Marco Antonio Fera afirma ter sido expulso da escola onde estudava em Sorocaba após dublar Whitney Houston diante de colegas quando tinha 10 anos. O episódio, narrado pelo próprio artista como experiência determinante na formação de sua identidade, reaparece agora como ponto de partida do clipe “Prete Bixa”. Três décadas depois, Fera retorna ao local para transformar a lembrança em gesto estético e político.
A faixa se insere num movimento mais amplo iniciado com o álbum “Corpo Desobediente” (2023), mas marca inflexão na trajetória do artista ao incorporar o afrobeat influenciado por Fela Kuti e dialogar com ritmos afro-brasileiros como o funk e o maculelê. Fera descreve o episódio da infância como memória persistente.
“Eu era só uma criança tentando existir e me expressar. Fui punido pela escola e carreguei esse trauma por muitos anos”, diz.
Ao gravar o clipe no mesmo ambiente citado em seu relato, Fera reuniu uma coletividade de “pretas bichas”. “Voltar a esse espaço e ocupar a mesma sala de aula foi histórico. Transformamos dor em arte, silêncio em celebração”, afirma. O gesto se articula a debates contemporâneos sobre dignidade, direitos e enfrentamento ao estigma, alinhados a recomendações da UNAIDS para narrativas que promovem respeito e reconhecimento das diversas experiências LGBTQIA+.

Dirigido pelo cineasta carioca Macario, o vídeo combina o pulso do afrobeat com estéticas da cultura ballroom e do vogue. Fera sintetiza o encontro de corpos e linguagens ao afirmar que “o que se vê é a diáspora preta e bixa em movimento, o encontro de gerações, os corpos que afirmam sua existência e transformam dor em celebração”. A presença de Diva Green, referência na construção visual das cabeças negras, reforça o caráter coletivo e ancestral do projeto.
Em “Prete Bixa”, música e imagem alcançam dimensão de manifesto. “É política, é afeto e é festa”, diz o artista ao refletir sobre o lugar simbólico da obra em sua carreira. O retorno ao espaço associado à lembrança da punição escolar produz nova narrativa possível, em que dança, presença e coralidade reconstroem memória e projetam formas plurais de futuro para a negritude queer.

Construção de uma obra dissidente
Nascido em Sorocaba, Marco Antonio Fera desenvolve trabalho que combina música, performance e reflexão política. Sua obra emerge de experiências pessoais que se expandem para discussões sobre liberdade, amor e pertencimento. O artista transita por elementos da música afro-brasileira, do funk e do samba, chegando ao afrobeat nesta nova fase.
Com ‘Corpo Desobediente’ (2023), ganhou destaque na cena independente ao formular contranarrativas à violência e criar repertórios que celebram afetos dissidentes. O clipe ‘Três Meninos’, dirigido por May Mascarenhas, aprofundou esse percurso ao sugerir possibilidades de relações para além de normas rígidas.
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