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Em conversa exclusiva com a coluna Inside Porn, Sir Peter fala sobre carreira, fama e direitos LGBTQIA+. O gajo solta uma risada profunda quando pergunto quais expressões em português brasileiro ele conhece na hora do sexo. “Dá gostoso”, responde, depois de recuperar o fôlego da risada. 

Diz ele que não conhece muitas, embora tenha filmado com diversos atores brasileiros nestes dois anos em que deixou de ser apenas mais um perfil no OnlyFans para tornar-se um grande astro do pornô internacional. 

Estou falando de Sir Peter, nome artístico do português Miguel Teixeira, 31 anos, solteiro, dono de um corpo de dar inveja, com seu 1,86cm e 91kg, e uma performance ao nível de grandes estrelas do pornô (assista a um dos filmes dele e você vai entender).

(Foto: Reprodução)

Nas redes sociais, entre perfis vez ou outra deletados, ele já soma mais de 200 mil seguidores, e compartilha as aventuras sexuais de um jovem ator pornô. “Um dia, eu espero ser um velho feliz, casado, contando histórias da minha louca juventude”, denuncia a bio dele no Instagram. 

Nascido em Felgueiras, no distrito do Porto, em Portugal, este gajo português atualmente mora na Espanha, de onde conversou comigo por telefone, em português – é claro. 

  • Quando você criou o perfil no OnlyFans, você imaginava que passaria do trabalho amador para este incrível trabalho profissional?

Sir Peter: Na verdade, eu comecei o OnlyFans com meu trabalho antigo de assistente de bordo e criava conteúdo online na plataforma, por uma questão de exposição e para ganhar um dinheiro extra. Quando mudei para Madri, comecei a fazer pornô profissional e vídeos explícitos no Onlyfans. Acabou por ser um complemento do outro. 

  • Como foi o processo de transformação do Miguel Teixeira em Sir Peter? 

Sir Peter: É um processo distinto. Meu alter ego, Sir Peter, é muito mais confiante, sabe o que fazer, toma ação, atitude e dá ao Miguel um pouco de confiança, que este não tinha. Sempre faço esse exercício de buscar coisas em um e de outro para ter uma atitude mais positiva, não apenas no pornô, mas sobretudo na vida. Por exemplo, sou bastante tranquilo, focado, tenho meu lado brincalhão, e acaba compensando a seriedade e a confiança do Peter. Busco essas qualidades de um e de outro pra me ajudar na vida e no trabalho, porque grande parte da personalidade de Peter também está em Miguel. 

  • Outro dia você disse uma frase que me chamou atenção: Foi algo assim: “meu trabalho é o sexo, mas minha vida não”. O que quis dizer com isso?

Sir Peter: O meu trabalho é sexo, é fuder, é pornô, e isso não quer dizer que minha vida seja apenas isso. Minha vida não gira no sexo. Quando termino de fazer o meu trabalho, a minha vida é igual a sua, e de quem lê essa entrevista agora. Tenho meus projetos, minhas vontades normais de fazer sexo longe das câmeras, entre outras coisas. Quando termina meu trabalho, sou o Miguel e foco na minha vida diária como todos nós, com minhas preocupações, vontades e desejos.

  • Portugal é um país que não tem uma indústria pornô muito consolidada. Quase não se ouve falar de atores héteros ou gays. É preciso sair de Portugal para trabalhar nesta área?

Sir Peter: Em Portugal, não é de todo e se há, é um pornô amador. Acabou por surgir a oportunidade de fazer pornô quando eu estava na Espanha, mas em Portugal é realmente um lugar difícil para esse ramo. Tem que sair de Portugal e tentar a sorte em outros países. Na Espanha, vejo muito mais oportunidades, muitos estúdios. E ter uma conta no OnlyFans é um avanço, um Twitter para ter visibilidade, porque dali aparecem convites de estúdios bem consolidados. 

  • Antes de você, posso citar o Fostter Riviera, que fez um trabalho excelente no passado recente; o Gustavo Cruz, que também gosto muito. O que você pensa do legado desses dois companheiros e como o trabalho de vocês três contribui para abrir a mentalidade portuguesa?

Sir Peter: O Fostter realmente foi o primeiro e único que deixou um legado, que tem uma carreira fora de Portugal bastante forte – embora atualmente acho que ele não faça mais. Gustavo começou depois de mim. É bom saber que tem mais portugueses neste mercado, mostrando que os portugueses podem fazer carreira internacional neste ramo. Ver o nosso trabalho valorizado e encarado como um trabalho honesto, limpo, que exige bastante, é algo que me deixa contente. Neste sentido, o legado do Fostter é muito importante, porque foi possível ver que um português pode alcançar o mercado internacional. Estou contente em saber que neste momento estou no mesmo caminho que ele, mas a fazer o meu próprio caminho. E orgulhoso disso, obviamente, pois coloco meu sabor e personalidade em tudo o que eu faço.  

  • Neste pouco tempo da sua carreira no pornô, você já contracenou com diversos atores brasileiros. O que você vê de mais diferente entre nós?

Sir Peter: Trabalhei com muitos atores brasileiros. A questão da mentalidade, sexo diário, sexo é normal, é a grande diferença. Os brasileiros não têm medo de mostrar o que são. Em Portugal, ainda é um pouco tabu, não se fala ainda descontraidamente sobre sexo. Portugal acaba sendo um pouco mais fechado neste sentido. Os brasileiros têm muita capacidade de aproveitar o sexo mais naturalmente que um português, por exemplo. 

  • Quando você contracena com brasileiros, vocês naturalmente se comunicam em português? Conte-nos alguma curiosidade. 

Sir Peter: Falamos sempre em português e, na verdade, eu peço para que seja assim, para que falem português comigo, obviamente, porque bate sempre a saudade do nosso idioma. Às vezes me foge algumas palavras, porque moro na Espanha, e tirando minha família, não tenho com quem falar português. Então, sim, falamos nosso português durante o trabalho.

(Foto: Reprodução)
  • E aprendeu alguma expressão brasileira na hora do sexo? 

Sir Peter: De memória, não tenho uma específica (risos). Aliás, lembrei de algumas, mas acho que são mais do pornô hetero. “Me dá seu pau”, “Mete”, “Dá gostoso” (risos).

  • Você tem muitos fãs brasileiros, sabia?

Sir Peter: Eu percebo. Ainda não visitei o Brasil. Queria em 2020, mas com a pandemia não deu. Sei que tenho bastante fãs no Brasil e gostaria de trabalhar com alguns deles, inclusive. São caras muito gostosos que me apreciam e percebo isso pela internet. E quero trabalhar com eles, tanto para estúdios como para o meu OnlyFans. Tenho uma lista de pessoas que vou tentar fazer alguma colaboração quando eu visitar o Brasil. 

  • Você acredita que um ator pornô como você, com grande alcance de público, tem também o papel de advogar e ser uma voz na luta pelos direitos da comunidade LGBTQIA +?

Sir Peter: Não creio que a questão de advogar pela luta seja por eu ser ator pornô, mas sim porque sou um cidadão. Claro, que pelo fato de ser ator pornô o público é maior, terá um pouco mais de informação caso eu fale deste assunto, mas além disso não é uma luta de atores pornôs, mas de todos nós. Precisamos cada vez mais fazê-lo, falar, discutir, trazer a opinião pública para esses debates, pois estes são direitos importantes.

(Foto: Reprodução)

 Twitter: @sirpeeterreal
Onlyfans: @sirpeeter
Instagram: @_sir_peter__

 

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