GAY BLOG BR by SCRUFF

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Em dezembro, a equipe do GAY BLOG BR revisitou as matérias mais lidas do ano e as reuniu em categorias para que os leitores pudessem eleger, através de votação, os merecedores do valiosíssimo troféu Poc Awards.

A entrevista com Marcelo Bechler (34), onde o jornalista fala acerca dos bastidores do vídeo viral com o jogador Gerard Piqué, motivou a indicação do mineiro na categoria “Hétero Não Tóxico do Ano” da premiação. Com 53% do voto do público, o troféu Poc Awards 2020 foi para Barcelona, onde Bechler vive há cinco anos.

Em nova entrevista ao GAY BLOG BR, Marcelo Bechler fala sobre o enfrentamento ao coronavírus na Espanha, o posicionamento de clubes com a diversidade e um pouco de sua vida pessoal.

Marcelo Bechler - Reprodução/Instagram
Marcelo Bechler – Reprodução/Instagram

A sua popularidade tem crescido muito, não apenas no esporte, mas em diversos tipos de público, inclusive tem o respeito do clube. Aqui no GAY BLOG BR, sua entrevista foi uma das mais acessadas em 2020. Naquela época, inclusive você estava com cerca de 80 mil seguidores no Instagram; hoje ultrapassa 166 mil. A que você atribui seu grande engajamento com o público? Foi uma surpresa ter sido pelo público na sua categoria no Poc Awards?

Foi muito surpreendente sim! Porque eu realmente acho que não fiz nada demais em levar numa boa uma brincadeira. Sobre o crescimento da popularidade, recebo umas mensagens de gente dizendo que não gosta de futebol e me segue só para me ver. Os comentários das fotos são bem divididos entre elogios de fãs de futebol e de homens que me acham bonito. Eu acho bem legal que me vejam por coisas positivas. E acho que só posso retribuir dando o exemplo de tolerância e leveza pra amigos, família e seguidores.

Do momento em que fizemos a entrevista até agora, teve alguma nova interação ou uma nova entrevista com Piqué?

Não, por causa da pandemia nosso acesso está quase mínimo. O máximo foi um dia que eu estava descendo as escadas do Camp Nou e os jogadores saindo para aquecer e ele gritou “Hey, Marcelo!”. Nada mais. Ele deu entrevista em um pós-jogo que eu estava, mas minha posição de entrevista estava longe e ele não foi a todas as TVs.

Sobre o enfrentamento ao coronavírus por aí, como você a atuação do governo que as coisas voltassem a caminhar em direção ao “normal”? Consegue fazer um paralelo entre as medidas daí e as do Brasil?

Eu acho que primeiramente, aqui há um sentido. Para restrições, relaxamento, etc. Mesmo que errem, porque estamos enfrentando o desconhecido, há lógica e ciência por trás. As medidas são mais rígidas e há multa pesada para quem não cumpre. Acho que há mais vontade do governo e da população em ajudar-se mutuamente. Temos que cada um dar seu grãozinho de areia, senão é impossível.

A Europa tem um futebol muito desenvolvido. A América do Norte também. Não apenas nas seleções, mas também nas ligas nacionais. A que você atribui isso? É uma questão apenas cultural ou existem políticas públicas que favorecem esse desenvolvimento?

É uma questão de dinheiro. Os brasileiros, argentinos, uruguaios brilham nessas ligas. Os europeus têm mídia, grandes patrocinadores, organização coletiva para vender direitos de transmissão. Mas imaginem que os bons sul-americanos ficassem por aí e tivéssemos uma Libertadores com Messi, Neymar, Suarez, Alisson, Marquinhos, Lautaro…. seria tão boa ou melhor que a Champions.

Bechler @ TV3 - Reprodução/Instagram
Bechler @ TV3 – Reprodução/Instagram

Para você, qual função do esporte na construção da horizontalidade social, não apenas do ponto de vista racial, mas também na igualdade de gênero e sexual? Você enxerga medidas pró-diversidade nos clubes daí?

Muito timidamente os clubes estão se posicionando. Alguns como o Rayo Vallecano e o Unión Berlim são mais ativos. E acho que os grandes fazem porque gera um engajamento bonito, não por espontaneidade. Estatisticamente, cada clube com 30 jogadores deve ter um ou dois jogadores gays e ninguém sai do armário. Medo da reação da torcida, patrocinadores, mídia e que o julguem por isso e não pelo futebol que apresentam. Eu acho que o esporte seria fundamental para normalizar questões como estas. Estamos vendo um movimento importante no combate ao racismo, puxado por jogadores engajados, mas ainda é um meio extremamente machista e retrógrado nesse sentido.

Pelas redes sociais, podemos dizer que você se exercita bastante. Como é você jogando bola? Podemos esperar um dia te ver jogando em algum time?

Hahaha! O que eu menos faço aqui é jogar futebol, porque é difícil conciliar o horário de 10, 15 pessoas. Gosto muito de jogar e cheguei a fazer categoria de base no América-MG. Hoje já estou com 34 anos e é impossível correr atrás de moleques de 20, 22 anos. Sigo com padel, musculação e subir escadas (sim, eu adoro subir escada correndo hahah).

Marcelo Bechler - Reprodução/Instagram
Marcelo Bechler – Reprodução/Instagram

E você tem planos de voltar a viver no Brasil?

Não tenho. O Brasil está em um momento muito triste, intolerante e que gera mais stress que o trânsito ou a segurança pública (os motivos que me motivaram a sair, em 2015). Meu aprendizado de muitas coisas aqui continua me motivando a seguir. Sinto falta dos amigos e da família, mas a mentalidade que temos hoje me afasta do Brasil, infelizmente.

E quais seus planos pós-pandemia?

Quero viajar. Muito. Em 2019 fui pra África do Sul com a Clara, minha namorada, e foi incrível. Ano passado fomos para Sardenha e nunca vi um mar igual. Fiz uma viagem de 3 dias para Ibiza com amigos e também foi incrível. Sinto falta de viagens a trabalho e a lazer. Quero ver meus pais e irmãos. Comer o feijão tropeiro da minha avó em Brumadinho, jogar biribol com minha família em Olímpia. E quero ir no Atacama e nas praias do Vietnã e Indonésia. Vai faltar dinheiro? Vai, mas eu quero!

Marcelo Bechler - Reprodução/Instagram
Marcelo Bechler – Reprodução/Instagram

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Catarinense, 25 anos e professor de Literatura e Língua Inglesa. Homem gay, apaixonado por música e que respira futebol e cultura latino-americana.