Na próxima terça-feira (03), a cantora Pocah, 29 anos, lançará seu primeiro álbum, intitulado “Cria de Caxias“. O projeto, composto por 11 músicas dividas em três atos, retrata as fases da vida e da carreira da artista. As faixas também abordam a vida em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, onde Pocah cresceu. “Tudo o que eu passei, hoje me faz uma artista“.
Álbum é dividido em 3 atos
Em uma coletiva de imprensa realizada na última quinta-feira (29), Pocah compartilhou sobre a produção do seu álbum e a decisão de dividi-lo em três atos. Segundo a cantora, sua vida foi cheia de aprendizados, tanto bons quanto ruins, que lhe ensinaram muitas lições. Com isso em mente, Pocah decidiu reunir todo o conhecimento adquirido em seus 14 anos de carreira no álbum “Cria de Caxias“.
Em “MC Pocahontas“, a cantora resgata o estilo de funk que marcou o início de sua carreira como funkeira em Duque de Caxias. “A MC Pocahontas é uma MC que está iniciando a carreira, cheia de sonhos, mas ainda inexperiente, começando a ‘pegar’ a malícia do mundo“, contou em coletiva.
No segundo ato, “Pocah“, a artista ‘se joga’ no pop sem abandonar suas raízes, incorporando elementos de R&B e uma lírica mais sensual. “A Pocah é o amadurecimento da Pocahontas. Uma complementa a outra. Não posso ser Pocah sem a MC Pocahontas; ela vive em mim“, afirmou.
Por fim, no terceiro ato, intitulado “Viviane“, o público tem acesso a um lado mais íntimo e pessoal da artista, no qual ela expõe seus medos e receios de forma emocional. Além disso, há uma faixa dedicada à sua filha, “Vitória“, que conta com a participação da menina de 8 anos. “A parte ‘Viviane’ [foi] onde eu pude colocar a maior intensidade. Peguei [toda a minha] vulnerabilidade e a expus […] O processo criativo de ‘Viviane’ doeu muito. Doeu reviver, doeu falar, mas foi necessário“, revelou a cantora em coletiva.
Entre os atos, estão as faixas interludes, que marcam o início de cada ato. Pocah revelou que se emocionou bastante, especialmente no último. “E aí a gente vai para o interlude de Viviane, que começa com a minha filha dizendo: ‘Mas o nome da minha mãe é Viviane’. E eu pedi para o meu pai dizer o por quê de Viviane. [Então] ele diz para eu viver a vida. É lindo, eu não consigo ouvir esse interlude sem chorar, não tem condições“, relembrou, emocionada.

Violência contra a mulher e relações abusivas
Em sua obra, Pocah também aborda a violência contra a mulher e os relacionamentos abusivos, ressaltando a importância de discutir esses temas, inclusive nas letras de músicas. “Para mim, é de total importância, [especialmente] em um mundo onde muitas mulher são caladas e tachadas de loucas, quando na verdade são vítimas. Quando essas mulheres decidem falar sobre seus momentos de violência e relacionamos conturbados e tóxicos, [acredito] que isso soa como um alerta, porque, infelizmente, eu não fui a única. Neste [exato] momento, uma mulher poder estar sofrendo violência doméstica“, afirmou a cantora.
Pocah também destaca a importância da música “Livramento“, presente em seu álbum. “Ela é um agradecimento a Deus, primeiramente, por ter me dado esse livramento. Por muitas vezes eu achei que [seria] meu fim naquela noite, naquele dia e, graças a Deus, não foi. Eu não fui a primeira e não serei a última a abordar esse assunto, mas acho necessário expor sim. É uma forma de dizer que você não está sozinha, que elas não estão sozinhas“, ressaltou.

Pocah dá spoilers sobre apresentação no Rock in Rio
Durante a coletiva, Pocah comentou sobre sua apresentação no Rock in Rio, marcada para o dia 20 de setembro no palco Espaço Favela. Ela destacou que está vivendo um sonho: “Eu estou muito feliz e realizada. É um sonho que carrego comigo. Não vou dizer que sonhei com isso a carreira inteira, não serei hipócrita. Porque, em parte da minha carreira, eu achava que nem era possível uma funkeira estar nesse festival […] Mas passei a sonhar com isso vendo Anitta, Ludmilla e Kevin o Chris, pessoas que eu admiro muito, [apresentando-se lá no palco]“.
A cantora ressalta a importância de representar a massa funkeira quando subir ao palco do Rock in Rio. “Quando eu subir no palco do Rock in Rio, eu subirei representando a massa funkeira, os jovens que vieram da favela, assim como eu. Eu vim do meio do nada, perspectiva de vida zero, mas o funk me abraçou, abriu portas para mim e salvou a minha vida. Em um momento muito difícil, quando meus pais estavam desempregados, eu pude ‘dar um giro’ na minha vida. Sou muito grata por esse movimento“, conta.
Ao relembrar esses momento, Pocah se emociona durante a entrevista e fala mais sobre a sua trajetória até chegar onde está. “Eu até choro e me emociono porque já cantei em diversas boates, em diversas choppadas, [onde] nem tinha palco para mim. Já cantei em cima de cadeira, até em cima daquelas mesinhas de escola. Então, estar hoje em um festival desse porte, dessa magnitude… Foi com muita luta, com muito esforço. Estou lá graças aos meus fãs que acreditam em mim e que compram essa ideia doida de ser artista. Para mim, é uma honra imensa“, relatou.

Ademais, Pocah revelou que os fãs podem esperar uma apresentação inédita no festival. “O que eu posso dizer, por enquanto, é que meu show será completamente inédito. Terá algumas faixas do novo álbum no show, que é completamente autoral, todo com músicas minhas. É um show que vai abrir uma nova era“, contou.
Sobre a estrutura do show, a cantora ressaltou que seguirá a mesma lógica do álbum. “Haverá transições, sim. Assim como no álbum, [o show] será dividido também entre MC Pocahontas, Pocah e Viviane – isso não vou mudar. É uma história que quero contar, não só no álbum, mas também amarrar ao show. Acho que faz todo o sentido. Na parte de Viviane, terá uma coisa mais intimista. Será um momento que [normalmente] não tem nos meus shows. Meu show costuma ser sempre para o alto, com tamborzão, bate bumbum“, brincou.
Os fãs também podem esperar novidades na sua apresentação: “Agora, com a chegada da Viviane, que não é mais anônima, na minha carreira, haverá esse momento. E eu quero levar uma surpresa para esse momento. Posso dizer que haverá uma surpresa na parte do ato Viviane no show […] E vai ter troca de looks também“.
Mulher bissexual
Questionada pelo Gay Blog BR sobre como suas vivências, experiências e desafios como mulher bissexual influenciaram a criação do álbum e como ele será recebido pela população LGBTQIA+, Pocah foi enfática em sua resposta.

“Como você mencionou, eu sou uma mulher bissexual. Meu primeiro beijo foi com uma mulher. Eu fico muito feliz que a comunidade LGBTQIAP+ me abrace desde o começo dos meus 14 anos de carreira. Eles foram um dos primeiros a estarem do meu lado, consumirem a minha música e a dizer ‘estamos aqui com você’. Para mim é um prazer inenarrável. Isso me deu forças para assumir quem eu sou. Muitas das minhas músicas e principalmente o “Cria De Caxias” fala sobre amor-próprio e a importância de não aceitar menos que merecemos em qualquer relação. Isso é algo que qualquer um, especialmente a nossa comunidade, pode se identificar“, contou.
Pocah discute o futuro
A artista também revelou que tem vários planos para seu novo álbum: “Tenho muitos projetos futuros para o ‘Cria de Caxias’. Eu acho que a gente tem muita coisa para explorar dele. Houve grandes participações no álbum, só que algumas não puderam estar neste lançamento. Pretendo lançar uma versão deluxe dele, uma versão estendida com outras participações, e já estou pensando em um segundo álbum. Tem muita coisa incrível, muita coisa boa que eu ainda nem falei“.

No entanto, Pocah enfatizou que seu foco, por enquanto, é neste lançamento, que ainda nem foi ao ar. “Eu vou extrair o máximo possível desse álbum, de todas as formas, porque, como eu disse, tem muita coisa que dá para falar. Tem música que eu consigo cantar na TV, música para a rua, para tocar em pistas e bailes. Tem música para todos os momentos nesse álbum“, completou.
Pocah destacou, ainda, que não descarta uma futura parceria com cantoras como Anitta e Ludmilla: “São duas mulheres que fazem funk e que eu admiro. A gente já conversou sobre isso, só tem que bater as agendas para podermos soltar e acharmos a música certa. Por mim, eu super vou topar“.


Pocah promete novo EP para outubro e fala sobre adolescência, política e representatividade LGBT+
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