No Brasil, o termo em inglês “cunt”, originalmente um insulto misógino para a genitália feminina, passou a ser apropriado pela população LGBTQIA+ e pela cultura ballroom como forma de afirmação coletiva. “Se não apaga a intenção ofensiva original, passou a funcionar como ‘afirmação coletiva’ da comunidade LGBTQIA+”, aponta reportagem do O Globo.
Na cena queer brasileira, a expressão “servir cunt” descreve a postura de vestir-se de forma ousada, transmitindo confiança, atitude e questionamento de padrões de beleza. Peças como camisas de time, roupas oversized e estampas de animais são elementos frequentes dessa estética.

Origem do termo misógino
O termo “cunt” tem origem inglesa e sempre foi usado como insulto misógino, direcionado a mulheres ou pessoas consideradas desprezíveis. Historicamente, a palavra carrega uma intenção de inferiorizar, humilhar e objetificar a mulher, reduzindo sua identidade à genitália. Por séculos, seu uso foi associado à agressão verbal, reforçando a cultura patriarcal que marginaliza corpos femininos e reforça estereótipos de submissão e desvalorização.
Além de ser um insulto direto, o termo perpetua um imaginário social que vincula mulheres à sexualidade de forma pejorativa, usando sua anatomia como ferramenta de desqualificação. Essa conotação machista faz com que “cunt” seja considerado um dos xingamentos mais ofensivos em inglês.
Aplicação no dia a dia
O personagem Bagdá, por exemplo, interpretado por Xamã na novela “Três Graças”, tornou-se exemplo desse uso ao adotar camisetas com leões, casacos de pele e joias maximalistas. A forma de se vestir inspirou internautas a chamá-lo de “traficunt”, termo que vem se popularizando nas redes sociais.
A influencer de moda Sarah Scar também utiliza a palavra em seus perfis, mostrando looks maximalistas, agêneros ou transparentes. “É para dizer que algo lacrou muito”, afirma Scar, que se identifica como bigênero e vê o termo como ferramenta de celebração da autoestima e da expressão pessoal.
O professor Ferdinando Martins, da USP, explica que a comunidade mistura performance, humor e ironia para transformar o palavrão em celebração. “A palavra pode ser performada por meio da voz, do gesto e do ritmo e incorporada a estilos que transformam a ofensa em celebração”, detalha.
A circulação do termo no Brasil foi acelerada pelas redes sociais, com destaque para plataformas como TikTok e X. O uso se expandiu para gays e adolescentes de forma positiva, apesar da lembrança do caráter ofensivo original ainda gerar desconforto para algumas pessoas.
Entre os jovens e na cultura pop nacional, “servir cunt” tornou-se referência de estilo e atitude, reforçando a tendência de reapropriação de insultos históricos como forma de resistência e empoderamento coletivo.
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