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Na último segunda-feira (21), o escritor francês Édouard Louis foi o convidado no programa Roda Viva, da TV Cultura, no qual discutiu temas como homossexualidade, machismo e as consequências desses na sua vida pessoal e relação com seu pai. Durante a entrevista, Louis compartilhou como sua orientação sexual impactou de forma negativa a visão que seu pai tinha sobre ele e sobre os sonhos que tinha para seu filho.
Louis relata que desde o nascimento, ele sentia que não atendia às expectativas tradicionais de masculinidade de seu pai. “Assim que nasci, quando aprendi a falar, a me movimentar, a andar, eu estilhacei os sonhos do meu pai. [Ele] sonhava em ter um filho másculo, durão, que jogasse futebol, que gostasse de mulher“, começou.
“Eu era um rapazinho gay, efeminado, que desejava outros rapazes e que tinha horror a esportes. Enfim, o corpo que encarnei era uma forma de traição, para o meu pai“, continuou o escritor. “Eu traí a masculinidade dele porque, como você disse, para que ele mesmo produzisse essa masculinidade, ele precisava ter um filho macho. Ser homem de verdade é levar o filho no jogo de futebol, ter conversas másculas com ele, ensiná-lo a consertar coisas, e eu não era assim“.
O autor também falou sobre o isolamento social provocado pela homofobia tanto em casa quanto no ambiente escolar, o que o levou a se afastar da família e de amigos de infância. “Me chamavam de bicha, biba, maricas, veado“, compartilhou.

Apesar de tudo, a rejeição o salvou
Louis enfatizou como a violência e rejeição que enfrentou na infância e adolescência foram, paradoxalmente, salvadoras. “Ela não me deixou outra escolha senão ir embora”, afirmou. “Por ter sido excluído, não tive outra escolha senão ir, ir para uma cidade maior, ir para a escola, ler livros, e não fiz tudo isso por ser mais inteligente que os outros, ou mais sensível que os outros“.
Segundo o autor, seus livros são um litígio e guerra com a história da literatura, “na qual se contam sempre as histórias de pessoas que fogem do seu meio, da sua infância, como se elas fossem mais inteligentes, mais livres, mais sensíveis. Eu não era mais sensível, era simplesmente excluído e tive que partir por causa disso“.
Assista ao programa na íntegra:
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