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Estreia na sexta-feira, 6 de março, no Teatro Laura Alvim, em Ipanema, o monólogo “Hétero Sigilo”, idealizado, escrito e interpretado por Bernardo Dugin. Dirigido por João Fonseca, o espetáculo parte de um episódio real de violência homofóbica vivido pelo ator em 2023, durante uma missa de sétimo dia em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, para discutir heteronormatividade, violência simbólica e os efeitos psíquicos de pactos de silêncio.

'Hétero Sigilo' transforma ataque homofóbico de padre em reflexão teatral no RJ - Foto: Nil Caniné
‘Hétero Sigilo’ transforma ataque homofóbico de padre em reflexão teatral no RJ – Foto: Nil Caniné

O caso teve repercussão nacional. O padre responsável pelo ataque tornou-se réu por racismo qualificado, em processo que debate os limites entre liberdade religiosa, liberdade de expressão e discurso de ódio. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro também solicitou indenização por danos morais coletivos à causa LGBTQIA+, reconhecendo o impacto social do episódio.

Em cena, Dugin transforma a experiência pessoal em relato dramatúrgico. O texto aborda os mecanismos sociais que exigem disfarce, performance e apagamento como estratégias de sobrevivência. O ator afirma: “O espetáculo não é sobre assumir uma orientação sexual. É sobre o que a gente precisa esconder para continuar existindo sem ser punido por isso. A violência não começa no soco; começa no silêncio que a sociedade nos obriga a manter”.

'Hétero Sigilo' transforma ataque homofóbico de padre em reflexão teatral no RJ - Foto: Nil Caniné
‘Hétero Sigilo’ transforma ataque homofóbico de padre em reflexão teatral no RJ – Foto: Nil Caniné

Antes de chegar ao palco, o projeto se desenvolveu como iniciativa transmídia. Durante a Parada do Orgulho na Avenida Paulista, foi criada a “Caixa do Sigilo”, instalação que reuniu relatos anônimos de pessoas que vivem sob a lógica do segredo. Em paralelo, o perfil @hetero.sigilo24, nas redes sociais, satirizou situações cotidianas relacionadas ao chamado “sigilo”, alcançando quase 5 milhões de visualizações.

Para João Fonseca, a força do material está na exposição de um sistema social. “O que me interessa em ‘Hétero Sigilo’ é que ele não aponta o dedo, ele expõe um sistema. É uma peça íntima, mas profundamente política, porque fala do preço que se paga para caber numa norma que adoece”, declara o diretor.

A trilha original e a direção musical são assinadas por Federico Puppi, cuja composição atua como elemento contínuo da encenação, ampliando tensões e estados emocionais.

'Hétero Sigilo' transforma ataque homofóbico de padre em reflexão teatral no RJ - Foto: Nil Caniné
‘Hétero Sigilo’ transforma ataque homofóbico de padre em reflexão teatral no RJ – Foto: Nil Caniné

Bernardo Dugin é ator, dramaturgo e diretor teatral, além de atual diretor do Grupo TACA, coletivo de Nova Friburgo com cinco décadas de atuação. No teatro, integrou montagens como “Godspell – O Musical” e trabalhou como assistente de direção em “As Cadeiras”, ao lado de Camilla Amado e Marco Nanini. No cinema, participou de longas como “M8” e produções para televisão exibidas pela TV Globo e pela Record TV. Também é professor de teatro e sócio-fundador da produtora O Delirante Produções, responsável pela realização do espetáculo.

Serviço

Espetáculo: “Hétero Sigilo”
Temporada: 6 a 29 de março de 2026
Horários: sextas e sábados, às 20h; domingos, às 19h
Local: Teatro Laura Alvim
Ingressos: neste link
Endereço: Av. Vieira Souto, 176, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ

Ficha técnica

Dramaturgia e performance: Bernardo Dugin
Direção: João Fonseca
Assistente de direção: André Celant
Cenário e figurino: Nello Marrese
Trilha original e direção musical: Federico Puppi
Direção de movimento: Vanessa Garcia
Iluminação: Daniela Sanchez
Identidade visual: Loomi House
Assessoria de imprensa: Catharina Rocha e Paula Catunda
Fotografia: Nil Caniné
Produção: O Delirante Produções
Assistente de produção: Azul Scorzelli

Ator Bernardo Dugin denuncia padre por discurso homofóbico durante missa de 7º dia




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