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GAY BLOG BR by SCRUFF

O GAY BLOG BR, em parceria com o SCRUFF Brasil, entrevistou Renan Quinalha, ativista de direitos humanos e atualmente é professor de Direto na Unifesp. Formado pela USP em direito e sociologia, a questão LGBT aparece em sua trajetória acadêmica: fez mestrado, doutorado, discutindo direitos humanos e estudos de gênero e sexualidade. Quinalha também foi assessor da Comissão da Verdade de São Paulo e depois deu assessoria para a Comissão Nacional.

Renan Quinalha, advogado e ativista de direitos humanos / Reprodução

Como se deu o seu interesse por política?

É uma questão que sempre foi muito central para mim. No movimento secundarista, quando eu estava no ensino médio, eu estudei em um colégio que era uma escola técnica federal, aqui em São Paulo. É um lugar que depois se transformou em universidade, mas era um local de ensino médio e técnico. Eu fiz técnico em telecomunicações e aí, já no ensino médio, comecei a me interessar por política, porque tinha muita organização de movimento estudantil, o grêmio acontecia ali etc. Quando eu entrei ali, tinha tido pouco contato com política, a minha família não era muito politizada. Não tive essa educação política dentro de casa, mas foi justamente nesse colégio quando eu tinha ali meus 14, 15 anos, que eu começo a me engajar cada vez mais em uma atividade de militância mesmo. Então, eu comecei a me interessar por política naquela época, isso era no início dos anos 2000, então o debate era um pouco ALCA [Acordo do Livre Comércio nas Américas] no Brasil, a questão do passe livre, eu também me engajei ali. Fiz parte do grêmio, e aí comecei uma ligação forte com a política. A escolha pelo direito tem essa relação muito forte pelo meu interesse por política, porque o direito é uma área que tem uma relação de interface muito grande com a política institucional e com o ativismo. Então, tudo isso me marcou muito na minha trajetória. Na faculdade eu fui seguindo numa militância, no campo dos direitos humanos e ao me assumir também gay, que eu comecei a ter também uma militância, um ativismo LGBT. A política sempre esteve no meu horizonte, às vezes com causas diferentes, com tipos de militância diferentes, mas sempre foi algo que eu sempre cultivei, que eu sempre busquei conhecer mais, estudar mais, me posicionar publicamente.

E como você se percebeu gay?

Esse processo de saída do armário é um processo curioso. Tem um filósofo que eu gosto muito chamado Didier Raymond, ele fala que a saída do armário nunca é plena. Ela não se dá num ato único. A gente vai saindo do armário, sempre no gerúndio. É uma atividade que a gente vai fazendo a vida inteira. Esse sair do armário depende de quem a gente considerar em um momento, fui contar para a minha mãe primeiro, no fim da faculdade, depois para alguns amigos. Foi um processo meio gradativo, que levou alguns meses ou até anos para chegar a um processo de sair do armário até ter um primeiro relacionamento com um cara, e assumir isso publicamente de modo tranquilo. Eu já estava com uns 23, 24 anos, após a faculdade.

E seu interesse foi tão grande que motivou a escrever o livro “História Do Movimento LGBT No Brasil” e até chegou a ministrar um curso sobre o tema…

Exato. O livro se chama “História do Movimento LGBT no Brasil”. Foi publicado pela editora Alameda. A capa tem a ilustração da Laerte, e é um livro grande, são umas 600 páginas. Com um panorama da história do movimento no Brasil todo, tentando abranger a representatividade de todas as siglas, das diferenças raciais, regionais, dentro do movimento LGBT brasileiro, e foi um esforço coletivo. É um livro com mais de 30 autores do país todo, de diversas áreas diferentes de conhecimento, que buscam entender como se deu o desenvolvimento do movimento LGBT no Brasil. Então, foi muito curioso, pois como eu sempre gostei muito de estudar também, além da política, o fato de me assumir LGBT, ter uma identidade pessoal LGBT, me fez logo ter uma identidade política LGBT. Também tenho um interesse teórico, acadêmico por isso, e eu acabei me identificando muito a esses estudos sobre o movimento, sobre os direitos LGBT no Brasil. Tenho me dedicado a esses temas de pesquisa, tenho trabalhado nessa agenda já alguns anos e sigo trabalhando. Para mim, isso faz muito sentido, de eu estudar algo que me diz respeito diretamente. Eu acho que isso é um chamado que eu sinto, por ser um homem gay e ter que me engajar nessa luta LGBT. Estudar,  ajudar a construir e preservar a memória de luta desse movimento.

Quinalha e a cartunista Laerte/ Agência Aids

Você tem outros títulos publicados? Este foi o primeiro voltado para a temática LGBT?

Não. Antes eu tinha feito a organização de um outro livro, “Ditadura e Homossexualidades”, lançado em 2014. Um esforço que a gente fez junto da Comissão Nacional da Verdade e das Comissões Estaduais, de invisibilizar a repressão contra a população LGBT no Brasil. Então, logo saiu esse livro em 2014. Quem tiver interesse nesse livro, dá pra encontrar pela Amazon, em livrarias. Eu tenho me dedicado a isso. Tenho um outro livro que já está pronto pela Cia das Letras, que ia sair agora mas aí veio a pandemia, então adiamos para o primeiro semestre do ano que vem. Ele é fruto da minha tese de doutorado, e estou escrevendo um outro livro pela editora Autêntica que é de Belo Horizonte da área de humanas. É um livro também sobre temática LGBT, então tem alguns projetos em andamento sempre nessa linha de buscar compreender a história da luta LGBT e o processo de construção dos direitos e da cidadania no Brasil.

Recentemente você também fez curadoria da exposição “Memorial da Resistência de São Paulo”, que está em cartaz no Museu da Diversidade Sexual. Foi na ditadura que começou a história do movimento LGBT no Brasil?

É uma excelente pergunta. Eu fiz a curadoria dessa exposição. Acompanhei um pouco do processo de montagem ali, que pra mim foi um desafio muito interessante, porque eu sou um cara mais acadêmico, trabalhando com escrita e literatura. Eu nunca pensei em ver a minha pesquisa transformada em uma outra linguagem visual, uma linguagem expográfica, museológica, então foi um processo muito interessante e eu estive lá para ver montada. Faço o convite, essa exposição chama-se “Orgulho e Resistências – LGBTs na Ditadura”, está no memorial da resistência e é gratuita a visitação. As pessoas podem entrar no site do memorial e reservar o ingresso. Eles estão tomando todos os cuidados, então é necessário reservar antes, para não ter lotação do local e tomar os cuidados na entrada e tudo mais. Os protocolos de segurança, mas dá pra visitar com máscara e fica o convite. Sobre a sua pergunta, a respeito dessa centralidade da ditadura. Primeiro porque a gente tem uma sociedade ainda muito marcada por esse espectro da ditadura. A gente vê que a política brasileira ainda orbita em torno da questão da ditadura. A gente tem visto isso nos últimos meses. A gente vê discursos negacionistas, revisionistas, de que não houve ditadura, de que não foi tão ruim assim, que no fundo era um regime positivo. A gente tem visto esses esforços. É gente pedindo o novo AI-5, intervenção militar, constitucional, enfim uma série de coisas bastante estranhas do ponto de vista democrático. A ditadura é algo muito presente, além disso para a população LGBT a gente não tem muito essa ideia né. Quando a gente vai se descobrindo LGBT, a gente não está muito nesse repertório, pelo menos não estava, mas acho que agora para as novas gerações que estão vindo, acho que está mais contextualizado. Há muito mais material na internet, eu acho que a gente é de uma geração que não tinha referências tão claras, não existia o GAY BLOG, portais que dão notícias, que mostram referências, que informam as pessoas. A gente nem internet direito conseguiu navegar na adolescência, o começo desse processo. Então, é interessante que essas pessoas vão chegando e já começam a ter muito mais repertório e material de conhecimento. É durante a ditadura que o movimento LGBT se organiza no Brasil. Em 1978, acontece o primeiro esforço de uma associação organizada de movimento social fazendo reuniões, se juntando, fazendo atos públicos de rua, para reivindicar igualdade, liberdade e cidadania. Em 1979 começa a ir pra rua, mas no ano anterior começam as primeiras reuniões em São Paulo, graças a iniciativa do João Silvério Trevisan, que é um grande pioneiro do nosso movimento LGBT. Uma figura importantíssima, está vivo e atuante. É um escritor que tem livros incríveis, vou citar um dele que é sobre a História LGBT no Brasil, que é o Devassos no Paraíso, mas ele tem muitos livros de literatura e outras questões também. Evidente que temos gente LGBT no Brasil anterior a 1978, desde a época da colonização do Brasil já se tinha registros da inquisição, perseguindo e tudo mais. O que eu me refiro, é em relação ao movimento organizado, isso só começa em 1978. Há pouco mais de 40 anos, e 40 anos é um tempo relativamente curto do ponto de vista histórico, e desde então, o movimento se aperfeiçoou muito, evoluiu muito, conseguiu conquistas muito importantes.

E como seguiu o enfrentamento nas décadas seguintes? Como você contaria a história do movimento LGBT brasileiro para um heterossexual que nunca teve contato com a comunidade?

Mesmo na época da ditadura, já tinha nos anos 1960,1970, nos grandes centros urbanos Rio e São Paulo e isso e em outras capitais também, você via assim inchando cada vez mais o gueto. A população LGBT saia das cidades pequenas e ia para as cidades grandes para buscar anonimato, não ser reconhecido e poder ter alguns lugares de sociabilidade, de pegação como parques, praças, banheiros públicos etc. Havia alguns poucos bares que existiam que não eram abertamente LGBT mas que aceitavam, tolerava a população LGBT. Então, você tem na ditadura uma repressão que vai crescendo e ao mesmo tempo, uma vida LGBT que também vai crescendo e resistindo nas brechas do próprio regime autoritário. No fim dos anos 70 surgiu esse movimento. Trevisan relata que foi muito difícil, em 1976 ele tenta organizar reuniões, as pessoas vão a reunião mas elas não se assumiam gays, homossexuais, nem para elas próprias. Elas tinham dificuldade de falar do assunto, e em 1978, ele sente que mudou um pouco o clima. Era um momento de abertura da ditadura, e aí as pessoas iam para o grupo, mas não era um grupo em que as pessoas já entravam falando “eu sou LGBT, eu vou pra rua, vamos lutar”. As pessoas entravam para falar de sua experiência primeiro: “Olá, eu sou Renan, eu sou professor, eu sou gay…”. Então as pessoas começaram a criar empatia, conversar com pares, pois como eu falei não tinha referência de publicações e tudo isso, estavam começando a surgir essas coisas. As pessoas chegavam, se aproximavam e começavam a ter uma atuação de sair na rua e de fazer atos públicos. Em 1979,1980, o movimento vai crescendo, no ano seguinte, a gente contabiliza 22 grupos (além do grupo Somos, que foi pioneiro em São Paulo), por todo o país, mais de duas dezenas de grupos que surgiram. Considerado bastante coisa para um espaço curto de tempo, e em vários lugares, muito no eixo Rio – SP, mas em vários lugares do país, Brasília, Rio Grande do Sul, Porto Alegre, no Nordeste como o GGB (Grupo Gay da Bahia), que até hoje existe, Dialogay de Sergipe etc. Em todo o país vai surgindo no começo da década de oitenta, mas aí vem a epidemia do HIV/AIDS, e isso é um baque muito forte no movimento, porque em 1982 o primeiro caso, 1983 Markito morre, um estilista famoso, começam a associar a doença como se fosse uma peste gay, um câncer gay que era como se chamava na imprensa na época. Ninguém sabia o que era. As pessoas morriam. O Estado não tinha tratamento de saúde nenhum. Não tinha ainda indústria farmacêutica pesquisando ainda a doença. E aí temos um baque muito grande porque os grupos vão diminuindo. As pessoas vão morrendo, e é um impacto muito grande que, talvez a gente que é de uma geração que veio bem depois, muitas vezes não tem essa dimensão do quão impactante foi essa epidemia sobre a população LGBT. O fato é que a partir dessa epidemia, as campanhas de prevenção começam a acontecer mais fortemente, e a população LGBT e o próprio movimento que vai cuidar das campanhas de prevenção, porque é quem estava mais capilarizado para fazer isso. As secretarias de saúde não tinham essa estrutura, então faziam convênios com ONGs e entidades LGBT. Elas começam a se juntar para fazer campanhas, recebem financiamento, e aí os grupos LGBT começam no fim da década de 1980 a ter mais estrutura. Eles começam a ter mais recursos, começam a ter sede, começam a ter um telefone, começam a poder fazer atendimento das pessoas, dar assessoria jurídica, colaborar com tratamentos de saúde, com campanhas de educação, e assim por diante. O movimento no fim da década de 1980 volta a crescer, a se replicar pelo país todo, também em função da epidemia do HIV/AIDS que de um lado estigmatizou a identidade LGBT associando a doença, e de outro permitiu que fosse dada uma resposta comunitária muito bonita da nossa comunidade LGBT a essa doença. Agora estamos numa pandemia, se discute resposta comunitária, solidariedade, mas a experiência do HIV/AIDS também passa muito por aí e graças a comunidade LGBT, que hoje tem tratamento, que hoje tem uma política como está no Brasil, o Sistema Único de Saúde também. É com essa luta contra a epidemia do HIV/AIDS que o movimento LGBT foi fundamental.

Então praticamente o Estado fechou os olhos e quem cuidou dos próprios LGBT foram eles também da comunidade. Seria isso?

Exatamente isso. Tem um filme que eu gosto muito chamado The Normal Heart, é baseado na obra de Larry Kramer, que morreu no começo deste ano. Esse filme é maravilhoso, porque ele conta o início da epidemia nos Estados Unidos em 1981, e como o governo Reagan conservador, deixou as pessoas LGBT morrerem. Ele não estava preocupado. No Brasil, só em 1988 é que vamos ter um programa estadual de combate ao HIV/AIDS, e a epidemia começa em 1982, 1983, em São Paulo. Então, é um programa que vai ser em SP e logo depois vai ser nacionalizado no fim da década de 1980, início dos anos 1990. Demora anos pra isso acontecer, e enquanto não acontecia, as pessoas estavam morrendo a ponto de ter velórios, enterros de amigos, de ex-companheiros, que era uma coisa quase que semanalmente. Aquela série Pose, do Ryan Murphy que eu adoro, a segunda temporada fala muito disso também.

E como seguiu o enfrentamento nas décadas seguintes? Como você contaria a história do movimento LGBT brasileiro para um heterossexual que nunca teve contato com a comunidade?

A verdade é que sempre foi muita luta para a população LGBT. A gente vê que é um processo gradativo de aumento de força do movimento ir amplificando a sua voz na sociedade. Nos anos 1990, a gente começa a ter essas políticas de saúde, a estrutura das ONGs está mais robusta do movimento LGBT, porque participaram desse processo de campanhas de prevenção, receberam financiamentos e começaram a fazer encontros nacionais mais frequentes. É também quando as lésbicas e pessoas trans começam a se autonomizar cada vez mais, por entender que o movimento estava centrado muito só na figura dos homens gays. Ocorre então encontros específicos das lésbicas, organizações das pessoas trans como a Astral no Rio de Janeiro fundada em 1992, depois vira ANTRA que é Associação Nacional de Travestis e Transexuais, que até hoje está aí muito atuante. Você tem nos anos 1990, um marco de visibilidade do movimento LGBT: as grandes manifestações e atos de rua, as famosas paradas do orgulho LGBT começam a acontecer em meados dos anos 1990. Elas começam a bombar cada vez mais, e a gente nota que a população LGBT vai tendo cada vez mais um mercado segmentado, publicações, programas de TV, rádio que vão abrangendo cada vez mais esses temas. É um momento nos anos 1990, em que o movimento começa a falar diretamente com a sociedade, consegue falar mais com ela e trazer para dentro das suas questões, digamos, as políticas públicas. É a primeira vez, por exemplo, que as questões LGBT vão ser mencionadas em políticas públicas, e num programa de governo é no Plano Nacional de Direitos Humanos na primeira edição, que é feita pelo Fernando Henrique Cardoso, ainda no final da década de 1990. Isso vai ser um marco importante para que a gente consiga reivindicar políticas públicas, que a gente vai conseguir a partir dos anos 2000.

Fazendo uma analogia com a história do movimento LGBT brasileira com outros países, como os EUA, você enxerga uma similaridade, vantagem ou desvantagem?

A gente tem aproximações. O movimento LGBT, ele também tem uma dimensão internacional. Eu acho que a gente aprendeu muito com o movimento, por exemplo, pós Stonewall, nos Estados Unidos, que se tornou uma referência no mundo todo, mas quando aconteceu Stonewall, em 1969, o Brasil ainda estava sob uma ditadura, e no pior momento da ditadura, logo depois do AI-5, que foi de 1968. Então demorou para a gente reverberar mais. O modelo da parada do orgulho LGBT, não à toa, a gente faz em junho, no dia 28 de junho, que é o dia internacional do orgulho LGBT, que remete à Stonewall, então a gente tem uma certa inspiração. Stonewall também é uma manifestação, uma rebelião contra a violência policial. Aqui no Brasil, o movimento LGBT se organiza muito também contra a ditadura e a violência policial, então acho que a gente tem muitas semelhanças, mas depois também o movimento vai tendo particularidades. Eu acho que no Brasil, a gente tem uma característica muito singular que em outros lugares do mundo não é desse jeito, como os Estados Unidos. No Brasil, a gente tem uma visão de que a nossa sociedade é muito tolerante, que é uma democracia sexual, que a gente carnavaliza o desejo, que todo mundo é muito próximo, que é um lugar de permissividade, e não é o que a gente vê na verdade né. O Brasil tem índices como um dos países que mais matam a população LGBT, e isso é muito grave.

Como você analisa o movimento LGBT hoje ? Falta organização, está fragmentado, precisa de foco?

Eu acho que a gente está em um momento muito diferente, e ao mesmo tempo tem semelhanças muito assustadoras, né? A gente tá vivendo hoje no Brasil com perspectivas que são LGBTfóbicas desde o governo. Acabei de ler sobre uma piada que o presidente da república fez sobre o guaraná Jesus, que é cor-de-rosa lá no Maranhão, fazendo uma piada homofóbica. Isso é uma coisa que a gente não tem essa lembrança, de presidentes que tinham uma postura LGBTfóbica, desde os anos 1990. A gente não vê isso acontecendo no país quando se começou a falar mais abertamente sobre sexualidade, sobre questões LGBT. Eu acho que tem muita semelhança com esse movimento do passado também, que teve que enfrentar o autoritarismo, a LGBTfobia do Estado. É um momento também diferente, por que diferente? Isso me deixa muito animado hoje em dia. Eu acho que sem dúvida nenhuma, é um movimento que tem muita fragmentação. Muita divisão interna. Foi um processo gradativo dessa sopa de letrinhas, que foi crescendo, ou seja a gente vai chegando na LGBTQIA+, essa sigla que a gente tem utilizado do movimento, que é muito importante por visibilizar a especificidade de cada identidade dentro dessa comunidade que nós temos e ao mesmo tempo, isso provoca uma certa fragmentação e uma pulverização. A gente tem um desafio de reconectar as nossas agendas, as nossas demandas. A gente tem um desafio muito importante, porque o Brasil é um dos países do mundo que mais reconhece os direitos LGBT formalmente. No Brasil, nós temos, desde 2010 pra cá, dez anos, pouco tempo do ponto de vista histórico; em menos de uma década nós conseguimos: união homoafetiva, casamento entre pessoas do mesmo sexo, direito à identidade de gênero das pessoas trans, a criminalização da LGBTfobia no ano passado, esse ano o direito a doação de sangue por homens gays, bissexuais, mulheres trans e travestis, ou seja nós temos os principais direitos reivindicados pelo movimento historicamente. Agora, nós temos um grande desafio para o movimento, porque ele precisa se reinventar, porque ele precisa pressionar o Estado para fazer valer esses direitos. Nós precisamos efetivar esses direitos, porque estão longe da realidade. A gente conseguiu criminalizar a LGBTfobia, mas a violência não para de crescer contra a população LGBT. A gente conseguiu ter muito mais espaço na sociedade, mas paradoxalmente os setores conservadores fundamentalistas religiosos ganharam ainda mais espaço do que a gente na sociedade. Nós temos que construir pontes, mais união dentro da comunidade, dentro do movimento, para a gente fazer frente a essa ofensiva conservadora que a gente tá vivendo nesse momento do Brasil e do mundo, não é só aqui no Brasil não.

Quais as características dessa primeira eleição municipal sob o governo de Bolsonaro, os candidatos LGBTs estão enfraquecidos?

Eu acho que as pessoas LGBT, elas têm mais dificuldades. Eu acho que a gente tem visto um processo que é muito interessante e bonito, de pessoas LGBT entrando nos partidos políticos, de pessoas LGBT se lançando candidatas. A gente sabe a dificuldade, o esforço que demanda você se prestar a ser candidato a um cargo eletivo, a quantidade de energia, de tempo, de recurso emocional, de recurso financeiro que isso demanda, de você conversar com as pessoas e tudo mais. Então, reforçando a chamada do Scruff Brasil, que a gente precisa votar em pessoas LGBTQIA +. Eu não sou candidato, eu estou na condição de alguém que estuda esse movimento, que acompanha essa trajetória de ativismo para a gente falar justamente sobre a importância do voto LGBT, em pessoas LGBT para conseguir levar adiante essa luta. A gente tem uma realidade no país que é, nós temos direitos reconhecidos formalmente pelo Supremo Tribunal Federal, mas a gente não tem uma única lei na história do Congresso Nacional em favor da população LGBT, que tenha sido aprovada. Então veja, nós temos decisões da Suprema Corte, são importantes, são vitórias que reconhecem os nossos direitos, mas a gente não tem uma lei aprovada no congresso e sancionada pelo presidente que daria mais solidez aos nossos direitos. Outros países, como a Argentina, fizeram uma lei de identidade de gênero. A lei do matrimônio igualitário na Argentina. Aqui no Brasil, nós temos decisões da suprema corte, se muda a composição da suprema corte, os nossos direitos podem ser revistos né. Você consegue cristalizar e reforçar o direito se é no legislativo. Por que nós não temos leis para a população LGBT? Porque nós não temos candidatos que se elegem LGBT. A gente ainda tem muito poucos parlamentares LGBT no país. A gente tem algumas pessoas que tem um destaque muito grande, uma importância, como Jean Wyllys, que teve que sair do país, largar o mandato dele. Temos a Erica Malunguinho no Estado de São Paulo, a Erika Hilton também em São Paulo, Robeyoncé Lima em Pernambuco, enfim pessoas que têm feito uma diferença muito grande. Só que ainda são poucas, porque os partidos também não dão muita força no sistema brasileiro, no sistema eleitoral. Você só acessa o sistema eleitoral se você tiver um partido político, e aí o partido político não quer dar recurso, não quer dar visibilidade, tempo em televisão para uma pessoa LGBT. A gente precisa romper as barreiras de preconceito, de discriminação, que estão dentro do próprio sistema partidário, do sistema eleitoral. É muito bonito ver que nós estamos com recordes nessas eleições de candidaturas LGBT. São muitas pessoas LGBT se candidatando, colocando a cara no sol, disputando espaço e visibilidade. Por isso que nós da comunidade temos esse dever, de colaborar nessas campanhas, tem candidatos para todos os gostos, LGBT que levanta essa bandeira da nossa cidadania, e nós precisamos escolher e votar bem pra gente conseguir avançar na luta pelos nossos direitos.

Votar certo basta ou estamos numa época em que precisamos militar, demonstrar apoio abertamente, juntar torcida, criar times e combinar votos?

A minha visão de realidade é muito mediada pela política. Ela passa muito pela política. A política para mim se faz de modo coletivo sempre. Acho que votar é uma de nossas obrigações e um dos nossos direitos de exercer a cidadania, mas sem dúvida ainda é muito pouco. A gente vai de dois em dois anos lá, aperta uma urna eletrônica e acha que com isso vai resolver o país, que vai fazer toda a diferença. Evidente que o voto conta muito, e que é muito importante votar e bem pensado, agora nós precisamos mais que isso. Acho que nesse momento a população LGBT passa por uma situação muito crítica que exige que nós também estejamos articulados, que dialoguem. Fazer política é conversar com as pessoas, fazer política é um princípio muito simples, que é expor um ponto de vista e estar aberto a trocar, a dialogar, a construir pontos comuns e consensos. Isso é democracia. A gente conseguir estabelecer territórios comuns de diálogo, é você chegar à pessoa que você trabalha, conversar com ela: “Você vai votar em quem? Tá pensando como? Quem você acha importante para votar?” É dialogar sobre as eleições, sobre direitos LGBT, amplificar isso para dentro da comunidade, trocar esse conhecimento, somar e apoiar essas causas de luta que tem acontecido. Há muitas possibilidades, isso depende muito do nosso perfil.

Na hora de escolher o candidato LGBT, como identificar aquele que realmente vai fazer algo pela comunidade e não está usando a causa para se promover? 

Isso é uma questão fundamental. A gente vive num momento em que existe uma visibilidade da questão LGBT. Você tem uma visibilidade cada vez maior, graças à luta do movimento e você tem cada vez mais pessoas se identificando como LGBT, assumindo seu orgulho e assim por diante. Muitas pessoas oportunistas também vão surgindo, querendo pegar esse “curral eleitoral”, querendo pegar esse público. Nós precisamos ter a atenção de olhar a trajetória, a história do candidato ou candidata, entender qual é o compromisso dessa pessoa com as causas LGBT. Qual é a opinião dela sobre questões importantes para a comunidade LGBT? Casamento entre pessoas do mesmo sexo, direito à identidade de gênero. Como ela se posicionou nesses debates? Como ela tem se posicionado na campanha? Tem assumido uma postura de compromisso com as questões LGBT? A gente tem uma série de entidades, a Aliança Nacional LGBTI+ que tem feito uma plataforma de compromisso que os candidatos podem assinar isso, subscrever, assumindo um compromisso público de que vão  lutar pelos direitos LGBT, caso sejam eleitos. A gente precisa ter esse olhar, que é um olhar crítico, um olhar criterioso, para não entrar em roubada né, para não entrar naquela pessoa que se diz LGBT, apoiadora da comunidade, quando na verdade só tá querendo angariar voto e que não vai para lutar pelos nossos direitos, ou vai até Lutar em sentido contrário, para retirar os nossos direitos que foram conquistados.

Em cidades pequenas, a dinâmica pode ser bem diferente. Às vezes o candidato é LGBT mas não apresenta propostas para LGBTs na campanha. Ou a cidade possui apenas um candidato abertamente LGBT. É nossa obrigação votar nesse LGBT ou pode-se optar, sem remorso, por outro candidato que preze por outras minorias? Por exemplo, a pessoa que vive na capital e votar no interior, onde cresceu, mas não tem referência na cidade.

O cenário muda bastante. Estamos na capital e temos uma visão dos candidatos mais claras, mas no interior é diferente, nem todos se revelam abertamente gays. Às vezes, o cara mora em SP e só vai na cidade para votar. Vale a pena votar no único candidato gay da cidade ou alguém que preserve a minoria da cidade, enfim? Como a gente tá fazendo lista de candidatos no Brasil inteiro, eu vejo que quem não tem proposta para a cidade, talvez porque acha isso aleatório? Eu acho que é preciso olhar cada realidade concreta. O fato de um corpo LGBT ocupar um espaço de poder, já é muito simbólico, ainda mais em cidades menores, cidades pequenas do interior em contextos rurais do país. Eu acho que você ter uma pessoa LGBT que tá num lugar ali, ela já é um corpo que desestabiliza o olhar. As pessoas não esperariam que uma pessoa LGBT tivesse no papel de prefeito, de vereador. Então, eu acho que tem um papel importante a representatividade nesse sentido de ocupar lugares e ser visível, e tornar isso mais visível a nossa diversidade. Ao mesmo tempo, acho que é preciso olhar muito o programa dos candidatos. Tem um caso no começo dos anos 1990, de um vereador de Coqueiro Seco, uma cidade do Nordeste, o Renildo José, que era um vereador da cidade, ele se assumiu numa entrevista numa rádio como bissexual. No dia seguinte, ele foi encontrado morto em condições muito cruéis, então é um dos casos também exemplares da nossa comunidade quando um corpo LGBT se assume, se coloca, tem um risco de violência. É o caso da Marielle Franco também, que era um corpo que incomodava por estar ali. Era um corpo negro, de uma mulher lésbica. Eu acho que a gente tem que olhar para esse lugar e entender a importância de um corpo LGBT, somar forças e também olhar para o programa, para as propostas que o candidato(a) apresenta. Eu acho que isso tem que se juntar né, não basta só ser LGBT, mas eu acho que ser LGBT é um dado importante para a gente da comunidade. Eu sempre tenho feito essa escolha de votar em candidatos LGBT. Eu moro numa grande cidade como São Paulo. Eu voto aqui em São Paulo, a gente tem muitas opções. No interior, eu acho que talvez seja mais difícil às vezes, mas acho que tem crescido em vários lugares do país as candidaturas LGBT. Eu acho que a gente tem que pesquisar, olhar as listas que o Gay Blog está fazendo, que Aliança Nacional enfim, que várias entidades têm feito. Pesquise, porque muito provavelmente vai ter na sua cidade algum candidato(a) assumindo um compromisso claro de propostas com a população LGBT.

Recentemente, um ex-atleta gay disse que não haveria ideologia em seu mandato. Existe mandato sem ideologia?

Tem essa ideia de que a gente vai ter problemas se uma pessoa LGBT ali não puder ser ideológica, falar sobre política. Ter que buscar um lugar que não seja ideológico, isso não existe. A política é sempre ideológica, porque ela não é um palavrão. Ideologia diz respeito a um conjunto de valores, é um modo de olhar para a realidade, é um modo de entender o seu lugar no mundo e interpretar este lugar. Ideologia é um conjunto de ideias que você valoriza, pelas quais você luta, então as ideologias são legítimas numa disputa eleitoral, ainda mais na disputa eleitoral. É super importante que o candidato diga qual é a sua ideologia, qual é a sua inclinação, o que ele pensa sobre as questões que dividem a sociedade, porque toda sociedade tem conflito. Não dá pra gente pensar numa sociedade sem conflitos, normal ter diferenças. Tem gente que acha que uma coisa é boa, tem gente que acha que não é, e isso vai ser em qualquer questão que a gente for pegar de meio ambiente, a comunicação, a questão LGBT, até a questão racial e assim por diante. Então, a gente tem que entender que a ideologia faz parte das nossas vidas, e que não devemos ter aversão a ideologia. Nós temos sim, que qualificar a nossa ideologia, estudar, dialogar sobre ela, buscar entender mais, conversar com as outras, ser intolerante com as outras ideologias, porque a democracia se faz de pluralidade de ideias e de ideologias. A gente tem que exercitar esse modo de dialogar sobre os assuntos, e os candidatos LGBT que dizem que não são ideológicos – desconfiem. Desconfiem de qualquer candidato que diz que não é ideológico, porque nada é mais ideológico do que dizer que não é ideológico. É a ideologia da não ideologia. Isso é uma coisa muito comum na política, porque as pessoas ficam cansadas de brigas, de polarização, e aí elas se seduzem por um discurso fácil: “eu sou contra as disputas, eu quero unir todos pelo bem”, não existe. As pessoas têm lugares sociais, as pessoas falam de um lugar, elas muitas vezes têm visões de mundo diferentes, vai ter embate e vai ter conflito. Nós temos que votar em pessoas que defendem os valores e as propostas que nós acreditamos, então isso é muito importante de nós termos em nossa mente.

E quando o candidato LGBT que está nessas eleições sob partido conservador. É possível depositar confiança nesse candidato e acreditar que o partido jamais influenciará?

Eu acho que tem muita gente que vê a política de uma maneira despolitizada. Como a gente estava falando, que só porque acha que é uma pessoa conhecida, isso já vai se refletir numa visibilidade, que portanto já tem uma vocação política. Política não é exatamente isso. Política é sobre você entender a realidade. Fazer propostas de mudança da realidade. Por isso que todo candidato precisa apresentar um programa. Todo candidato precisa se submeter ao debate público. Então, desconfie de candidatos que só querem surfar na urna da visibilidade que tem, que não querem discutir e não querem apresentar proposta. Porque isso é um compromisso do candidato com os eleitores, com os cidadãos, de falar “eu preciso prestar conta na campanha e depois dela, do que eu tô fazendo, do que eu penso, qual a minha posição”. O candidato é essa pessoa que precisa assumir as suas posições, que precisa se colocar no mundo, que precisa se colocar na sua comunidade e olhar para todos os problemas. Evidente que dialogar com a comunicação é muito importante, porque é um modo de amplificar a voz, amplificar os debates, mas sem dúvida nenhuma, a gente precisa olhar para além da visibilidade midiática que os candidatos têm. A gente precisa olhar também para as propostas e conteúdos que eles apresentam para a gente conseguir saber o que ele vai defender. A gente não pode passar cheque em branco nas eleições, a gente precisa saber em quem votar e acompanhar depois. Não é só ir lá e votar e depois de quatro anos votar de novo para vereador. Você precisa saber quem é o seu vereador e cobrar, manter contato com o gabinete do vereador, entender porque que ele tá votando de um jeito ou de outro em determinados projetos. A gente precisa estar mais próximo dessa vida política e da atuação das pessoas que a gente elegeu como representantes.

O voto nulo é um protesto? Se todo o mundo votar nulo, a eleição é cancelada?

O voto em branco não. O voto em branco é quando você aperta a tecla e você acaba somando para o candidato mais votado. Não ajuda em nada votar em branco. O voto nulo tem uma dimensão de protesto. Você anular o voto, você reduz a quantidade de votos válidos. Então, você consegue tirar o seu voto do sistema. O voto em branco é um voto válido, computa no sistema. O voto nulo é você chegar lá e clicar um número que não existe, e aí você confirma o número que não existe, isso é o voto nulo. Eu acho que em alguns contextos, essa ideia de anular o voto pode ser um voto de protesto, quando tem dois candidatos que não tem diferença nenhuma, por exemplo no segundo turno, são horrorosos. Agora, anular o voto numa eleição para vereadores, que você tem tantos vereadores buscando representar as lutas LGBT democráticas e de direitos humanos, eu acho que a gente precisa votar de maneira consciente e fortalecer essas candidaturas. Dar o nosso apoio nas urnas, falando com pessoas conhecidas a nossa volta e fazer campanha mesmo. A gente não precisa ser político profissional, eu não sou político profissional. Em toda eleição, eu faço questão de apoiar candidatos(a), que me procuram e que eu acho bacana, e apoio mais de um, como tenho apoiado várias pessoas que me procuraram. Eu vou lá, compartilho material, pego material escrito e entrego para as pessoas próximas, porque todo mundo tem obrigação de votar no Brasil. O nosso voto é obrigatório, então se a pessoa vai votar,  porque a gente não pode conversar sobre esse assunto? Vamos conversar com as pessoas a nossa volta, vamos distribuir material, colocar o porque que nós estamos votando e em que nós estamos votando. É uma maneira da gente politizar mais esse processo, da gente trocar mais, da gente conseguir fazer circular as informações e combater as fake news, que é algo muito grave, e que tem tomado as eleições também, na maneira como os grupos do WhatsApp e as pessoas vão disseminando as informações, sem confirmar a veracidade. Isso é muito perigoso, pois a gente acaba repassando mentiras adiante que podem tirar o foco e mudar o resultado das eleições. Isso é uma questão muito séria. A gente precisa conversar, checar as informações, conversar com as pessoas, desfazer mal entendidos e fake news, para que a gente consiga ter uma democracia que mereça esse nome.

E o eleitor que percebe que o candidato LGBT não tem chance de ganhar e acaba escolhendo um candidato mainstream “mais forte” só para fazer oposição. Faz sentido fazer voto útil para vereador e prefeito? 

A minha posição pessoal é ir em pessoas LGBT para vereador(a), porque em muitas cidades não vão ter candidatos a prefeito LGBT, mas eu vou em candidatos a prefeito que apoiam a causa LGBT. Para mim, é uma condição para eu votar em um candidato. Eu acho que no primeiro turno não faz sentido voto útil ou não faz muito sentido, a não ser quando você quer tirar o candidato do pleito, garantir que um candidato vá para o segundo turno, aí você pode fazer o cálculo de voto útil, mas em geral para mim voto precisa ser feito por princípio. Eu voto naquela pessoa porque é como eu dar um voto de confiança, é eu dar um apoio, é eu somar na base de apoio dessa pessoa, é manifestando o meu desejo dizendo “eu quero que você esteja lá, e me representa”. Para mim, isso precisa ser com uma pessoa que você precisa ter uma identificação. É evidente que em momentos críticos e segundo turno, eu acho que o voto útil é fundamental, e aí nós precisamos também garantir que muitas vezes, ainda mais na conjuntura que nós estamos, que o menos pior é que ganhe, porque faz diferença na vida concreta das pessoas LGBT. Se no segundo turno tiver um candidato abertamente LGBTfóbico e tiver um candidato que é consciente e sensível à causa LGBT, eu vou votar mesmo que eu não concorde com tudo dele. Se você por exemplo olha para a realidade, mesmo não tendo pesquisas, você às vezes olha e fala “eu acho que a candidatura de tal pessoa tá muito forte”. Por exemplo, aqui em São Paulo, a candidatura da Erika Hilton tá muito forte. Uma candidata que é trans, negra, e aí você faz um voto útil porque você não ia votar nela, ia votar em outra pessoa, mas vai votar nela porque ela tem grandes chances de ganhar. É evidente que é uma impressão. Você tá achando, estimando isso pela sua bolha, pelo o que você vê a sua volta, mas é possível também fazer esse voto útil, mas acho que mais importante do que o voto útil, é importante você notar se você tem uma identificação com esse candidato(a), se ele(a) de fato representa as suas ideias.

Quais são as pautas mais urgentes para os LGBTQ+ brasileiros neste momento, no seu ponto de vista? 

Das causas importantes, eu acho que o combate à violência é a questão central.  Eu acho que a população LGBT ainda está submetida a um grau muito grande de violência no Brasil, e nós temos que lutar para efetivar os direitos, para tirar os direitos do papel, colocar os direitos na realidade e na vida das pessoas. O direito ainda está muito distante, nós conquistamos nos últimos 10 anos muitos direitos, e eles não foram ainda assimilados, efetivados, então eu acho essa bandeira importante e por fim, eu acho que a educação e a cultura são arenas fundamentais. Vereadoras e vereadores têm um papel fundamental na educação e na cultura, incentivando uma educação e uma cultura voltadas para a diversidade, para os direitos humanos e para a democracia. Eu acho que se a gente conseguir candidatos com esse compromisso, a gente vai sair muito melhor nessas eleições de 2020.

Assista à conversa de Renan Quinalha com Vinícius Yamada, editor do portal GAY BLOG BR.

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