasce trans. O que existe são pessoas que nascem em uma família tóxica, na qual desde criança explicam que ‘homem tem que ser homem, mulher tem que ser mulher’ e, se você for diferente disso, vai apanhar”, finalizou Jaciana em entrevista ao Metrópoles.

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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)