Aqui, eu posso escrever na primeira pessoa.
E dizer “eu” sem o extremismo de quem diz “me, me, me”.
Nessas circunstâncias, reafirmo:
“não há sol, há sóis”.
Dizer que não há sol, há sóis, é reafirmar
que o sol só é absoluto quando só – ardo.
No laço, esse absolutismo se desfaz. Exige:
que a luz venha de vários lugares,
que o calor não seja todo meu,
que a centralidade já não seja minha.
Então, brilhamos.
A insalubridade aparece quando insistimos em iluminar o outro
como se o “eu” fosse o único sol possível.
Às vezes, não é o conflito que adoece,
mas o excesso de amor.
Quando tudo exige adesão sem pausa,
o ar se torna rarefeito.
Há encontros que já não abraçam brisa.
Por isso, sair pela culatra
não é abandono,
é resolução.
Depois disso,
Uma noite,
Um quarto,
Uma janela
E nós, há sóis.








