Um projeto artístico tem reunido pessoas LGBTQIA+ com mais de 60 anos em ensaios fotográficos nus para discutir envelhecimento, corpo e identidade. A iniciativa, criada pelo fotógrafo Rafael Medina, propõe registrar a passagem do tempo na pele sem associá-la à ideia de decadência. Texto contém informações do jornal O Globo.

O trabalho faz parte do projeto “O mais profundo é a pele”, que já retratou 26 pessoas em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Maceió. As imagens destacam corpos envelhecidos em sua forma natural, com foco em experiências de vida e trajetórias pessoais. “Mostro detalhes da passagem do tempo em suas peles para que sejam vistos como belos, e não como sinais de decadência”, afirma Medina.
Além das fotografias, o projeto também se desdobrou no podcast “Drops LGBT60+”, que reúne relatos de pessoas que viveram diferentes contextos históricos marcados por preconceito, invisibilidade e transformações sociais. As histórias abordam afetos, perdas e reconstruções ao longo do tempo.

Uma das participantes é Dora Cudignola, de 77 anos, que relembra a relação com sua companheira, Sílvia Regina Fracasso. As duas se conheceram em um chat virtual no início dos anos 2000 e viveram juntas por mais de uma década, até a morte de Sílvia em 2014.
Dora conta que só expressou publicamente o afeto pela companheira no velório. “Todos ficaram impressionados ao testemunhar o meu amor. Hoje, me arrependo de não o ter vivido livremente, enquanto ela estava viva”, afirma. Após a perda, ela passou a falar abertamente sobre sua história.

O projeto também aborda como o envelhecimento na população LGBTQIA+ é atravessado por fatores como marginalização, falta de referências e episódios históricos, como a epidemia de HIV. “Quando me entendi como homem gay, não havia referências para a vida adulta e sabia que não teria o mesmo futuro dos meus pais ou dos meus avós. Tampouco via homens gays, mulheres lésbicas e, muito menos, pessoas trans à minha volta nessa faixa etária”, diz Rafael.
Segundo o fotógrafo, há uma tendência de invisibilizar o desejo e a vida afetiva dessas pessoas. Ele afirma que buscou personagens que desafiam estereótipos. “Esse grupo é frequentemente mostrado como pessoas que não desejam, não fodem. Além disso, há uma infantilização de quem cruza uma determinada idade”, diz. A proposta é apresentar narrativas que rompam com essa visão e ampliem o debate sobre envelhecimento.

Entre os participantes está o ator e bailarino Márcio Januário, de 61 anos, que também reflete sobre o tema em seus trabalhos artísticos. Ele afirma que a percepção sobre envelhecer muitas vezes é construída socialmente e pode ser ressignificada: “Não sabia o que era ser velho. Só percebemos isso quando nos colocam nesse lugar. Até porque tenho o mesmo fogo no rabo de quando tinha 15 anos”.

O projeto também resultou em uma exposição no Museu da Diversidade Sexual, em São Paulo, em 2025, e deve ganhar novos desdobramentos por agora. A ideia, segundo o criador, é seguir registrando histórias que questionem padrões e ampliem a visibilidade de diferentes formas de envelhecer.
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