A Companhia Polifônica estreia no dia 19 de junho, no Mezanino do Sesc Copacabana, o espetáculo “Eddy – violência & metamorfose”, projeto brasileiro que adapta para o teatro a obra do escritor francês Édouard Louis. A montagem, dirigida por Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky, traz no elenco João Côrtes, Julia Lund e Igor Fortunato.
A dramaturgia parte de três obras do autor — “O fim de Eddy”, “História da violência” e “Mudar: método” — e reflete sobre temas como violência de gênero, de classe, homofobia e xenofobia. A proposta de reunir esses três livros em uma única peça recebeu autorização direta de Louis. “É a primeira vez que isso será feito no mundo, então, sim, façam isso, realizem esse projeto”, afirmou o escritor.

No palco, João Côrtes interpreta Édouard Louis, que revive um episódio ocorrido no Natal de 2012, em Paris, quando, após um encontro, foi vítima de violência sexual e tentativa de assassinato. O agressor, Redá, é interpretado por Igor Fortunato. A partir desse episódio, a narrativa se desenrola em uma viagem de retorno do autor à sua cidade natal, onde, hospedado na casa da irmã Clara (papel de Julia Lund), ele revisita memórias e analisa as estruturas sociais que perpetuam a violência.
Segundo Luiz Felipe Reis, a escolha da obra de Louis dialoga com a pesquisa contínua da companhia sobre os impactos da dominação masculina. “Meu interesse pela obra do Édouard surge como desdobramento dessa investigação contínua que venho realizando sobre diferentes modos de violência, sobretudo os que constituem o mundo masculino — seu ethos e psiquismo, as regras e normas das sociedades patriarcais e, sobretudo, do regime totalitário do capital sob o qual estamos todos subjugados”, explica.
Julia Lund, cofundadora da Polifônica e atriz no espetáculo, destaca que os relatos do autor, embora ambientados na França, são universais. “A nossa peça se baseia em três livros de uma obra que continua a se expandir e a se ramificar em diferentes histórias conectadas; histórias que aconteceram com ele num contexto francês, mas que poderiam muito bem ter acontecido com qualquer um ou uma de nós, num contexto brasileiro”, pontua.
Marcelo Grabowsky, que divide a direção com Luiz Felipe Reis, ressalta a importância de dar visibilidade às subjetividades LGBTQIAP+ no teatro. “Há uma importância em encenar dilemas e vivências de corpos e subjetividades gays e, assim, fazer a gente se reconhecer em cena”, observa.
João Côrtes compartilha que interpretar Édouard Louis é também um exercício de identificação pessoal. “Eu me identifico em muitos lugares com a trajetória do Édouard Louis. Como homem gay, também conheço esse lugar de lidar com a violência, a insegurança, a autoaceitação, e o desejo de ser amado”, afirma.
Igor Fortunato, que dá vida a Redá, reflete sobre a complexidade do personagem. “Vejo que meu personagem é ambíguo e está inserido nesse sistema perverso, para que exista desta forma no mundo: se por um lado sofre, por outro, acaba se autorizando a praticar as micro e macroviolências”, analisa.
O espetáculo faz parte das comemorações de 10 anos da Companhia Polifônica, conhecida por cruzar linguagens como teatro, cinema, literatura e som, e que atualmente também mantém em cartaz o espetáculo “Deserto”, no Teatro Poeira, no Rio de Janeiro.
Serviço
Espetáculo: Eddy – violência & metamorfose
Local: Mezanino do Sesc Copacabana — Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro
Temporada: De 19 de junho a 13 de julho de 2025 (quinta a domingo)
Horário: 20h30
Ingressos: R$ 10 (associado Sesc), R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira)
Classificação: 18 anos
Duração: 110 minutos
Informações: (21) 3180-5226
Ficha técnica
Idealização e realização: Polifônica (Luiz Felipe Reis e Julia Lund)
Direção e dramaturgia: Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky
Elenco: João Côrtes, Julia Lund, Igor Fortunato
A partir da obra de Édouard Louis — “O fim de Eddy”, “História da violência”, “Mudar: método”
Direção de movimento: Lavínia Bizzotto
Preparação corporal: Alexandre Maia
Cenografia: André Sanches
Cenógrafa assistente: Débora Cancio
Direção de tecnologia e iluminação: Julio Parente (Para Raio)
Figurino: Antônio Guedes
Assistente de figurino: Mari Ribeiro
Criação de vídeo: Daniel Wierman
Trilha sonora: Luiz Felipe Reis
Direção musical: Carol Mathias
Produção musical: Pedro Sodré
Técnico de luz e operador de luz e vídeo: Rodrigo Lopes
Técnico-operador de som: Daniel Vetuani
Hair stylist: Amadeu Marins (Salão Ará)
Make: Sabrina Sanm
Fotografia de estúdio: Renato Pagliacci
Design gráfico: Clara Seleme (Paspatur)
Assessoria de comunicação: Dobbs Scarpa
Direção de produção: Luiz Felipe Reis e Julia Lund (Polifônica)
Produção executiva: Roberta Dias (Caroteno Produções)
Assistente de produção: Luciano Pontes
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