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Felipe Barros estreia seu primeiro solo teatral, “Aqui, agora, todo mundo”, em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, entre os dias 24 de janeiro e 1º de março de 2026. A peça, que se desenha a partir de um corpo e mente em reconstrução, é dirigida por Heitor Garcia e baseada no livro homônimo de Alexandre Mortagua, lançado em 2021.

Com sessões às segundas, sábados e domingos, sempre às 19h, o espetáculo propõe um mergulho na percepção fragmentada de um homem gay diante de uma trajetória marcada por silêncios, perdas e pertencimento.

“Aqui, agora, todo mundo” - Foto: Kim Leekyung
“Aqui, agora, todo mundo” – Foto: Kim Leekyung

Com dramaturgia assinada pelo próprio Barros, a montagem se estrutura a partir de uma pergunta enigmática: “E se a sua mente fosse um quebra-cabeça que só os outros conseguem montar?”. A encenação reflete a experiência psíquica da depressão a partir de um fluxo não linear, conduzido por memórias dispersas e cenas que se organizam como fragmentos de um passado que escapa à ordem cronológica. A plateia assume papel ativo, influenciando a costura narrativa e alterando a experiência a cada apresentação.

O título da peça funciona também como um chamamento coletivo. “Aqui, agora, todo mundo” invoca a escuta como gesto de cuidado, especialmente em uma sociedade que continua a marginalizar corpos dissidentes, entre eles os da comunidade LGBTQIA+. Ao abordar temas como autoimagem, adolescência gay, relações familiares, performance social e o desejo por afeto, o texto amplia o debate sobre saúde mental para além da patologia, apontando para as tensões sociais que atravessam a subjetividade de quem vive à margem.

Entre os elementos que ampliam a camada emocional da encenação está a trilha sonora assinada por Jaloo. As composições da artista paraense, conhecida pela fusão entre pop eletrônico e ritmos regionais, conduzem o espetáculo por meio de recortes sonoros que dialogam diretamente com o universo interno do personagem. A curadoria musical e o desenho de som foram desenvolvidos pela DJ Agatha, que selecionou trechos específicos da obra de Jaloo para compor a narrativa. O resultado é uma costura sensível entre música e dramaturgia.

“A Jaloo possui um pensamento muito eloquente sobre saúde mental, e isso está profundamente ilustrado em sua obra, especialmente na perspectiva da influência externa, que também abordamos no espetáculo”, afirmam os realizadores.

“Aqui, agora, todo mundo” - Foto: Kim Leekyung
“Aqui, agora, todo mundo” – Foto: Kim Leekyung

A dramaturgia também se ancora na trajetória pessoal de Alexandre Mortagua, que expôs vivências familiares e afetivas em seu livro “Aqui, Agora, Todo Mundo! Como estou me matando e outros venenos que podem me curar”. Filho do ex-jogador Edmundo, Mortagua teve a infância e adolescência acompanhadas pela mídia em meio a disputas públicas entre os pais, o que intensificou o sentimento de não pertencimento. A partir da exposição precoce, da ausência paterna e da experiência com depressão, suas obras exploram a tentativa de ressignificação de um passado fragmentado.

Na peça, essa reconstrução é performada por um personagem em estado de suspensão, que se vê à beira de um abismo simbólico. A sinopse aponta: “Curvado sobre o parapeito de sua varanda, ele não salta, mas também não recua. Nesse instante suspenso, sua história explode como um quebra-cabeça lançado ao ar, cujas peças caem em desordem.”

A montagem é fruto de um processo colaborativo que reúne profissionais de diferentes áreas, com destaque para a cenografia de Marco Paes, o figurino desenvolvido em conjunto por Heitor Garcia e Felipe Barros e o visagismo de Keyla Issobe. O desenho de luz de Rodrigo Pivetti contribui para a ambientação onírica das cenas, enquanto a fonoaudióloga Lucya Gayotto acompanhou o trabalho vocal de Barros, evidenciando o rigor técnico da produção.

A obra é uma realização da Malisgüe Produções, com produção executiva de Felipe Barros, Heitor Garcia e Alexandre Mortagua. A assessoria de imprensa é assinada por Pombo Correio e Vira Comunicação.


Serviço

Aqui, agora, todo mundo
Temporada: 24 de janeiro a 1º de março de 2026 (exceto de 12 a 15/2)
Sessões: sábados, domingos e segundas, às 19h
Local: Teatro Sérgio Cardoso – Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo
Ingressos: R$ 80 (inteira), R$ 40 (meia)
Lista Trans Free: aquiagoratodomundo@gmail.com
Venda online: Sympla
Classificação: 14 anos
Duração: 60 minutos
Capacidade: 144 lugares
Instagram: @aquiagoratodomundo

Baseado em experiências pessoais, Alexandre Mortagua lança seu primeiro livro




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