A presença de Lorde no Lollapalooza Brasil, neste domingo, 22 de março de 2026, marca o retorno de uma artista que construiu sua trajetória a partir de um olhar crítico sobre fama, juventude e identidade. Nascida Ella Marija Lani Yelich-O’Connor, em Auckland, na Nova Zelândia, a cantora alcançou projeção internacional ainda na adolescência, com “Royals”, e, desde então, mantém uma carreira marcada por mudanças estéticas e posicionamentos públicos calculados.
Aos 16 anos, Lorde tornou-se a artista mais jovem a vencer o Grammy de Canção do Ano, em 2014, abrindo caminho para uma discografia que, até 2025, soma quatro álbuns de estúdio: “Pure Heroine”, “Melodrama”, “Solar Power” e “Virgin”. Cada projeto marca uma etapa distinta, tanto na sonoridade quanto na forma como a cantora se relaciona com o próprio público.
Da estreia minimalista ao reconhecimento global
Criada em um ambiente familiar ligado à literatura, filha da poetisa Sonja Yelich, Lorde começou a escrever ainda na pré-adolescência. O contrato com a Universal Nova Zelândia veio após uma apresentação escolar registrada em vídeo. Poucos anos depois, o EP “The Love Club” introduziu “Royals”, faixa que liderou a Billboard Hot 100 por nove semanas.
O álbum de estreia, “Pure Heroine” (2013), apresentou uma estética minimalista, com batidas econômicas e letras centradas na experiência adolescente, frequentemente em oposição ao imaginário de luxo da cultura pop. O disco também revelou “Team” e “Tennis Court”, consolidando sua identidade artística inicial.
Expansão emocional e densidade sonora
Quatro anos depois, “Melodrama” (2017) ampliou o alcance temático e sonoro da cantora. Produzido com Jack Antonoff, o álbum aborda término de relacionamento, isolamento e excessos, com uma construção mais densa e teatral. Faixas como “Green Light”, “Liability” e “Supercut” se tornaram centrais em sua discografia.
O projeto rendeu indicação ao Grammy de Álbum do Ano e consolidou sua reputação como compositora capaz de transformar experiências pessoais em narrativa pop estruturada.
Virada estética e recepção dividida
Em “Solar Power” (2021), Lorde optou por uma abordagem acústica, com influências de folk e temas ligados à natureza e ao afastamento da indústria musical. O disco alcançou o topo das paradas na Nova Zelândia e na Austrália, mas teve recepção crítica mais dividida, especialmente em comparação ao álbum anterior.
A própria cantora comentou, em entrevistas, o impacto das críticas, reforçando a intenção de manter controle sobre suas escolhas criativas.
Identidade, corpo e ambiguidade em “Virgin”
O lançamento de “Virgin”, em 2025, marca um retorno ao pop eletrônico, agora com abordagem mais direta sobre identidade e amadurecimento. No single “Hammer”, Lorde canta “Some days I’m a woman, some days I’m a man”, verso que sintetiza a investigação pessoal sobre gênero presente no álbum. A cantora já havia abordado o tema em entrevistas, ao afirmar sentir-se “uma mulher, exceto nos dias em que sou um homem”, ampliando o debate sobre fluidez de identidade fora de rótulos rígidos.
Relação com o público e controle de narrativa
Ao longo da carreira, Lorde construiu uma imagem pública baseada em autonomia criativa e discurso direto. Evita exposição excessiva e privilegia entrevistas em que discute processos artísticos e escolhas pessoais. A decisão de encerrar seu contrato com a Universal, em 2025, reforça esse movimento em direção à independência, em um momento em que a artista revisita sua trajetória e redefine sua posição na indústria.
Lorde mantém relação próxima com fãs queer e participa de iniciativas como o Ally Coalition, voltado à defesa de direitos LGBTQ. Sua obra, especialmente faixas como “Ribs” e “Green Light”, é frequentemente associada a processos de autoaceitação por parte desse público.
No palco do Lollapalooza, esse percurso tende a aparecer não apenas na seleção de músicas, mas também na forma como a artista articula imagem, som e discurso, mantendo o equilíbrio entre introspecção e comunicação direta com a plateia.
Show no Lollapalooza aposta em síntese da carreira
Para o Lollapalooza Brasil 2026, a expectativa é de um setlist que percorra diferentes fases da carreira. Entre as músicas mais prováveis estão “Hammer”, “Royals”, “Team”, “Green Light”, “Ribs” e faixas recentes como “What Was That” e “Man of the Year”.
A estrutura do show segue o padrão da turnê “Ultrasound”, com cenografia reduzida e forte uso de projeções, câmeras ao vivo e iluminação. A banda permanece em posições laterais, enquanto Lorde ocupa o centro do palco e, em determinados momentos, avança para áreas próximas ao público.
O formato privilegia a construção visual integrada às músicas, com elementos específicos para cada faixa, como esteiras, ventiladores industriais e jogos de luz sincronizados.
Setlist provável
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“Hammer” (2025)
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“Royals” (2013)
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“Buzzcut Season” (2013)
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“Perfect Places” (2017)
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“Supercut” (2017)
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“The Louvre” (2017)
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“Liability” (2017)
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“Team” (2013)
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“Green Light” (2017)
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“Ribs” (2013)
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“Man of the Year” (2025)
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“What Was That” (2025)
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“David” (2025)
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“Current Affairs” (2025)
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“Favourite Daughter” (2021)
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“Shapeshifter” (2021)
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“Broken Glass” (2021)

Serviço
Evento: Lollapalooza Brasil 2026
Data: 22 de março de 2026
Local: Autódromo de Interlagos, São Paulo, SP
Abertura dos portões: por volta do meio-dia
Ingressos: neste link
Domingo, 22 de março
12h45 – Papisa
14h45 – Mundo Livre S/A
16h55 – Djo
19h05 – Turnstile
21h30 – Tyler, The Creator
Palco Samsung Galaxy
12h00 – Jonabug
13h40 – Nina Maia
15h50 – Royel Otis
18h00 – Addison Rae
20h10 – Lorde
Palco Flying Fish
12h45 – Papangu
14h45 – Orúã
16h55 – Balu Brigada
19h05 – FBC
21h30 – Katseye
Palco Perry’s by Fiat
12h00 – Flávia Durante
13h00 – Entropia
14h00 – Analu
15h15 – Alírio
16h30 – Ildibra
17h45 – Zopelar
19h00 – RØZ
20h15 – ¥ØU$UKE ¥UK1MAT$U
21h45 – Peggy Gou

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