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Na última quinta-feira (01), após conquistar a medalha de prata na marcha atlética de 20 km, o atleta Caio Bonfim, o primeiro brasileiro a ganhar uma premiação olímpica nessa modalidade, falou sobre o preconceito enfrentado ao longo de sua carreira. O atleta brasiliense, que mora em Sobradinho com a esposa e os filhos, foi treinado pelos próprios pais, que são responsáveis pelo projeto Centro de Atletismo de Sobradinho.

Medalhista olímpico Caio Bonfim desabafa sobre preconceito na marcha atlética
Medalhista olímpico Caio Bonfim desabafa sobre preconceito na marcha atlética (Foto: reprodução/Instagram/@timebrasil/@atletismo.brasil/@caiobonfims)

Desafios da modalidade

Bonfim relatou os desafios enfrentados devido ao preconceito contra a marcha atlética. “Quando eu falei pro meu pai: ‘vou ser marchador’, foi nesse dia que eu decidi ser xingado sem problema“, disse em entrevista à Cazé TV. Ele lembrou que o momento mais difícil não foi a prova, mas o primeiro dia em que marchou nas ruas e enfrentou ofensas.

A marcha atlética é uma modalidade que se destaca pela sua técnica que envolve um movimento contínuo de estender a perna da frente ao tocar o chão e elevar a ponta do pé traseiro somente após o calcanhar da perna dianteira tocar o solo. Esse movimento, frequentemente comparado a um “rebolado“, é alvo de comentários preconceituosos, conforme explicado pelo medalhista.

Não estamos brincando de rebolar, somos potência, medalhistas olímpicos“, afirmou Caio Bonfim, destacando a seriedade e o esforço envolvidos na prática do esporte. “Eu fui muito xingado no primeiro dia que marchei com meu pai. Não é me fazendo de vítima. Eu só comecei com 16 anos, porque era muito difícil ser marchador. Eu decidi ser xingado e não ter problema com isso. Difícil não foi a prova de hoje, foi vencer o preconceito“, completou

Medalhista olímpico Caio Bonfim desabafa sobre preconceito na marcha atlética
Medalhista olímpico Caio Bonfim desabafa sobre preconceito na marcha atlética (Foto: reprodução/Instagram/@tntsportsbr/@atletismo.brasil/@caiobonfims)

O atleta também enfatizou a importância de sua conquista para aumentar o investimento e as oportunidades na marcha atlética. “Agora somos medalhistas olímpicos. Tomara que essa medalha possa abrir para que o esporte tenha mais investimento, que essa medalha dê oportunidade para aqueles que queiram fazer marcha atlética e viver dela“, contou para a TV Globo.

Apesar dos desafios e dos preconceitos, Caio sempre teve o apoio da família e a influência da mãe. “Todo mundo que vê a marcha atlética fala: o que é isso, cara? Que estranho. Eu não, porque é a profissão da minha mãe“, comentou.

Medalhista olímpico Caio Bonfim desabafa sobre preconceito na marcha atlética
Medalhista olímpico Caio Bonfim desabafa sobre preconceito na marcha atlética (Foto: reprodução/Instagram/@timebrasil/@atletismo.brasil/@caiobonfims)

Caio Bonfim desabafa no Rio 2016

Após o 4º lugar nos Jogos do Rio 2016, Caio Bonfim revelou que era xingado diariamente. “Não teve nem um dia que saí na rua e não fui xingado por fazer marcha atlética“, contou, mencionando outras ofensas: “Falavam: ‘Vira homem’, ‘para de rebolar’, ‘viado’, ‘vai para casa trabalhar, vagabundo’. Todos os dias! São nove anos de marcha“.

Mesmo diante das dificuldades, Caio perseverou, motivado pelo apoio constante em casa. “Mas também não teve um dia que não fui apoiado em casa“, destacou. Agora, três anos após não ter conseguido em Tóquio 2020, quando ficou em 13º lugar, Caio Bonfim celebra sua vitória como medalhista olímpico Paris 2024.




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