GAY BLOG BR by SCRUFF

Nesta terça-feira (16), o Cinema do IMS Paulista abre a mostra Retrospectiva Adelia Sampaio: se eles apagam, a gente reescreve. A programação destaca a obra da primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil e responsável pelo primeiro filme nacional com temática lésbica. O evento segue até 30 de setembro.

Na sessão de abertura, às 19h, serão exibidos “Adulto não brinca” e “Amor maldito”, seguidos de debate com Adelia Sampaio, presente para dialogar com o público, além da pesquisadora Edileuza Penha de Souza e da cineasta Renata Martins.

Mostra celebra Adelia Sampaio, diretora do 1º longa lésbico nacional
“Amor maldito”, de Adelia Sampaio (Foto: reprodução)

10 títulos de Adelia Sampaio serão exibidos

Ao longo da mostra, dez títulos dirigidos ou produzidos por Adelia serão projetados em diferentes formatos, incluindo cópias em 35 mm e 16 mm. Entre eles estão “Denúncia vazia” (1979), “Scliar, a persistência da paisagem” (1991), “O mundo de dentro” (2018) e “Olhar dos anos 60” (2024).

A programação também inclui “Amor maldito” (1984), marco por ser o primeiro longa brasileiro dirigido por uma mulher negra e por retratar um relacionamento entre duas mulheres. Em entrevista sobre o longa, a diretora comentou: “O filme tem muito a minha visão de mundo. A mulher, a maneira como ela é vista, a maneira como ela é tratada”.

Além das obras próprias, Adelia selecionou filmes que marcaram sua trajetória, exibidos na seção Carta branca, como “Rio, Zona Norte”, de Nelson Pereira dos Santos, e “Xica da Silva” e “Chuvas de verão”, de Carlos Diegues.

A carreira de Adelia começou antes da direção de longas, com passagens pela distribuidora Difilm e pela produção de filmes como “Parceiros da aventura (1979), de José Medeiros. O longa também integra a retrospectiva, ao lado de “AI-05: o dia que não existiu” (2001), documentário dirigido por Paulo Markun com direção artística de Adelia, que trata da Ditadura Militar e do Ato Institucional n. 5.

Eu fiz esse filme com uma força dobrada. Porque, primeiro, em 1974, eu perdi um filho pra uma borrachada da polícia. Depois eu tive o pai dos meus filhos preso por um ano e meio até ser absolvido. E eu corri atrás esse um ano e meio com duas crianças pequenas, minha filha tinha um ano na época. Eu digo: é um dever meu fazer esse registro do AI-5 pra que as pessoas tenham conhecimento, porque esse país não tem memória nenhuma.”

Com mais de cinco décadas de atuação, Adelia consolidou uma filmografia que dialoga com diferentes temas, incluindo memória política, identidade negra e representações de gênero.

Mostra celebra Adelia Sampaio, diretora do 1º longa lésbico nacional
Mostra celebra Adelia Sampaio, diretora do 1º longa lésbico nacional (Foto: divulgação/Marcus Leoni/Itaú Cultural)

Obras exibidas durante a mostra

  • O segredo da rosa
    Vanja Orico | Brasil | 1974, 80’, DCP, digitalização 4K
  • O seminarista
    Geraldo Santos Pereira | Brasil | 1977, 94’, cópia 16 mm
  • Parceiros da aventura
    José Medeiros | Brasil | 1979, 92’, cópia 16 mm
  • Denúncia vazia
    Adelia Sampaio | Brasil | 1979, 8’, Arquivo digital
  • Adulto não brinca
    Adelia Sampaio | Brasil | 1980, 8’, Arquivo digital
  • Amor maldito
    Adelia Sampaio | Brasil | 1984, 76’, cópia 35 mm
  • Scliar, a persistência da paisagem
    Adelia Sampaio | Brasil | 1991, 16’, Arquivo digital
  • AI-05: o dia que não existiu
    Paulo Markun (direção-geral), Adelia Sampaio (direção artística) | Brasil | 2001, 57’, Arquivo digital
  • O mundo de dentro
    Adelia Sampaio | Brasil | 2018, 8’, Arquivo digital
  • Olhar dos anos 60
    Adelia Sampaio | Brasil | 2024, 5’, Arquivo digital

Filmes exibidos na Carta Branca:

  • Rio, Zona Norte
    Nelson Pereira dos Santos | Brasil | 1957, 80’, DCP (Afinal Filmes), restauração 2K
  • Xica da Silva
    Carlos Diegues | Brasil | 1976, 117’, DCP (Cinemateca Brasileira), restauração 2K
  • Chuvas de verão
    Carlos Diegues | Brasil | 1978, 93’, Arquivo digital

A programação completa, com dias e horários de cada sessão, está disponível no site do IMS.

Serviço

Retrospectiva Adelia Sampaio: se eles apagam, a gente reescreve
De 16 a 30 de setembro
Cinema do IMS Paulista




Junte-se à nossa comunidade

Mais de 20 milhões de homens gays e bissexuais no mundo inteiro usam o aplicativo SCRUFF para fazer amizades e marcar encontros. Saiba quais são melhores festas, festivais, eventos e paradas LGBTQIA+ na aba "Explorar" do app. Seja um embaixador do SCRUFF Venture e ajude com dicas os visitantes da sua cidade. E sim, desfrute de mais de 30 recursos extras com o SCRUFF Pro. Faça download gratuito do SCRUFF aqui.

Comente