O programa “No Divã com a Silvetty” traz, em sua nona edição, uma entrevista com o DJ Bruno Moutinho, um dos grandes nomes da música eletrônica atual. Em apenas cinco anos de carreira, Bruno conquistou seu espaço nas principais pistas do Brasil e do mundo, levando sua mistura de house e tribal a países como Canadá, México, Portugal, Índia, Grécia, entre outros.

Com performances marcantes em eventos de renome e festivais consagrados, Bruno se tornou presença garantida nos principais selos do país. Durante a conversa, ele compartilha detalhes de sua trajetória, desde as primeiras influências musicais até os desafios de atuar em um cenário competitivo e dinâmico.
O Divã, apresentado por Silvetty Montilla com o apoio da Bluespace e H&H, explora a diversidade da cena cultural LGBTQIA+, destacando personalidades que inspiram e transformam. Não perca essa entrevista repleta de histórias emocionantes e curiosidades sobre a vida de um dos DJs mais requisitados da atualidade.
NO DIVÃ COM A SILVETTY (Entrevista #9 – DJ Bruno Moutinho)
Silvetty Montilla: Olá, bom dia, boa tarde, boa noite. Dependendo do horário em que você vai assistir, aqui “No Divã com a Silvetty”, que sou eu mesma, essa beleza que lhes fala. Hoje temos aqui um DJ convidado, o Bruno, que está há cinco anos na cena, né?! Estou vendo aqui pela ficha: uma pessoa que viaja muito, não só pelo Brasil, como também para fora – México, Estados Unidos, Colômbia. Olha, gente, é uma pessoa viajada! Queria que você falasse um pouquinho como tudo começou há seis anos. Em tão pouco tempo e já tantas viagens, tantas coisas boas. Quem te inspirou? Você já queria ser DJ ou viu um DJ e pensou: “Eu quero fazer isso“?
Bruno Moutinho: Legal. Acho que a gente pode começar com a minha referência, de como eu cheguei na música eletrônica. É bem curioso, porque a minha mãe é uma pessoa super jovem e, há mais ou menos uns 15 anos, eu tenho 29 agora, eu era adolescente. Na época da minha adolescência era muito comum que as mães ouvissem “Summer Hits” ou frequentassem festas de música eletrônica. A minha mãe era essa pessoa e acabou que ela me influenciou muito. Ela ouvia muito Lorena Simpson, literalmente todos os CDs do “Summer Hits”. Eu era uma criança que ouvia música eletrônica, que naquela época já era um som eletrônico.
Silvetty Montilla: Mesmo não querendo…
Bruno Moutinho: Querendo. Era doido, porque talvez eu não entendesse essa essência da música, mas eu já amava. Um fato engraçado: minha mãe tinha uma fiorino, aquele carro da Fiat com baú atrás, e um amigo gay na época, que era o melhor amigo dela, e a gente ficava atrás dançando no carro, curtindo o “Summer Hits”. Então, naquela época eu já tinha essa referência. Quando comecei a sair depois de adulto, comecei a ouvir as músicas que ouvia quando era criança. Para mim, era muito familiar, sabe? O interesse em ouvir aquilo era muito legal. Obviamente, sempre fui uma pessoa muito interessada na noite. Sempre fui muito observador. Adorava ver os bastidores das coisas, mas não tinha pretensão de ser DJ. Nunca foi.
Silvetty Montilla: Você tinha outra profissão.
Bruno Moutinho: Sou formado em Relações Públicas e trabalhei na Volkswagen com comunicação interna por anos. Nunca pensei nisso. Mas [como eu] sou uma pessoa que ama música, que ama festar, estar com amigos, me divertir, acabei conhecendo muitos DJs, que começaram a me ensinar. Um dia alguém ensinou o básico; no outro dia comprei uma controladora. Toquei em um aniversário. Nesse aniversário, um amigo indicou para outro amigo. Quando percebi, passaram-se esses cinco anos e pouco. Hoje estou onde estou, super feliz.
Silvetty Montilla: Inspirações?
Bruno Moutinho: Isso é complexo, porque, apesar de eu atuar mais na cena do tribal, vim da cena do som hétero, do house e do EDM. Então, minhas inspirações são mais desse nicho. Pensando no nosso meio, na nossa bolha, no Brasil, diria que Vintage é uma pessoa de quem sou muito fã, assim como Dubdogz, Cat Dealers – DJs atuais que admiro muito. Mas, se eu pensar mais lá atrás, ouvia muito a própria galera da nossa cena. Sou muito fã do Liam, do Allan Natal. São pessoas que admiro muito e com quem hoje tenho o prazer de compartilhar trabalhos. Acho que seria um mix disso.
Silvetty Montilla: Casado? Solteiro?
Bruno Moutinho: Namorando.
Silvetty Montilla: Qual o nome dele?
Bruno Moutinho: Ycaro. Três anos. Muito bem compromissado.
Silvetty Montilla: E você é natural de onde?
Bruno Moutinho: De São Paulo mesmo, nascido na capital.
Silvetty Montilla: Legal. Bruno, como você falou da sua mãe, que foi sua grande incentivadora, ela já viu alguma coisa sua? Ela te acompanha sempre?
Bruno Moutinho: Sempre. Minha mãe é muito fervida. Brinco que ela é amiga de todos os meus amigos, até das pessoas que trabalham comigo. Meus outros amigos DJs também já a conhecem. Chego para tocar e dizem: “Sua mãe está aí?”. Ela está sempre no front. Minha irmã também, que é mais velha, está sempre comigo nas apresentações. Elas são incríveis.
Silvetty Montilla: E casas aqui em São Paulo em que você já tocou?
Bruno Moutinho: Em São Paulo, se for pensar em boate mesmo, que existem e permanecem, na minha época de tocar, não havia tantas. Então, eu toco praticamente todos os finais de semana na High Club. Festa que já tiveram aqui mas são pontuais e itinerantes seriam selos como Toca, Black, entre outras.
Silvetty Montilla: Boates extintas em que você já tocou ou frequentou?
Bruno Moutinho: Isso é curioso. Apesar de frequentar muito e ter vivido a época da antiga The Week, não cheguei a tocar lá. Minha história na música começou na pandemia, na época das lives – aqueles DJs que iam tocar na casa vazia para gravar vídeos e postar no YouTube. A última que existiu lá na The Week foi quando toquei. Então, teoricamente, toquei em um lugar que sempre almejei estar, mas sem público. Foi um mix de realização e uma sensação de que algo mais poderia vir.
Silvetty Montilla: Nessa época eu estava lá também. Fiquei apresentando sabe Deus quantas horas.
Bruno Moutinho: Verdade, você estava lá. Foi uma madrugada inteira, literalmente.
Silvetty Montilla: Foi a madrugada inteira. E hoje, existe alguma boate ou festa onde você gostaria de mostrar seu trabalho e ainda não tocou?
Bruno Moutinho: Olha, sou muito grato porque acho que já alcancei grande parte dos selos e festas que almejei. Aproveitando que estamos aqui, um dos grandes selos que sempre quis tocar – e que vivo essa festa e esse festival há muitos anos – é o Hell & Heaven. Sempre digo que é uma das datas que mais espero no ano. É um dos grandes exemplos de me sentir realizado em participar, de tocar.
Silvetty Montilla: Mas você já tocou em algumas edições?
Bruno Moutinho: Sim, toquei em três edições até agora. […] E eu sempre enfatizo que lá é o paraíso das gays, porque nos divertimos muito. É um lugar onde você pode ser muito livre. Digo isso porque comecei a frequentar muito novo e a minha percepção de festa era muito diferente. Lá você vê pessoas de todas as idades, de todos os estilos: homens, mulheres, gringos, brasileiros. Enfim, é muito confortável.
Silvetty Montilla: Qual foi o primeiro lugar em que você tocou?
Bruno Moutinho: Você diz no H&H? Foi no cruzeiro, na edição de dois anos atrás.
Silvetty Montilla: Eu estava lá.
Bruno Moutinho: Foi muito especial. E eu te assisti, inclusive.
Silvetty Montilla: Foi a primeira edição em Costa do Sauipe.
(Comercial)
Silvetty Montilla: Bruno, vamos falar sobre a sua vida pessoal? Você já falou que namora, quanto tempo, sobre família… EU também quero falar sobre os países aos quais você já viajou.
Bruno Moutinho: Eu namoro há três anos, conheci ele em São Paulo, durante a pandemia, na mesma época que tudo isso aconteceu em minha carreira.
Silvetty Montilla: E sobre os países que você já viajou, fala aí! Eu mencionei Estados Unidos, o que mais temos?
Bruno Moutinho: Ah, tem um monte. Mas acho que uma das experiências mais diferentes foi quando toquei na Índia. Foi muito legal e ao mesmo tempo muito diferente, porque, mesmo tendo um mínimo de conhecimento sobre a cultura, eu não sabia quase nada sobre o que eles gostavam de ouvir, como curtiam as festas. Fui contratado para tocar em um after party de um desfile de moda. Então, tive que pesquisar muito e adaptar meu repertório. O engraçado é que as músicas que eles queriam ouvir eram como “Hotel Room”, do Pitbull, aquelas que eram sucesso há dez anos. Então eu tive que procurar, fazer materiais e editar músicas para conseguir fazer acontecer. Foi bem diferente, pois a curtição é bem diferente.
Silvetty Montilla: E como foi a recepção do público? Pergunto isso porque outros DJs brasileiros me disseram que são os mais…
Bruno Moutinho: Eu vejo que o nosso time de DJs, em todas as cenas, tanto no tribal quanto no house, e mesmo um som mais hétero, é muito bem representado. Acho que o DJ brasileiro, além da simpatia e da educação em se relacionar com seu público, faz um trabalho muito bem feito. Eu vejo como um som muito animado, dançante, e as pessoas esperam isso, principalmente no meio do tribal, que é onde eu mais viajo. Eu vejo que somos muito bem recebidos, e tenho também o feedback dos meus amigos em outros países.
Silvetty Montilla: E a questão do assédio, tanto aqui no Brasil quanto fora? Sei que você é uma pessoa casada. Ycaro, não nos leve a mal, mas é a pergunta que eu preciso fazer. A gente sabe que você está lá, um DJ belo, todo trabalhado… Como é? Porque sempre tem aqueles que jogam um papelzinho com telefone, como foi dito [em entrevistas anteriores].
Bruno Moutinho: Tem sim o assédio, e acho que é natural e mais intenso ainda na minha realidade, no meio tribal. Minha bolha é predominantemente [formada por] homens, então, logicamente, a procura sempre vai ser por homens. Eu sinto esse assédio e gosto dele. [É algo que] trabalha nosso ego. A gente se sente atraente, querido.
Silvetty Montilla: E o Ycaro, foi assim que ele te conheceu?
Bruno Moutinho: O Ycaro entende isso porque ele veio do meio da mídia, da televisão, então já teve fãs e lidou com essa parte antes. Ele era ator e hoje em dia trabalha com contabilidade. Então eu acho que ele consegue entender e não rola ciúmes.
Silvetty Montilla: Isso é ótimo, porque a gente que está exposto ao público precisa lidar com essas situações, né? Agora, Bruno, vamos fazer uma viagem no tempo. Vamos colocar uma foto sua aqui. Você lembra quantos anos você tinha aqui?
(Mostram a foto)
Bruno Moutinho: Olha, nessa foto eu devia ter uns nove anos.
Silvetty Montilla: O que você tem a dizer ao Bruninho? O que você pensava nessa época? O que você queria ser?
Bruno Moutinho: Acho que o conselho que eu daria para mim mesmo é algo que já fiz, que foi sempre respeitar a minha essência. Respeitar o que eu acredito como música, respeitar o que eu acredito que faz sentido e que é o bem, pois acho que sou uma pessoa que sempre procurei fazer o bem. Reforçaria o que fiz nesses 20 anos após essa foto: acreditar na minha essência, no que eu acho que é correto, e batalhar bastante para poder conseguir chegar onde eu quero.
Silvetty Montilla: E agora, uma curiosidade, algo que nunca revelou em uma entrevista antes, você vai falar para mim. Meu nome é Silvetty, não sei se já me viu em algum lugar.
Bruno Moutinho: Algo que aconteceu na noite?
Silvetty Montilla: Na noite, no dia. Alguma curiosidade que nunca contou para ninguém. Tocando ou não tocando, debaixo do chuveiro ou fora.
Bruno Moutinho: Ah, deixa eu pensar… Quando eu comecei a tocar, uma das minhas primeiras festas foi em Curitiba, eu já era tribal. Por ser uma festa grande, em uma boate, rolava aquela pressão e eu não estava acostumado. Foi na Verdant. Era a primeira vez que eu encarava a pista de uma boate, estava nervoso. Eu pesquisei para tocar e, aparentemente, era uma festa que tinha uma pista de pop, pelo que vi no Instagram. Então, achei que seria um tribal mais leve, mais tranquilo, e preparei-me para isso. Quando cheguei lá, percebi que era tribal mais raiz. Eu fiquei [desesperado]. Por mais que eu tenha feito um trabalho que supriu a demanda, não foi aquela ‘pauleira’ que eles estavam ouvindo antes, mas foi um trabalho bom, teve uma situação que levei como experiência de vida. Tinha uma pessoa na frente tentando me desconcentrar, pois viu que eu estava nervoso. Ela ficava fazendo coisas para que eu ficasse focado nela, como se o som estivesse ruim, bocejando e fazendo gestos exagerados. Aquilo me deixava mais nervoso ainda, porque eu já estava super tenso com a situação; eu queria “jogar o equipamento” na cabeça dela. Eu não conseguia me desconcentrar dela porque ela fazia diversos gestos e estava bem na minha frente. Aquilo foi bom porque, no final de tudo, após voltar e tocar inúmeras vezes nessa casa, mandando super bem, levei como experiência que não dá para você focar em uma pessoa.
Silvetty Montilla: Ah, eu também já passei por isso! Às vezes estou aqui e tem alguém que fica com cara de paisagem, aí eu acabo com ela… É isso, gente! Que papo gostoso, com uma pessoa bonita, simpática. Mas agora precisamos fazer nosso merchan. Vamos para os comerciais e já voltamos!
(Comercial)
Silvetty Montilla: Bruno, agora a gente vai para aquele ping-pong rápido. Conquista?
Bruno Moutinho: Meu trabalho.
Silvetty Montilla: Tribal?
Bruno Moutinho: Desafios.
Silvetty Montilla: Planeta H&H?
Bruno Moutinho: Um sonho.
Silvetty Montilla: Um sonho?
Bruno Moutinho: Continuar evoluindo e conquistando novos objetivos.
Silvetty Montilla: Maior qualidade profissional?
Bruno Moutinho: Profissionalismo.
Silvetty Montilla: Arte?
Bruno Moutinho: Música.
Silvetty Montilla: Dia ou noite?
Bruno Moutinho: Noite.
Silvetty Montilla: Se a música parar…
Bruno Moutinho: A gente canta!
Silvetty Montilla: Adorei! Bruno, muito obrigado pela sua presença. Quer deixar suas redes sociais?
Bruno Moutinho: Claro! Meu Instagram é @brunomoutinho1. Agradeço demais, Silvetty. Foi ótimo, super gostoso, leve. Te admiro há muitos anos e foi muito bom estar com você. É mais especial ainda estar representando a Hell & Heaven, que é um lugar que tenho muito carinho.
Silvetty Montilla: Eu que agradeço! Obrigado pelo carinho. Um beijo, gente.
Átila Paixão fala sobre turismo LGBTQIA+ e bastidores do H&H Festival
Junte-se à nossa comunidade
Mais de 20 milhões de homens gays e bissexuais no mundo inteiro usam o aplicativo SCRUFF para fazer amizades e marcar encontros. Saiba quais são melhores festas, festivais, eventos e paradas LGBTQIA+ na aba "Explorar" do app. Seja um embaixador do SCRUFF Venture e ajude com dicas os visitantes da sua cidade. E sim, desfrute de mais de 30 recursos extras com o SCRUFF Pro. Faça download gratuito do SCRUFF aqui.














