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No final de novembro, Edson Cordeiro teve a oportunidade de lançar “Tango do Cordeiro”, um single que tem uma proeza peculiar na música brasileira: a canção foi composta por Zeca Baleiro em sua homenagem, após ele ter causado ira em parte do público religioso por uma versão alternativa de “Ave Maria”.

No alvorecer da década de 1990, a aparição de Edson Cordeiro no panorama musical brasileiro marcou um momento distinto de renovação e vigor. Com uma voz distintiva de contratenor, Cordeiro encantou as plateias com um repertório diversificado e uma presença de palco que transcendia o convencional, quase teatral em sua expressão.
Entretanto, em 1997, com a estreia de seu terceiro álbum, “Clubbing”, uma peculiar interpretação da clássica “Ave Maria” de Gounod, infundida com elementos tecno pelo renomado produtor Suba (Mitar Subotić), provocou controvérsias. Esta inusitada fusão de estilos desencadeou reações adversas de setores conservadores do público, levando a uma onda de correspondências aos periódicos em um esforço para boicotar o trabalho do artista.
Foi neste contexto conturbado que Rita Lee interveio em defesa de Cordeiro. “Não sacrifiquem o Cordeiro”, escreveu a ex-Mutantes em um proeminente jornal de São Paulo. Essa declaração de Rita, carregada de simbolismo e apoio, serviu de inspiração para uma obra musical criada especificamente para Cordeiro pelo seu amigo e colaborador, Zeca Baleiro. Nomeada “Tango do Cordeiro”, a canção não apenas homenageia a resiliência e singularidade de Cordeiro, mas também encapsula um momento crítico de sua trajetória artística, refletindo a intersecção entre a crítica e a criatividade.
“O grande Zeca Baleiro me deu o maior presente que eu poderia ter esse ano. É tudo o que um intérprete como eu sonharia. Um dos maiores compositores do Brasil compondo especialmente para você! O que mais querer?!”, vangloria-se ele, em entrevista ao GAY BLOG BR. “Senti que tinha uma joia em minhas mãos e a grande responsabilidade de interpretar da melhor maneira possível. E o fiz com muito amor.”
Em 2024, mais novidades estão previstas, como a turnê “Cordeiro canta Baleiro”, que contará com hits do músico da MPB e outras composições inéditas.

Em relação à realidade da comunidade, a discussão é outra. Segundo Cordeiro, “ainda é muito difícil ser LGBTQIA+ no mundo”. Muitos pensam que, no caso dele, o tratamento deve ser mais fácil, já que mora na Alemanha com seu marido. Não é bem assim.
“O alemão respeita mais a individualidade do outro sem precisar ter uma razão específica. Isso contribui para que as pessoas não se sintam no direito de invadir ou ofender alguém na rua. Mas ainda assim não me sinto seguro de expressar afeto com o meu marido, pois não existe nenhum lugar que não haja algum intolerante. Seguimos atentos. Infelizmente.”
Além disso, Cordeiro recorda que o país europeu eliminou, somente em 1994, uma lei que considerada a homossexualidade como crime. “É uma vergonha saber que se esperou tanto para remover do código penal uma lei que autorizou o extermínio de milhares de homossexuais na Alemanha. Não há nenhuma pressa em dar direitos a quem merece. Em lugar nenhum do mundo”, finaliza.
Ouça “Tango do Cordeiro”:
DE SANTO ANDRÉ PARA O MUNDO
Nascido em Santo André, São Paulo, em 9 de fevereiro de 1967, Edson Cordeiro é filho de um mecânico e uma bordadeira. Cordeiro começou a cantar aos seis anos no coro de uma igreja evangélica, continuando até os 16 anos. Ele se envolveu em teatro infantil e, em 1983, participou da ópera-rock “Amapola”, de Miguel Briamonte. Este último se tornaria diretor musical de seus discos.
Em 1988, Cordeiro atuou na terceira montagem brasileira da ópera-rock “Hair!”, dirigida por Antônio Abujamra, e no ano seguinte, na peça “O Doente Imaginário”, de Molière, dirigida por Cacá Rosset. Esta peça o levou a turnês pela Europa, Estados Unidos, México e América Central.
Seu primeiro show solo foi em agosto de 1990 no Rio de Janeiro, marcando o início de sua carreira solo de sucesso. Ele foi logo disputado por várias gravadoras, assinando contrato com a Sony e gravando oito CDs entre 1992 e 2001. Cordeiro é reconhecido por seu timbre vocal de contratenor, capaz de alcançar o alcance de um soprano feminino, e por seu repertório eclético, que inclui ópera, bossa nova, pop e jazz.
Cordeiro recebeu vários prêmios desde o início de sua carreira, incluindo o Prêmio Sharp de Música de revelação do ano e de melhor cantor em 1992, e o Prêmio Sharp de melhor cantor em 1996 pelo CD “Terceiro Sinal”. Seu álbum “Contratenor”, lançado em 2005, foi indicado ao Grammy Latino na categoria de melhor música clássica.
Desde abril de 2007, Cordeiro, radicado na Alemanha, realiza turnês pela Europa, intercalando dois formatos de shows. Um com o trio alemão Klazz Brothers, com quem gravou o álbum “Klazz meets the Voice” em 2007, e outro ao lado do pianista alemão Broder Kuhener.
Em 2009, gravou o álbum “The Woman’s Voice – A Voz da Mulher”, homenageando grandes divas da música mundial. Em 2012, continuou sua história de sucesso com projetos como “My Collection”, “Lounge Disco” e “Samba de Luxe”.
Em 2015, lançou “PARADIESVOGEL”, seu décimo primeiro álbum, gravado na Alemanha. Este álbum inclui uma ampla gama de músicas, desde World Music a Bossa Nova e Chanson.
Seu décimo segundo álbum, “FADO”, lançado em 2017, foi totalmente gravado em Porto, Portugal, e inclui uma variedade de famosos fados, além de sucessos de sua carreira. Seu trabalho mais recente, que inclui músicas inéditas e uma composição própria, “Voz e violão”, mostra sua versatilidade musical abrangendo todos os gêneros.
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