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Jake Shears (45), vocalista da banda nova-iorquina Scissor Sisters, retorna ao Brasil para duas apresentações solo neste final de semana: no Rio de Janeiro (31) e em São Paulo (01), ambas na “Festa Kevin”. Mais informações sobre os eventos ao final da matéria.

Jake Shear - Foto: Damon Baker
Jake Shears – Foto: Damon Baker

Em uma carreira que inclui milhões de álbuns vendidos, livro de memórias, show na Broadway e uma sortida variedade de produções artísticas, Shears, que atualmente vive no Reino Unido, vem munido de “Last Man Dancing”, álbum lançado pelo selo Mute. O projeto apresenta a faixa-título, uma nova colaboração com Kylie Minogue (“Voices”), além dos singles “Too Much Music” e “I Used To Be in Love”.

"Last Man Dancing", de Jake Shears (Divulgação)
“Last Man Dancing”, de Jake Shears (Divulgação)

Jake Shears conversou com exclusividade com o Gay Blog BR sobre se manter em movimento: seja no calor da pista de dança ou na criação de arte.

Você teve experiências inéditas anteriormente no Brasil. Quais momentos ou encontros foram mais significativos para você?

Bem, os Scissor Sisters tocaram em São Paulo em 2011 e foi uma apresentação realmente muito divertida. O show foi incrível. Mas a coisa mais importante dessa viagem foi que Del Marquis, o guitarrista dos Scissor Sisters, conheceu seu marido, o Pablo. Inclusive, ele está me mandando mensagens neste exato momento. Hoje eles vivem em Nova York juntos, casados. Então, essa viagem, o show dos Scissor Sisters, foi transformador, especialmente para o Del Marquis. E eu me diverti muito, mas desta vez estou ansioso para sair mais do que na última vez. Estou planejando me divertir enquanto estiver no país.

Existem artistas contemporâneos ou gêneros musicais do Brasil que inspiraram ou poderiam inspirar seu trabalho futuro?

Alguém acabou de me dizer para ouvir “Funk Generation”, da Anitta. Eu não conhecia. Então, o funk realmente é grande no Brasil? Estou muito curioso para ouvir o que é popular agora no Brasil, realmente ansioso para saber o que as pessoas estão ouvindo no momento.

Você já enfrentou desafios específicos na indústria musical por ser abertamente gay? Como superou esses obstáculos?

Sim. Quero dizer, acho que, ao longo do tempo. O primeiro álbum dos Scissor Sisters já tem 20 anos e era uma época muito diferente. Acho que quando comecei nos Scissor Sisters eu estava tão ‘assumido’ e simplesmente não me importava com qualquer obstáculo que houvesse. Eu era muito ambicioso. Acho que eu simplesmente os superei. Mas acho que a música pop queer, é muito interessante. Tenho um programa chamado “Queer the Music”. É um podcast sobre artistas queer. Acho muito interessante as diferentes experiências que os artistas tiveram ao longo dos anos, antes de mim, muito antes de mim. Qual foi a experiência para artistas queer mais jovens agora entrando na música? Eu acho muito interessante e tem sido uma ideia interessante de explorar. Mas tenho sido muito sortudo. Não sinto que tenha enfrentado muitos obstáculos na minha carreira, se eles estavam lá, eu simplesmente segui em frente.

E como você acha que o ativismo LGBTQIA+ influenciou a indústria musical ao longo dos anos? E quais mudanças você ainda espera ver?

Acho que tem sido uma diferença enorme. Há muito mais artistas LGBTQ do que nunca, que estão se “assumindo” e fazendo música. A maior mudança que eu gostaria de ver é que artistas mais jovens possam ganhar dinheiro com música. Acho que é mais difícil ganhar dinheiro para novos artistas e para jovens entrando na música agora do que há 20 anos, quando os Scissor Sisters estavam começando. Essa é uma grande mudança que eu gostaria de ver. Não tenho certeza de como os jovens esperam ganhar a vida fazendo isso.

Jake Shear - Foto: Damon Baker
Jake Shears – Foto: Damon Baker

Há algum aspecto de sua vida pessoal ou uma história que você ainda não explorou totalmente em sua música, mas gostaria de fazer no futuro?

Acho que escrever. Eu escrevi um livro há cerca de seis anos, que foi uma autobiografia, sobre minha própria vida. E sinto que estou trabalhando em outro livro agora. E acho que esse é um ótimo lugar para mim. Meio que organizar todas essas coisas pessoais. Muitas vezes minha música é muito voltada para a fantasia. É muito ficcional. É muito fantástica. E acho que. Acho que na escrita de livros eu posso ser um pouco mais pessoal, se isso faz algum sentido.

Se você pudesse mudar alguma coisa na sua primeira grande turnê, com o conhecimento e experiência que você tem agora, o que seria?

Provavelmente diria a mim mesmo para não me preocupar tanto. Penso em mim há 20 anos e a imensa pressão que coloquei em mim mesmo. Era muita pressão. Eu diria a mim mesmo para não colocar uma quantidade tão enorme de pressão sobre mim mesmo.

Jake Shear - Foto: Damon Baker
Jake Shears – Foto: Damon Baker

Há alguma faixa do último álbum, “Last Man Dancing”, que seja particularmente pessoal ou reveladora?

Neste álbum não muito. Eu queria que este disco fosse muito mais uma fantasia. Meu primeiro álbum solo é muito mais pessoal e eu estava passando por uma separação de um relacionamento muito longo. E, então, em “Last Man Dancing” eu só queria que fosse muito mais divertido. E focar mais na fantasia do que necessariamente na minha própria história pessoal. Mas sinto que isso vai mudar. Acho que provavelmente o próximo trabalho que eu fizer vai acabar sendo muito mais pessoal.

“Do the Television” aborda temas de linguagem e perda de significado. Em uma contemporaneidade com mídias saturadas, como você vê o papel da música na comunicação de mensagens profundas ou complexas?

Acho que você nunca pode realmente saber como alguém vai interpretar o que você faz. É tudo poesia. Então acho que uma vez que você lança uma música, o significado está nas mãos das pessoas e você não tem mais controle sobre isso. Sabe, uma música como “Do the Television”. Eu tenho uma história selvagem na minha cabeça sobre o que essa música significa. E essa música não está na minha voz. Estou imaginando alguém. Há um outro personagem que canta essa música. Não sou realmente eu. Então, para mim, é apenas uma grande ficção, mas nunca poderei. Nunca poderei esperar que alguém mais saiba disso, sabe. Então espero que as pessoas usem suas próprias imaginações, hum, sobre o que as músicas significam e obtenham seus próprios significados.

Já a faixa “Really Big Deal” traz uma crítica ao narcisismo moderno. Na sua visão, como o narcisismo impacta as relações sociais e a cultura pop atualmente?

Oh, Deus. Esta é uma grande questão. “Really Big Deal” é uma música engraçada. Eu, na verdade, a escrevi para um musical no qual estou trabalhando. E foi a última, eu estava terminando o rascunho de uma partitura e a escrevi para um musical de palco, e é cantada por um personagem. Mas eu amo tanto a música que pensei, quero colocá-la no álbum. Mas acho que as pessoas se envolvem demais nas redes sociais. Acho que as pessoas se levam muito, muito, muito a sério. Acho que todos. Sinto que todos querem parecer uma celebridade. E, sim, acho que as redes sociais transformaram a forma como nos vemos – e não necessariamente para melhor.

E quais seus planos após o show em São Paulo, você vai se juntar a nós na Parada do Orgulho LGBT+? Planos de conhecer algum lugar ou alguém?

Bem, com certeza vou à Parada no domingo. Meu plano para domingo é apenas sair com todo mundo e me divertir. Sou uma criatura muito social. Então, certamente, estarei por aí e me divertindo. E estou realmente ansioso para isso. Vai ser ótimo. Estou ansioso para me divertir muito.

Assista:

SERVIÇO

Jake Shears @ Festa Kevin

Zig Studio Rio de Janeiro (PA set)
31 de maio, sexta-feira, das 22:00 às 07:00
Sacadura Cabral, 154 – Saúde, Rio de Janeiro, RJ
INGRESSOS AQUI

Zig Studio São Paulo (PA set)
1 de junho, sábado, das 22:00 às 06:00
Av. Olavo Fontoura, 650, São Paulo, SP
INGRESSOS AQUI




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