Atração no Festival H&H na próxima semana, o DJ Felipe Lira foi o convidado do quarto episódio do talk show “No Divã com a Silvetty“, apresentado pela pioneira drag queen Silvetty Montilla. O videocast, realizado em parceria com a casa noturna Bluespace, faz parte da plataforma multimídia do Festival Hell & Heaven e busca proporcionar aos fãs uma experiência 360º dos bastidores e das personalidades que movem o evento.

Com uma carreira de 19 anos, Felipe Lira, aos 43 anos, é um dos DJs mais requisitados no Brasil na cena eletrônica LGBTQIA+. Em um papo descontraído, o artista compartilhou momentos marcantes de sua vida, como a paixão pela música desde a infância e o início de sua carreira em Natal (Rio Grande do Norte), onde foi DJ de rádio no colégio e surpreendeu o público local ao incluir músicas pop no repertório regional.
Assista ao episódio na íntegra:
Ao longo da conversa, Felipe relembrou as casas noturnas e eventos que marcaram sua trajetória, destacando seu primeiro set no UltraLounge, em São Paulo, e o Planeta H&H, do qual foi residente por oito anos. “É um orgulho enorme retornar para esse festival que cresceu tanto”, revelou Felipe.
Silvetty também arrancou boas risadas ao relembrar o passado do DJ, que revelou ter sonhado em ser palhaço e já se montou em drag durante uma peça teatral. Felipe falou ainda sobre sua mudança para o Rio de Janeiro em busca de mais qualidade de vida, sem deixar de lado a paixão pela música e o compromisso com o trabalho.
O próximo encontro de Felipe com o público será durante o H&H na Costa do Sauipe, onde ele promete sets especiais, trazendo o melhor da house music e suas vertentes, criando uma experiência única para os fãs. Para quem perdeu a entrevista, basta acompanhar a plataforma Planeta H&H e ficar por dentro das próximas edições do “No Divã com a Silvetty“.

Assista ao episódio na íntegra clicando aqui.
NO DIVÃ COM A SILVETTY (Entrevista #4 – DJ Felipe Lira)
Silvetty Montilla: Olá, boa tarde, boa noite, bom dia. Estamos aqui hoje recebendo, no Divã com Silvetty Montilla, ele, DJ Felipe Lira, um dos mais renomados DJs da cena eletrônica brasileira. São 19 anos de carreira. Olha só, hein? Já viajou pelo Brasil, pelo mundo… Queria que você desse boa tarde primeiro, pra gente poder começar esse nosso bate-papo.
Felipe Lira: Muito boa tarde! Uma honra estar aqui do seu lado, que eu tanto admiro, vejo você aí. Estar aqui com vocês novamente é incrível.
Silvetty Montilla: A gente que agradece você ter dado um tempinho da sua agenda pra estar aqui no Divã. Então, assim, a gente quer começar perguntando da sua carreira. Quem te inspirou? Como tudo começou?
Felipe Lira: Desde pequeno, sempre fui muito ligado à arte. Eu comecei fazendo teatro no colégio. Fui do coral, que é de onde vem toda a minha noção de música, de nota e tudo… Essa paixão por música. Passei pelo teatro e pela dança no colégio.
Silvetty Montilla: DJ todo trabalhado, né, gente? Ele deu de forno, fogão e micro-ondas!
Felipe Lira: No colégio, tinha uma rádio que funcionava durante o intervalo, e daí eu me meti a ser DJ da rádio. E era uma rádio lá no Nordeste, em Natal – eu sou de lá, para quem não sabe.
Silvetty Montilla: Olha, feliz Ano Novo!
Felipe Lira: A gente tinha só ritmos regionais, quase. Daí, quando eu entrei, já fiz uma revolução, porque coloquei pop, era época de fita cassete e internet discada, ainda! Eu virava a noite gravando coisas exclusivas para a rádio e, daí, veio minha paixão. Depois, quando terminei o teatro, vim para cá.
Silvetty Montilla: Há quanto tempo você está em São Paulo?
Felipe Lira: Estou em São Paulo há… Acho que uns 22, quase 25 anos. Eu vim pra fazer teatro. E acabou que, na primeira festa que toquei brincando, não parei mais.
Silvetty Montilla: E você lembra qual foi a primeira festa ou boate?
Felipe Lira: Lembro, lembro! Essa festa está aí até hoje: a festa Selection, do Luiz Netto, aqui em São Paulo.
Silvetty Montilla: Luiz, quanto tempo que eu não vejo também…
Felipe Lira: Pois é, o Luiz Netto, através do Fotolog, sabia que eu tocava em Natal…
Silvetty Montilla: Olha só, Fotolog, gente! Eu sou da época do Orkut!
Felipe Lira: Fotolog ainda veio antes, para você ter uma ideia. Antes mesmo disso, eu tocava em curso de inglês e fazia evento.
Silvetty Montilla: Coisa antiga!
Felipe Lira: Então, quando ele me convidou para a primeira Selection, eu pensei: “Como eu vou ser DJ aqui em São Paulo?” Achava que era impossível, naquela época era tudo muito fechado.
Silvetty Montilla: E onde foi?
Felipe Lira: Foi em um clubezinho na Consolação. Depois, a coisa começou a ficar mais séria quando me chamaram para tocar pela primeira vez no Ultralounge. E, daí, não parei mais.
Silvetty Montilla: E viagem para fora do Brasil?
Felipe Lira: Minha primeira viagem foi em 2007 para o Canadá, mas hoje já foram mais de 15 países.
Silvetty Montilla: Vocês estão vendo que a gente está trazendo, aqui no Divã com Silvetty Montilla, o DJ Felipe Lira! E eu também quero dizer que sou uma pessoa viajada. Já fiz Santana-Jabaquara em menos de uma hora!
Felipe Lira: Acho que, dentre os países mais loucos, as viagens mais inesquecíveis foram China, em Shenzhen, uma cidade industrial completamente fora do comum. Também fui para a Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos…
Silvetty Montilla: E como é a recepção do público com vocês, DJs brasileiros?
Felipe Lira: Olha, são sempre muito calorosos, porque normalmente, quando a gente vai, eles já nos conhecem devido às redes sociais e à internet.
Silvetty Montilla: Pois é, muito mais [fácil agora].
Felipe Lira: Antes mesmo, quando a internet não era [tão forte], eles recebiam muito bem a musicalidade brasileira. Hoje em dia, a musicalidade brasileira praticamente domina o mundo, dita o mercado. E também acho que uma época que vale citar foi quando, enquanto estava fora, fui residente do Hell & Heaven. Visitamos mais de quatro países, então, só aí, foram mais quatro.
Silvetty Montilla: E você ficou um tempo fora do H&H e hoje está retornando, né?
Felipe Lira: Eu toquei na primeira edição, aquela lá na Costa do Sauipe.
Silvetty Montilla: Eu estava lá, gente!
Felipe Lira: Tive a honra de estar lá e de ser residente do festival por oito anos. Depois, tive esse tempo afastado por questões profissionais, mas agora estou retornando com o maior orgulho do mundo. O festival cresceu muito!
Silvetty Montilla: E esse ano vai ser aonde?
Felipe Lira: Esse ano volta à Costa do Sauipe.
Silvetty Montilla: Olha lá, eu fui na primeira.
Felipe Lira: Sim, retorna à Costa do Sauipe e retorno ao festival também. Tenho certeza de que vai ser especial e estou preparando um set bem especial.
Silvetty Montilla: E aí? Casado, solteiro?
Felipe Lira: Solteiro. Já fui casado, três anos, [mas] divorciado hoje, de um homem. Mas estou muito bem solteiro agora, muito bem, obrigado.
Silvetty Montilla: Mas está fazendo, né?
Felipe Lira: Claro. Não estou sozinho, estou solteiro…
Silvetty Montilla: Mas não está morto! E me conta, estou sabendo dessas novidades da festa…
Felipe Lira: A Warm-UP Sessions, que o H&H vai fazer e tenho a honra de tocar lá. É o formato “esquenta” da festa principal e ali vou poder tocar uma nova vertente, que é o House.
Silvetty Montilla: Quais os estilos vão ter? House, tribal…?
Felipe Lira: Sim, tudo está dentro da House Music, mas o tribal tem mais swing, mais batida. O House é mais cantado, o mais raiz, de onde tudo saiu. [Enfim, minha apresentação no Warm-UP Session] vai ser uma delícia, vai ser um som gostoso para dançar e muito vocal.
Silvetty Montilla: E me conta, quando começou sua carreira, quem te inspirou? Tem algum DJ que você admirava?
Felipe Lira: Eu lembro, como se fosse hoje, de um momento: Renato Cecin tocando “Baby Boy” da Beyoncé na Level. O teto abria, estava amanhecendo, e as pessoas estavam muito felizes. Eu olhava para cima, caía papel picado e eu me sentia muito feliz também. “Um dia quero fazer isso com as pessoas“, pensei. A sensação que eu tive ali foi de alegria.
Silvetty Montilla: E em quais casa já tocou em São Paulo?
Felipe Lira: Aqui? Acho que todas. Desde o extinto Ultralounge, passando pelo Massivo, no finalzinho. Bluespace…
Silvetty Montilla: É muito tempo. São 19 anos de carreira…
Felipe Lira: Sim. Já abri e fechei muitas casas [de show]. Já tive o orgulho de tocar em inaugurações de muitas casas e festivais.
Silvetty Montilla: E no Rio Grande do Norte? Tinha uma boate famosa, Vogue, ainda existe?
Felipe Lira: Existe, mas hoje é uma casa de pagode. Ela faz tribal uma vez por mês.
Silvetty Montilla: Legal! A Vogue tinha em Natal e em outra cidade… João Pessoa, na Paraíba.
Felipe Lira: Toquei nas duas.
Silvetty Montilla: Eu não conhecia a da Paraíba, só a de Natal. Sou uma pessoa viajada, como eu disse.
Felipe Lira: Foi a primeira casa que toquei na vida, ganhei 70 reais na época!
Silvetty Montilla: Felipe, agora a gente vai para um quadro que é o “Voltando ao Tempo“. Vamos ver uma foto sua. Quantos anos?
Felipe Lira: Tinha uns dois ou três anos.
Silvetty Montilla: O que te lembra essa foto, essa infância?
Felipe Lira: Minha mãe dizia que eu era o terror dela. Filho único. Eu brincava com os discos de vinil e arranhava todos, colocava na radiola, brincando de DJ.
Silvetty Montilla: Desde pequenininho, você acha que já tinha essa [veia artística]?
Felipe Lira: Sempre, sempre gostei de música. Minha mãe não vivia sem música em casa. Tive essa sorte de ter uma mãe com ótimo gosto musical, graças a Deus, que foi o que me norteou, me deu todo esse embasamento.
Silvetty Montilla: Hoje mora em São Paulo, mas sei que viaja muito…
Felipe Lira: Acabei de mudar para o Rio de Janeiro. Fui pro Rio, em Ipanema, pela qualidade de vida, pela praia. Eu vim para cá [São Paulo] porque achava que precisava da noite, eu era uma pessoa da noite – nosso trabalho demanda isso. E, hoje em dia, acho que, quanto mais eu trabalho, mais eu preciso do dia para ter esse equilíbrio.
Silvetty Montilla: Qual signo?
Felipe Lira: Escorpião, com ascendente em Touro.
Silvetty Montilla: Olha o menino que pica, hein, gente! E que dá coice. Esse é babado! E já que você falou tudo, queria que contasse um segredo que nunca foi dito para o público.
Felipe Lira: Uma coisa boba, mas quando criança queria ser palhaço. Ah, e já me montei em drag, fiz isso no teatro, pouca gente sabe.
Silvetty Montilla: A gente vai procurar essa foto, hein? E outra: quando está tocando, você é muito assediado? Como lida com isso?
Felipe Lira: Existe assédio do DJ, sempre teve. Por isso muito gente quer ser DJ, tem esse sonho. Principalmente eu, porque acho que sou muito intenso no palco, rebolo e danço. Fica bem claro quem está assediando o DJ e a pessoa.
Silvetty Montilla: Já ficou com fã?
Felipe Lira: Seria impossível dizer que não! Mas tocando sou sério, não fico com ninguém. Fora dali, o Felipe é uma puta.
Silvetty Montilla: Olha, gente! Vamos dar o Instagram e todas as redes sociais aqui… Agora vamos fazer uma brincadeira que é o “pingue-pongue”. Faço uma pergunta e você responde sem papas na língua. Carisma?
Felipe Lira: Eu.
Silvetty Montilla: Tribal?
Felipe Lira: Renato Cecin.
Silvetty Montilla: Maior inspiração?
Felipe Lira: Renato Cecin.
Silvetty Montilla: Nacional ou internacional?
Felipe Lira: Nacional.
Silvetty Montilla: Se a música parar?
Felipe Lira: A gente mixa com outra.
Silvetty Montilla: Agora eu gostaria que você deixasse as suas redes sociais.
Felipe Lira: Em todas as redes sociais é @djfelipelira. Lá no Instagram tem tudo. No SoundCloud é ao contrário: @felipeliradj
Silvetty Montilla: Um sonho, tem? Meu sonho é escorregar no shopping para pedir indenização!
Felipe Lira: Sonho? Ver uma cena onde o profissional é respeitado e as pessoas voltassem a ir à boate pela música.
Silvetty Montilla: Gente, foi um papo gostoso com o Felipe! Beijo, querido, obrigada pelo carinho. E vocês, sigam a gente! Um beijo, até o próximo!

Junte-se à nossa comunidade
Mais de 20 milhões de homens gays e bissexuais no mundo inteiro usam o aplicativo SCRUFF para fazer amizades e marcar encontros. Saiba quais são melhores festas, festivais, eventos e paradas LGBTQIA+ na aba "Explorar" do app. Seja um embaixador do SCRUFF Venture e ajude com dicas os visitantes da sua cidade. E sim, desfrute de mais de 30 recursos extras com o SCRUFF Pro. Faça download gratuito do SCRUFF aqui.














