Mulheres trans colombianas encontram refúgio colhendo café

Elas foram rejeitadas ou sofreram muita violência e migraram para um lugar onde há aceitação e lugar de fala.

O primeiro episódio de “Uncovered“, do Channel 4 News no formato Facebook Watch, conta um pouco da história de mulheres indígenas trans da Colômbia que estão encontrando um improvável lugar de refúgio.

Assista:

Contra todas as expectativas, a vila de Santuario, no alto de uma colina, tornou-se um refúgio para mulheres trans. Trabalhando na lavoura colhendo café, encontraram uma maneira de serem respeitadas.

“Eu estou livre aqui. Eu posso usar as roupas que gosto. Ninguém nos incomoda. Eu não queria mais ser menino desde os oito anos. Não sei o porquê” – conta a trans Correa, usando um tradicional vestido.

‘MULHERES FALSAS’

O povo Embera, uma tribo de 30.000 homens de caçadores-coletores semi-nômades, não tem nenhuma palavra para transgênero. Outros grupos indígenas descrevem mulheres transexuais como “mulheres falsas”.

A Organização Nacional Indígena da Colômbia se recusou a comentar o assunto. O líder de uma reserva Embera, em Risaralda, foi citado na mídia local dizendo que não era natural que um homem se tornasse uma mulher, ou vice-versa.

Ativistas dizem que essas mulheres – muitas das quais são analfabetas e falam pouco espanhol – são particularmente vulneráveis ​​a serem exploradas sexualmente. No entanto, no Santuário, onde se estima que pelo menos 30 mulheres transexuais da tribo Embera estejam vivendo, encontraram um tipo de santuário.

Mulheres indígenas trans encontram refúgio nas fazendas de café na Colômbia
Mulheres indígenas trans encontram refúgio nas fazendas de café na Colômbia | Foto: National Geographic

POLÍTICAS LGBT+

A Colômbia obteve ganhos significativos em direitos LGBT+, permitindo que casais do mesmo sexo se casem e adotem crianças. Pessoas trans podem mudar seus nomes em carteiras de identidade.

Mas a homossexualidade permanece em grande parte escondida entre suas 87 tribos indígenas, que representam cerca de 1,4 milhão de pessoas, segundo o antropólogo Axel Rojas.

As comunidades indígenas enfrentam uma tensão constante entre a necessidade de preservar sua cultura e tradições e o mundo moderno, incluindo os direitos LGBT+, continuou Rojas, professor da Universidade de Cauca, na Colômbia.

“A questão da diversidade sexual continua a ser uma questão que as comunidades não sabem muito bem como se encaixar. Eu acho que o papel dos jovens indígenas tem sido muito importante na abertura deste debate. No entanto, estamos no momento em que a maioria dos povos indígenas se concentra em processos de fortalecimento de sua cultura, um renascimento cultural que implica, na maioria dos casos, um retorno à tradição”, finaliza.

Com informações de Reuters e Channel4

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