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Um fazendeiro alemão criou um projeto que reúne carneiros machos gays, que não demonstram interesse em acasalar com fêmeas e que, por esse motivo, costumam ser descartados pela cadeia produtiva tradicional.

A iniciativa recebeu o nome de Rainbow Wool e passou a abrigar animais que seriam destinados ao abate por não cumprirem a função reprodutiva esperada. As informações foram publicadas pelo jornal britânico The Guardian.

Fazenda alemã cria rebanho com carneiros gays
Fazendeiro alemão cria rebanho com carneiros gays (Foto: reprodução/Steve Marais para Rainbow Wool)

O responsável pelo projeto é Michael Stücke, produtor rural com cerca de 30 anos de experiência, que mantém a fazenda na cidade de Löhne, na Alemanha. Ele passou a organizar o rebanho a partir de 2024, após discutir alternativas para evitar o descarte desses animais.

Pesquisas citadas pelo The Guardian indicam que até 8% dos carneiros machos apresentam comportamento direcionado a outros machos. Em propriedades voltadas à reprodução, esses animais costumam ser considerados inadequados, já que não contribuem para a procriação do rebanho.

A identificação desse comportamento é feita por meio da observação. Segundo Stücke, carneiros que rejeitam repetidamente a tentativa de acasalamento com fêmeas e buscam apenas outros machos são classificados como parte do grupo acolhido pelo projeto. “Eles se abraçam. Demonstram afeto. Pulam uns sobre os outros. É inegável que se sentem atraídos uns pelos outros, disse.

Alguns carneiros simplesmente pulam em cima de tudo, seja macho ou fêmea. Isso não os caracteriza como homossexuais. Isso os caracteriza como dominantes. Mas se um carneiro se recusa consistentemente a acasalar com uma fêmea, isso é sinal de que ele prefere outros carneiros”, conta o cuidador.

carneiros gays
Fazendeiro alemão cria rebanho com carneiros gays (Foto: reprodução/Steve Marais para Rainbow Wool)

Atualmente, o rebanho conta com 35 carneiros e mantém uma lista de espera para novos animais. Alguns podem ser apadrinhados e receberam nomes inspirados em figuras conhecidas, como Prince Wooliam, Jean Woll Gaultier, Wolli Wonka e Madonna.

A proposta do Rainbow Wool é adquirir os carneiros diretamente de outros criadores, pagando valores superiores aos oferecidos por frigoríficos. Os animais não são utilizados para reprodução, apenas para a produção de lã.

Meu coração se compadece dos fracos e oprimidos em geral […] Eu mesmo sou gay e conheço os preconceitos e obstáculos que acompanham o fato de ser um homem gay, especialmente no setor agrícola”, disse.

A matéria-prima é enviada para uma fábrica na Espanha, onde é processada. O lucro obtido com a venda da lã é direcionado para o financiamento de iniciativas ligadas a causas LGBTQIA+. Alguns animais foram salvos, mas também algumas pessoas, disse Nadia Leytes, sócia de Stücke.

Em novembro do ano passado, a lã do rebanho foi utilizada em uma coleção de tricô e crochê apresentada em Nova Iorque. A linha, chamada “I Wool Survive”, foi criada pelo designer norte-americano Michael Schmidt. O desfile apresentou peças inspiradas em arquétipos associados à cultura gay e teve como proposta discutir a presença da homossexualidade também no reino animal, além de abordar o tema como parte de um projeto artístico e de conscientização.

“I Wool Survive” (Foto: reprodução/Oliver Halfin)

Eu realmente queria explorar a temática gay”, disse Schmidt ao New York Times. Vejo isso como um projeto artístico. É mais uma questão de vender uma ideia do que uma coleção de roupas, e a ideia que vende é que a homossexualidade não faz parte apenas da condição humana, mas também do mundo animal. Isso desmente a ideia de que ser gay é uma escolha. Faz parte da natureza”.

Michael Stücke afirma acreditar que também existam fêmeas que se relacionam com outras fêmeas e diz que gostaria de criar um rebanho com elas no futuro. Segundo ele, porém, identificar esse tipo de comportamento é difícil. O ato de serem atacadas acontece sem consentimento na maioria dos casos, especialmente se o rebanho de fêmeas for criado para fins lucrativos – para cordeiros ou para carne”, completou.




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