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Um livro lançado em São Paulo homenageia Brenda Lee, travesti pioneira no acolhimento de pessoas com HIV e Aids no Brasil. A obra, escrita por Ubirajara Caputo, foi apresentada ao público no dia 23 de maio, na Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), e marca o início da coleção “Memórias das Lutas, da Editora Politeia.

Livro destaca Brenda Lee como referência no acolhimento a pessoas vivendo com HIV e Aids
Livro destaca Brenda Lee como referência no acolhimento a pessoas vivendo com HIV e Aids (Foto: reprodução)

Intitulada “Brenda Lee – memórias entrelaçadas da aids”, a publicação reúne documentos históricos, relatos pessoais e depoimentos que revelam a trajetória de Brenda, que, nos anos 1980, transformou sua casa no primeiro centro de apoio a pessoas vivendo com HIV e Aids no país. O espaço foi uma das primeiras iniciativas do tipo no mundo.

Caputo, que também é pesquisador de gênero e direitos humanos, afirma que a ideia do livro surgiu a partir de seu envolvimento com a memória social, campo que estudou no mestrado. Ele conheceu Brenda no início da epidemia de aids e decidiu contar sua história como forma de resgatar um capítulo pouco explorado da luta travesti no Brasil: “Eu imaginava que seria uma história interessante de contar, e quase um débito que a gente tinha com a população trans. Aí resolvi me engajar nesse projeto”, disse em entrevista exclusiva para a Agência Aids.

Livro destaca Brenda Lee como referência no acolhimento a pessoas vivendo com HIV e Aids
Ubirajara Caputo (Foto: reprodução)

Durante a pesquisa, o autor identificou lacunas e distorções nas informações sobre a vida de Brenda. Segundo ele, havia uma necessidade de reconstruir a narrativa com base em fatos verificáveis, incluindo entrevistas, arquivos de jornais e registros audiovisuais. “Estudei violência contra pessoas trans no mestrado e pensava: poxa, as travestis são retratadas sempre de forma pejorativa. E a Brenda era um exemplo virtuoso, uma vida com sentido. E percebi que alguém precisava contar essa história direito. [..] Eu pensei: ‘não, essa história merece ser bem contada’”, afirmou.

Brenda Lee foi assassinada aos 48 anos. No entanto, sua atuação como liderança comunitária permanece como referência entre pessoas trans e travestis. O livro destaca não só suas ações práticas, mas também o vínculo afetivo que ela construiu com quem acolheu: “Brenda abriu mão de tudo para cuidar dos outros. Não só acolhia, ela viveu para isso. É um exemplo imenso de abnegação”.

No lançamento, Caputo compartilhou os desafios enfrentados na produção da obra e refletiu sobre o contexto dos anos 1980, período marcado pelo preconceito e pelo abandono institucional. Para ele, lembrar Brenda é também uma forma de propor diálogos com as novas gerações sobre direitos e resistência.

Ficha técnica

Título: Brenda Lee – memórias entrelaçadas da aids
Autor:
Ubirajara Caputo
Editora:
Editora Politeia
Número de páginas: 175 páginas
ISBN-10:6588230095
ISBN-13:978-6588230091
Onde encontrar: Amazon

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