Desde a estreia da série “Tremembé”, em 31 de outubro no Prime Video, o nome do ator paraibano Kelner Macêdo tem circulado com força nas redes, na imprensa cultural e nas rodas de discussão sobre as novas abordagens do audiovisual brasileiro.
Na produção, inspirada em crimes reais ocorridos no Brasil e ambientada na Penitenciária 2 de Tremembé, Kelner interpreta Cristian Cravinhos, um dos condenados pelo assassinato dos pais de Suzane von Richthofen.

O personagem, já conhecido pela opinião pública, ganha na série uma abordagem densa e de forte carga dramática, incluindo passagens de afeto e tensão dentro do sistema prisional. A interpretação de Kelner evita estereótipos fáceis e dá espaço a uma leitura mais realista da vida em reclusão, respeitando o tom proposto pela dramaturgia. A performance tem sido elogiada por seu equilíbrio e pela escolha por não exagerar na caracterização de um papel sensível e de ampla repercussão nacional.

O destaque atual de Kelner Macêdo, no entanto, é fruto de uma trajetória que vem sendo construída há quase uma década com consistência e escolhas pautadas pela autenticidade. Nascido em Rio Tinto, município paraibano com cerca de 24 mil habitantes, o ator formou-se em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Paraíba e iniciou sua trajetória artística após participar de um teste para o filme “Aquarius” (2016), de Kleber Mendonça Filho. Sua estreia de fato como protagonista no cinema veio com o longa “Corpo Elétrico” (2017), dirigido por Marcelo Caetano, um dos trabalhos mais importantes de sua carreira até hoje.
Em junho de 2024, em entrevista ao podcast do Gay Blog BR, Kelner compartilhou detalhes de sua formação, das dificuldades de se reconhecer como artista e como homem gay em um contexto conservador, e das experiências que moldaram sua visão sobre a atuação. “A construção da minha personalidade e da minha carreira foi feita tijolinho por tijolinho”, afirmou durante a conversa.
Sobre “Corpo Elétrico”, Kelner foi direto ao apontar o impacto que o filme teve em sua vida: “Foi o que abriu as portas e as janelas. É um filme que me representa de todas as maneiras e eu tenho muito orgulho dele”. Ele também comentou o processo detalhado de preparação com o diretor Marcelo Caetano, que envolveu dois meses de ensaios, sendo um deles totalmente dedicado à construção do personagem.

A entrevista abordou ainda a experiência em “Todxs Nós” (2020), série da HBO com direção de Daniel Ribeiro e Vera Egito, que trouxe à tela pautas ligadas à comunidade LGBTQIA+. “É sobre as nossas pautas na tela, são as nossas histórias. Fazer essa série me dava a sensação de como pode ser bom contar essas narrativas”, disse.
Na ocasião, Kelner também falava da preparação para o longa “A Metade de Nós” (2024), lançado em maio, onde vive Hugo, vizinho do personagem Felipe, um jovem que se suicida. O ator lembrou como se envolveu desde a primeira leitura: “É um filme que fala da natureza humana, dos sentimentos que todo mundo sente, sentiu ou sentirá”, declarou.
O episódio também traz reflexões sobre representatividade, limites da exposição e caminhos possíveis para novas gerações. “Representatividade é a possibilidade de caminhos para frente, de mudança de paradigmas. Acho que é caído ainda ter que lutar sobre isso, mas temos que fazer, e estamos fazendo”, afirmou.

A atuação de Kelner em “Tremembé”, agora sob os olhos de um público mais amplo, apenas confirma o que a entrevista de 2024 já deixava entrever: um ator que construiu sua presença com cuidado, consciência e atenção ao que faz sentido artisticamente — mesmo diante de personagens complexos ou controversos.
Ouça a entrevista completa no Spotify ou em outras plataformas de áudio. A conversa com o ator também está disponível no Youtube:
Melhor Ator no Poc Awards 2021
Na esteira da repercussão de “Corpo Elétrico”, Kelner Macêdo foi eleito Melhor Ator no Poc Awards 2021, premiação promovida pelo Gay Blog BR, cuja edição celebrou produções e artistas que impactaram a comunidade LGBT+ no audiovisual. Poucas semanas após a votação, o ator concedeu entrevista exclusiva ao portal, em que refletiu sobre o peso simbólico do filme, as mudanças que ele provocou em sua vida pessoal e a construção de sua trajetória até aquele momento.
“O ‘Corpo Elétrico’ foi um destrave da vida em todos os sentidos. Um destrave do corpo, da mente, do olhar, do desejo”, afirmou logo no início da conversa. Ele contou que o processo de preparação com o diretor Marcelo Caetano foi marcado por ensaios profundos, nos quais a proposta era dissolver os limites entre ator e personagem: “O Marcelo falava muito pra gente que ‘mais do que construir os personagens, precisávamos nos aproximar deles’”. O resultado foi um personagem que, segundo ele, permanece até hoje em sua subjetividade: “Há muito do Kelner no Elias, e há muito até hoje do Elias no Kelner”.
Sobre a atmosfera no set, foi categórico: “O set de ‘Corpo Elétrico’ era libertário. Mexeu na minha autoestima, comecei a me enxergar mais no mundo, e mudou o meu modo de atuar também”.
Perguntado sobre cenas de sexo e nudez, foi direto: “Meu corpo é meu instrumento de trabalho. […] Geralmente a gente conversa, pensa, desenha e se prepara. É mais uma cena, mais uma etapa da história”.
A entrevista aprofundou ainda sua visão sobre a televisão como ferramenta de impacto. Ao lembrar do beijo gay que protagonizou na série “Sob Pressão”, exibido no mesmo dia em que o STF votou a criminalização da homofobia, Kelner comentou: “Foram dois acontecimentos simultâneos que causaram grande comoção. Precisávamos disso no Brasil”. Ele ressaltou o retorno que recebeu do público: “A comunidade LGBTQIAP+ abraçou o Kléber. […] A chegada desse personagem foi uma alegria descomunal para mim”.
Já sobre a crescente abertura da classe artística em torno da sexualidade, o ator foi assertivo: “O nosso trabalho não tem que passar pelo ‘mérito’ da sexualidade. É injusto ter que encubar um sentimento para ocupar um espaço. Estamos criando novas perspectivas para nossos corpos”.
Confira a entrevista de 2022 na íntegra neste link.
Kelner Macêdo fala sobre carreira, política e participação em “Verdades Secretas 2”
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