Há um gesto consciente em Tina Romero ao lançar “Queens of the Dead” nos cinemas brasileiros. Filha de George A. Romero, cineasta que redefiniu o imaginário moderno dos mortos-vivos, ela não busca continuidade direta, mas fricção. O apocalipse, aqui, não nasce do colapso institucional ou da paranoia geopolítica, e sim da cultura noturna, da pista de dança e de suas hierarquias internas.
A narrativa parte de uma festa em um galpão no Brooklyn, espaço simbólico de pertencimento para corpos e identidades historicamente empurrados à margem. A irrupção dos zumbis interrompe a celebração e desloca o conflito para outro registro. As criaturas, com brilho metálico e comportamento compulsivo diante de telas, funcionam como alegoria de uma sociedade capturada pela hiperconectividade. O horror não está apenas na decomposição física, mas na incapacidade de desligar-se.
Ao colocar drag queens e clubbers no centro da reação, o roteiro desloca o eixo tradicional do gênero. Não há herói isolado, mas uma dinâmica coletiva atravessada por rivalidades, ressentimentos e disputas por visibilidade. O enfrentamento da ameaça exige negociação interna antes da ação externa. O humor surge como estratégia de sobrevivência e também como comentário crítico.

No elenco, Katy O’Brian conduz parte da tensão dramática com presença física marcada. Nina West transporta para o cinema a experiência performática acumulada na cena drag. Dominique Jackson acrescenta densidade ao grupo, enquanto Jaquel Spivey amplia o diálogo entre teatro musical e audiovisual. O conjunto reforça a proposta de pensar o horror a partir de corpos e trajetórias pouco usuais no centro do gênero.
Exibido no Tribeca Film Festival, onde recebeu o Prêmio do Público, o longa foi descrito pela revista Variety como “um deleite cena após cena”. O site Collider classificou a produção como “um show fabuloso e cheio de ironia”.
“Queens of the Dead” entra em cartaz nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 05 de março.
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