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Em entrevista concedida à revista Veja, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (38), compartilhou detalhes de sua vida pessoal e trajetória política, marcada por desafios e conquistas significativas. Primeiro político de alto escalão no Brasil a se declarar publicamente homossexual, Leite abordou a importância da liberdade pessoal, a experiência de preconceito, comentou a gestão de Lula e opinou sobre temas polêmicos como aborto e descriminalização da maconha.

Thalis Bolzan e Eduardo Leite em Trancoso - Reprodução/Instagam
Thalis Bolzan e Eduardo Leite em Trancoso – Reprodução/Instagam

O gaúcho de Pelotas explicou a decisão de formalizar sua união estável com Thalis Bolzan (31), destacando que, após três anos de relacionamento feliz, o casal optou por uma declaração que os protege patrimonialmente. Contrariando especulações, não houve uma grande celebração inicial, apesar de planos para uma festa futura. Essencial para Leite era a transparência sobre sua relação, especialmente considerando o contexto familiar de Bolzan, marcando um compromisso com a autenticidade e a recusa a viver o amor de forma oculta, como em relações passadas.

“Estamos há três anos juntos, felizes, e resolvemos assinar uma declaração que nos protege do ponto de vista patrimonial. Não foi nada muito planejado nem teve festa, como algumas pessoas chegaram a dizer, ao ver fotos nossas em Trancoso, na Bahia. Mas, sim, pretendemos celebrar mais para a frente. Quando começamos a namorar, eu logo disse ao Thalis que queria trazer nossa história à luz. Naquele tempo, o pai dele ainda não sabia que ele era gay, então pedi que tratasse do assunto em casa e aí contaria às pessoas. Para mim, era essencial. Não queria viver essa história pela metade, em silêncio, como havia feito até então, em outros relacionamentos”, disse Leite.

Sobre adotar filhos, o governador reeleito comentou: “Queremos, mas não agora. Isso exige uma disponibilidade que tanto eu quanto ele não temos no momento.”

Eduardo Leite revela planos de ter filhos com Thalis Bolzan - Reprodução
Eduardo Leite revela planos de ter filhos com Thalis Bolzan – Reprodução

Na mesma entrevista, Eduardo Leite conta ter enfrentado preconceito devido à sua orientação sexual, notando que os ataques começaram mesmo antes de se afirmar publicamente. Ele compartilhou que, ao aceitar sua identidade gay, decidiu não criar uma falsa imagem de heterossexualidade para agradar aos outros, recusando-se a ser visto com mulheres ou fingir um casamento. Essa escolha reflete seu compromisso com a autenticidade, rejeitando a ideia de viver sob uma persona inventada para se encaixar em expectativas sociais.

“As pessoas especulavam e comentavam. Quando enfim me entendi como gay, não quis expor ao mundo, mas tomei uma decisão: não iria assumir um personagem, tentando convencer os outros de que era heterossexual, aparecendo com mulheres ou fingindo ser casado”, disse.

Sobre quando percebeu que sentia atração por homens, Eduardo respondeu: “Na adolescência, me peguei pensando sobre isso, mas não fui fundo no sentimento. Talvez por todo o contexto: fui criado em um ambiente mais conservador, estudei em escola católica, e você cria uma barreira sem se dar conta. Tive bons relacionamentos com mulheres, verdadeiros, e cheguei a ficar quatro anos com uma amiga de faculdade, por quem realmente me apaixonei. Só aos 25 anos o interesse por homens se fez claro para mim e me permiti vivê-lo. Àquela altura, já era vereador.”

“Você se pergunta como as pessoas vão reagir. Tinha um namorado em São Paulo, vivia viajando e, um dia, minha mãe quis saber por quê. Resolvi revelar ali que estava envolvido com um homem. “Por que então escolheu a vida pública?”, ela me perguntou. Como toda mãe, tinha medo de que eu sofresse”, respondeu quando questionado se havia sido conflituoso aceitar sua própria orientação sexual.

Quando questionado por que levou quase ma década para se afrimar publicamente gay, Eduardo comentou: “Só me senti seguro depois que já me conheciam por meu trabalho. Na época de prefeito, tive um namorado, com quem fiquei por sete anos, e saía da cidade para encontrá-lo. O preconceito pesa, mas não me impediu de ser reeleito governador do Rio Grande do Sul, estado tido como conservador.”

Eduardo Leite e Thalis Bolzan - Reprodução
Eduardo Leite e Thalis Bolzan – Reprodução

O governando ainda detalhou tipos de ataques já sofreu: “Aos 27 anos, quando decidi me candidatar à prefeitura, um assessor de meu gabinete avisou que os adversários diziam ter uma foto minha com um homem. Respondi que, mesmo que fosse verdade, não iria ceder à chantagem. A tal fotografia nunca apareceu, mas, nos debates, recebia mensagens anônimas, ameaçando: ‘Vou divulgá-la.’ É curioso que as agressões vêm de onde você menos espera e se fiam em argumentações inacreditáveis. […] Já ouvi até que eu não seria gay de verdade e que me apresentava assim apenas para ganhar destaque na imprensa.”

Para ler a entrevista à revista Veja na íntegra, acesse este link.




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