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O ator britânico Rupert Everett relembrou os anos 1970 para descrever uma fase da vida marcada por liberdade e experiências em espaços públicos de Roma, incluindo o Coliseu. A declaração foi dada em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, publicada em 31 de março de 2026.

Conhecido desde os anos 1980, quando ganhou projeção com “Memórias de um Espião”, Everett construiu uma carreira entre o cinema britânico e produções europeias, marcada também por posicionamentos públicos sobre sexualidade e indústria. Em 1989, tornou pública sua homossexualidade em um contexto ainda pouco receptivo no mercado audiovisual.

Rupert Everett diz que fazia 'cruising' no Coliseu - Reprodução/BBC
Rupert Everett diz que fazia ‘cruising’ no Coliseu – Reprodução/BBC

Na entrevista, o ator descreve a Roma de sua juventude como um ambiente de circulação livre e encontros ocasionais. “Lembro de quando fazia amor nos parques, no Capitólio e até no Coliseu, que encontrei aberto à noite. Os costumes eram amplos no mundo antigo; eu me sentia um romano antigo.”

Everett também comentou sua vida afetiva no período. “Todos nós traímos e fomos traídos. Eu traí muitas pessoas. Quando era adolescente, depois da liberdade de 1968, pensava que a autonomia tinha a ver com romance e sexo. Fui muito infiel.”

Ao abordar o impacto de ter se assumido publicamente no fim dos anos 1980, o ator afirmou que a decisão teve consequências profissionais, especialmente no mercado anglo-saxão. “Mas sobrevivi bem: ganhei mais do que perdi. Se em Roma eu tivesse me casado com minha amiga Michela, as coisas teriam sido diferentes. Há um preço a pagar por tudo.”

O relato se insere em um contexto anterior às mudanças provocadas pela epidemia de HIV, que, a partir dos anos 1980, alterou práticas e discursos relacionados à sexualidade.

A entrevista integra a divulgação do filme “The Gospel of Judas”, dirigido por Giulio Base, no qual Everett interpreta Caifás.

Sexo gay na Roma Antiga

Como já publicado no Gay Blog BR em 2018, a ideia de uma Roma Antiga marcada por liberdade sexual irrestrita costuma ser mais simplificada do que propriamente fiel ao contexto histórico. Embora relações entre homens não fossem criminalizadas, elas estavam profundamente ligadas a hierarquias sociais. O que definia a aceitação não era a orientação sexual, mas o papel desempenhado na relação. O homem livre e dominante era associado ao poder, enquanto a posição passiva era socialmente desvalorizada e frequentemente vinculada à condição de escravidão.

Esse modelo refletia uma sociedade estruturada pela lógica da dominação. O exercício do poder atravessava não apenas a política e a guerra, mas também a vida privada. Relações sexuais, nesse contexto, eram entendidas como extensão dessa hierarquia, e não como expressão de identidade.

Registros literários da época mostram que o desejo entre homens não era invisível, mas seguia códigos específicos. Poetas como Catulo e Tibulo escreveram sobre afetos e atração, enquanto figuras históricas como o imperador Adriano tornaram públicas relações com outros homens. Ainda assim, o que gerava estranhamento não era o sexo em si, mas a possibilidade de envolvimento afetivo, visto como sinal de vulnerabilidade para quem ocupava posições de poder.

Com o avanço de influências religiosas e filosóficas nos séculos seguintes, especialmente a partir da consolidação do cristianismo no Império Romano, essas dinâmicas começaram a se transformar. A sexualidade passou a ser progressivamente regulada por normas morais mais rígidas, deslocando o entendimento anterior, centrado em hierarquia, para um modelo baseado em condenação e controle.

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