Na sexta-feira (18), a autora Amara Moira, conhecida por sua atuação em defesa dos direitos LGBTQIA+, participou de um evento de lançamento de seu livro “NECA“, organizado pelo Núcleo de Pesquisa e Extensão em Culturas, Gêneros e Sexualidade (NuCuS) da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Publicado pela Companhia das Letras no início de outubro, o livro é completamente escrito em Pajubá, uma linguagem criada e usada pelas pessoas travestis no Brasil.

A narrativa gira em torno de uma travesti que relembra sua vida e relacionamentos passados, especialmente com um jovem amor que começa a trabalhar nas ruas. O livro mistura humor e crueza ao entrelaçar conselhos, memórias e as diversas experiências da protagonista como trabalhadora sexual no Brasil e na Europa.
Confira a sinopse
“Neste livro inteiramente escrito na língua das bichas, uma travesti reencontra um antigo amor, anos mais jovem, que está começando a trabalhar nas ruas. Enquanto entrelaça conselhos e lembranças, ela rememora suas aventuras como prostituta no Brasil e na Europa; fala sobre o que descobriu e conheceu sendo puta; recorda o que desejava ser e sonha com o que poderia ter sido.
Na época em que namoravam, a jovem debutante estudava Letras, o que motiva a protagonista a falar de literatura como parte de sua história juntas. Numa prosa vulcânica, passa em revista obras e autores centrais do cânone, aplicando também sua memória e sua inventividade para ver a literatura com olhos de quem aprendeu tudo na rua, como se aprende o bajubá.
Publicado pela primeira vez na antologia A resistência dos vaga-lumes (2019), o icônico monólogo é agora reeditado em versão expandida. Romance de estreia de Amara Moira, Neca é hilário, escatológico e único em sua sofisticação literária ― uma obra valiosa na forma e no conteúdo, atrevida o bastante para abarcar com eloquência a profusão da realidade”
No dia do lançamento, Amara Moira expressou em suas redes sociais que este trabalho é sua obra mais audaciosa e experimental até o momento. “[É uma obra] escrita na linguagem das ruas, uma linguagem que travestis foram criando como uma forma de proteção, e que depois vai se tornando um elemento da nossa identidade. Uma linguagem que é compartilhada por travestis de norte a sul do país, mas também por travestis que são de fora”, conta.
“Uma linguagem que vem, majoritariamente, dos terreiros, com seus erês, ajeuns, padês, acués, equês, necas, essa linguagem tão sonora do iorubá, do banto, das religiões de matriz africana, que fala tanto sobre a história do Brasil, e que, na boca de travestis, vai adquirir outros sentidos. Hoje, muitas vezes, falada por quem não é da comunidade travesti, por quem não é sequer LGBT. Um linguagem que, durante muito tempo, foi tratada como linguagem de marginais e, hoje, a gente pode olhar para isso com o devido respeito, com admiração, reconhecendo a potência cultual que é essa produção da comunidade travesti”, completa.
Além da versão impressa e do e-book, “NECA” também está disponível em audiobook, narrado pela própria autora.
Evento apresenta também ‘Puta história’
Além da obra de Amara Moira, o NuCuS também sediou o lançamento de “Puta história“, da escritora Fátima Medeiros, presidenta da Associação de Profissionais do Sexo da Bahia (Aprosba). O livro é uma autobiografia de Medeiros, que compartilha suas vivências de mais de três décadas como trabalhadora sexual. A obra relata desde seu trabalho em navios até a luta contra a violência policial em Salvador, além da fundação da Aprosba.
Amara Moira destaca literatura como ferramenta de transformação social
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