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terça-feira, 21 maio 2019
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“Bixa Travesty” (2018) | Crítica

Dos premiados diretores Claudia Priscilla e Kiko Goifman, traz a trajetória da cantora transexual Linn da Quebrada e propõe um mergulho na cena musical trans na periferia

Selecionado para a cerimônia de abertura do 26º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade, “Bixa Travesty” (2018) carregou a expectativa de fãs de Linn da Quebrada, cinéfilos e colegas dos diretores Kiko Goifman e Claudia Priscilla e o peso do troféu de Berlim, o Teddy de melhor documentário.

Como o próprio Kiko Goifman fez a gentileza de citar em seu discurso no Festival, a vastidão do aquivo pessoal audiovisual de Linn da Quebrada é uma admirável e regalada surpresa aos telespectadores. A articulação onipresente da cantora em várias vertentes lhe rendeu justa inclusão de seu nome na co-direção do documentário, que, no mínimo, serviu para debutá-la no mainstream do Baixo Augusta.

O corpo de Linn da Quebrada é político, desprovido de limites e pudores, sítio de ideias afinadas e, principalmente, seu. O verso de sua música “meu corpo, minhas pregas” faz jus ao Modus operandi de seu cotidiano, que parece até suportável frente a uma personalidade audaz e intelectualizada pelo pragmatismo e lirismo. A peleia com a realidade é tão tesa e intensa que até seu câncer perdeu força de expressão, tornando o hospital servente de cenário para sua arte pós-moderna.

A rádio fictícia foi uma boa saída para evitar o clichê de depoimentos em documentários, dando um controle coeso à narrativa. A ego trip de Linn é válida, pertinente e não cansativa, além de discursar bem para todas as camadas sociais, seja de forma educativa, empoderadora, reflexiva ou argumentativa.

Os 75 minutos do filme foram bem dosados com antíteses humanas, enaltecendo uma delicadeza de caráter com forte ataque feminista; sentimentos construídos organicamente com sua progenitora e amigos; e, óbvio, um caleidoscópio de seu repertório musical.

Ainda que um  eventual telespectador possa sentir falta de storytelling, o documentário é flexionado para seu propósito militante e ainda diverte com pequenos prazeres, como a saga pela luva de Ney Matogrosso.

E sim, podem abreviar “Bixa Travesty” e incluir as letras nas siglas de identidade de gênero.

FICHA TÉCNICA

DIRETORES:  Claudia Priscilla, Kiko Goifman
PAÍS: 
Brasil (SP)
ANO: 2018
DURAÇÃO: 75′
CLASSIFICAÇÃO DE INDICAÇÃO: 16 anos

Elenco: Linn da Quebrada, Jup do Bairro, Liniker, As Bahias e a Cozinha Mineira
Roteiro: Claudia Priscilla, Linn da Quebrada, Kiko Goifman
Fotografia: Karla da Costa
Montagem: Olivia Brenga
Som: Tomás Franco, Confrari/a de Sons & Charutos
Música: Linn da Quebrada
Produção: Evelyn Mab

FILMOGRAFIA DOS DIRETORES:

Claudia Priscilla
2016 A Destruição de Bernardet (codireção com Pedro Marques)
2012 Vestido de Laerte (curta, codireção com Pedro Marques)
2011 Olhe Pra Mim de Novo (codireção com Kiko Goifman)
2010 Leite e Ferro (curta)
2005 Sexo e Claustro (curta)

Kiko Goifman
2013 Periscópio
2011 Olhe Pra Mim de Novo (codireção com Claudia Priscilla)
2008 FilmeFobia
2006 Atos dos Homens
2004 Território Vermelho (curta)
2003 Morte Dense (codireção com Jurandir Müller)
2003 33

REVIEW

Avaliação

ou seja

Documentário de longa-metragem com a cantora transexual brasileira Linn da Quebrada. Grande expoente na cena musical de São Paulo, dona de uma forte e ousada presença no palco, busca constantemente discutir e quebrar paradigmas e estereótipos. Teddy Award de Melhor Documentário no Festival de Berlim, Melhor Direção no Festival de Cartagena, Melhor Longa do Júri Popular e Melhor Trilha Sonora no Festival de Brasília.
Vinicius Yamada
Publicitário, São Paulo - SP || CONTATO: vinicius@gay.blog.br

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