Mesmo com inúmeras denúncias e relatos nos anos 80, casos de assédios sexuais feitos por militares em cargo com regalias nunca foram tratados com grande importância pela corporação – alguns, sequer foram denunciados. Documentado até em filmes como “São Paulo em Hi-Fi”, a perseguição por gays e transexuais na rua nos anos 70 e 80 tinha também como motivo saciar desejos de alguns delegados supostamente heterossexuais. “Porque se você saísse de peruca de uma boate pra outra, a polícia te pegava, te prendia e te levava presa três dias. E ainda por cima, o Richettia, que era o delegado da época, que levava as bichas presas, depois pegava as mais bonitas. Falava que não gostava de viado, mas pegava”, relatou a veterana DiPolly em uma entrevista ao GAY BLOG BR no ano passado.
No último domingo, a denúncia de um novo caso de assédio sexual de um militar foi revelado pelo programa Fantástico, da Rede Globo. Um cabo do exército, que preferiu não se identificar, gravou com um celular no bolso um suposto diálogo com investidas do sargento Ricardo Godoi durante o expediente em um prédio sob guarda da Polícia Militar no Rio de Janeiro localizado em frente a Baía de Guanabara, na Urca, o que configuraria crime militar e assédio sexual.

“Ele me chamou para fazer uma verificação de uma alteração em um apartamento que estava vazio. Ele fecha a porta. Quando ele me pede para sentar no sofá da sala, começa a fazer elogios do meu porte físico e começa a acariciar minhas pernas” – disse o cabo – “Ele queria fazer sexo oral”.
Na gravação apresentada, Ricardo Godoi teria dito: “Eu não vou fazer nada, não, só um pouquinho. (…) Passei a chave na porta, ninguém vem para cá agora, não (…) Se você for legal comigo, eu vou te ajudar”.

O cabo foi questionado por que ligou o gravador quando encontrou o sargento, tendo ele justificado que já tinha ouvido que Godoi “fazia esse tipo de ato libidinoso no aquartelamento”.
“A primeira oportunidade que tive, [em que] desconfiei que seria algo fora do serviço, eu consegui gravar esse áudio”, disse. O sargento também teria prometido recompensas caso o cabo cedesse: “R$ 200 só para por a mão nele?”.

“Na hora, eu pensei em bater, em correr, em fugir. Só que eu consegui ter a frieza, o sangue frio, para poder acabar com esse mal que já vem há muito tempo. No mesmo dia informei o escalão superior e aguardei as medidas serem tomadas”, relatou o cabo.
A sindicância, por sua vez, disse haver crime sexual tanto pelo sargento, por praticar ato libidinoso, quanto pelo cabo, “por ter permitido”. À reportagem do Fantástico, o cabo disse que está afastado da instituição e conta estar surpreso por ser alvo de sindicância: “Eles estão querendo revidar o jogo contra mim por ele ser um superior hierárquico”.
A Ministério Público Militar deverá decidir quem será denunciado e por qual tipo de crime.
REINCIDÊNCIA
O Fantástico teve acesso ao caso e descobriu outra vítima, que foi testemunha do caso, e também abusos do sargento Godoi. “Em 2014, o sargento Godoi o chamou na sala dele — naquele mesmo prédio. O sargento — que estava sentado — teria deslizado a mão por cima da sua mesa de trabalho até encostar na coxa do soldado, que estava em pé. Constrangido, o soldado saiu da sala rapidamente”.
Na reportagem, o programa também conversou com mais três outras pessoas que dizem ser vítimas de Godoi.

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