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O longa-metragem “Parque de Diversões”, dirigido por Ricardo Alves Jr. e roteirizado por Germano Melo, será exibido pela primeira vez no Brasil durante a 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Mostra SP). O filme, que faz parte da Première Brasil, será apresentado ao público em três sessões: dia 25 de outubro, às 21h45, no Reserva Cultural (sala 2); dia 27 de outubro, às 15h50, na Cinemateca Brasileira (sala Grande Otelo); e no dia 29 de outubro, às 18h15, no Cinesystem Frei Caneca (sala 06).

O filme, que teve sua estreia mundial no FID Marseille, um dos festivais de cinema mais estimados na França, em junho de 2024, e posteriormente exibido no Festival Queer Lisboa, em setembro do mesmo ano, chega à Mostra SP como uma oportunidade para o público brasileiro conhecer uma obra que explora o erotismo e o desejo de maneira não convencional.

A narrativa de “Parque de Diversões” se constrói em torno do universo do cruising, prática que envolve encontros sexuais anônimos e consensuais em locais públicos, trazendo uma abordagem sensível e visualmente potente das vivências LGBTQIA+. O filme acompanha figuras anônimas que perambulam pelas ruas de Belo Horizonte em busca de encontros até que uma delas decide invadir um parque da cidade, rompendo as grades que o separam do resto da urbe. Esse ato desencadeia uma exploração das vias do parque, espaço que passa a ser permeado pelo desejo e pela excitação. A vegetação tropical e os brinquedos do parque servem como metáfora para os jogos de fantasia e prazer que o espaço oferece, retratando práticas e performances de corpos dissidentes, visando desafiar conceitos de identidade e gênero e propondo uma reflexão sobre os limites e possibilidades do desejo em um cenário de repressão social e política.

Assista ao trailer:

Longa 'Parque de Diversões' traz cruising e pegação #gay de BH para o cinema da 'Mostra SP' → gay.blog.br/cultura/film… #MostraSP

GAY BLOG BR (@gayblogbr.bsky.social) 2024-10-18T01:04:23.442Z

A obra também levanta questões que vão além do foro íntimo, como destacado pelo próprio diretor e pelo roteirista em comunicado oficial: “é inevitável reivindicar este filme sem considerar o contexto político em que foi concebido. O Brasil é um país onde emergem forças conservadoras virulentas; as decisões sobre a vida em sociedade seguem ameaçadas por políticas de repressão, violência, combate ao prazer e estrangulamento das pulsões de vida. As representações escolhidas como forma e tema de ‘Parque de Diversões’ não devem ser vistas apenas como questões de foro íntimo, mas como uma potência que sinaliza demandas de liberdade nos sentidos cultural e coletivo”.

Além disso, “Parque de Diversões” tende a explorar uma estética visual marcada pela fusão entre poesia e movimento corporal. As cenas de sexo explícito, longe de serem meramente provocativas, integram a narrativa de forma a discutir o desejo e suas múltiplas formas de manifestação. Ao apresentar uma pluralidade de práticas sexuais, como o voyeurismo, exibicionismo e fetiches, o filme desafia a centralidade da heteronormatividade, propondo uma nova visão sobre o erotismo.

'Parque de Diversões' (Amusement Park) - Divulgação
‘Parque de Diversões’ (Amusement Park) – Divulgação

Essa representação do cruising como um espaço de descoberta e transgressão, central no filme “Parque de Diversões”, conecta-se diretamente com a dinâmica explorada pelo BKDR, plataforma que oferece um “mapa de pegação” por geolocalização e vem revolucionando o cenário de encontros e a liberdade sexual no mundo todo, refletindo uma cultura de liberação do desejo, semelhante à retratada no longa. Ao situar sua narrativa em um parque urbano de Belo Horizonte, Minas Gerais, o filme compra a ideia de que esses territórios de pegação são, muitas vezes, espaços de liberdade e subversão, desafiando as normas sociais e ampliando as possibilidades de expressão.

Elenco queer e sensibilidade estética

O elenco do filme conta com um conjunto diverso de artistas da cena queer, entre eles Aisha Brunno, Bramma Bremmer, Will Soares e Igui Leal, que já colaboraram com Alves Jr. em seus trabalhos anteriores. Esse grupo de atores e performers traz à tela uma forte presença corporal, ampliando as fronteiras das narrativas tradicionais sobre a sexualidade e o desejo. A fotografia é assinada por Ciro Thielmann, cuja sensibilidade visual realça o contraste entre a natureza do parque e as dinâmicas dos corpos em movimento. A direção de arte, a cargo de Luiz Dias e Luiza Palhares, cria um ambiente em que a fantasia e a realidade se entrelaçam, enquanto a trilha sonora de Dellamud reforça as tensões e excitações que permeiam o filme.

A produção de “Parque de Diversões” é fruto da colaboração entre as produtoras SanTelmo, Entre Filmes e Quarta-Feira Filmes, com distribuição da Cajuína Audiovisual, empresa que se dedica a promover a diversidade na distribuição de filmes brasileiros. Com sede em Salvador, a Cajuína tem como missão fomentar a circulação de conteúdos independentes, fortalecendo a representatividade das pluralidades brasileiras no cinema.

'Parque de Diversões' (Amusement Park) - Divulgação
‘Parque de Diversões’ (Amusement Park) – Divulgação

Serviço

Exibição de “Parque de Diversões”
48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Sobre o diretor

Ricardo Alves Jr. é um cineasta e produtor mineiro com uma carreira marcada pela experimentação e hibridização de linguagens. Ele fundou a produtora EntreFilmes e já teve trabalhos exibidos em festivais internacionais, como o Festival de Cannes, Festival de Rotterdam e Locarno. Entre seus trabalhos anteriores, destaca-se o filme “Elon Não Acredita na Morte” (2016), que foi exibido em diversos festivais ao redor do mundo. Além do cinema, Alves Jr. tem uma presença significativa no teatro, onde dirigiu peças reconhecidas no Brasil e no exterior.

Ficha técnica
Direção: Ricardo Alves Jr.
Roteiro: Germano Melo
Elenco: Aisha Brunno, Bramma Bremmer, Will Soares e Igui Leal
Direção de Fotografia: Ciro Thielmann
Direção de Arte e Figurino: Luiz Dias e Luiza Palhares
Montagem: Henrique Zanoni
Edição de Som: Delani Lima
Trilha Sonora: Dellamud
Produção: SanTelmo, Entre Filmes, Quarta-Feira Filmes
Distribuição: Cajuína Audiovisual

Conheça o BKDR, site que disponibiliza ‘mapa de pegação’ para gays e bissexuais




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