O presidente do Chile, Sebastián Piñera, prometeu dar urgência a aprovação de um projeto de lei que está em discussão no Parlamento desde 2017 para aprovar o casamento igualitário. As informações são do Universa.
“Devemos nos aprofundar no valor da liberdade, incluindo a liberdade de amar e formar uma família com a pessoa amada, e também no valor da dignidade de todas as relações de amor e afeto entre duas pessoas”, declarou o presidente em discurso ao Congresso. “Acho que chegou a hora de um casamento igual em nosso país”.
A fala de Piñera vai em direção oposta ao discurso feito no início do ano, quando o subsecretário do Ministério Geral da Presidência, Máximo Pavez, afirmou que o presidente não aceitava a ideia de união entre pessoas do mesmo sexo. Na ocasião, a reprovação ao presidente direitista chegava a 70%.
O casamento civil entre pessoas do mesmo sexo tem sido uma das maiores lutas dos LGBTQIA+ do Chile, pois, até então, dois homossexuais só podem assinar um documento através da união civil de uma lei de 2015.

O PL defendido por Piñera foi introduzido durante o segundo governo da ex-presidente Michelle Bachelet e, caso, seja aprovado, “todas as pessoas, independentemente da orientação sexual, poderão viver apaixonadas e formar famílias com toda a proteção e dignidade de que necessitam”.
Uma das principais organizações LGBTQIA+ do país, o Movilh (Movimento pela Integração e Libertação Homossexual), comemorou o apoio do presidente ao casamento gay, o qual foi visto como “uma reviravolta histórica e definitiva para a direita”.
“Hoje, sem dúvida, o casamento igualitário está na boca do forno. Piñera chegou tarde, muito tarde, com compromissos internacionais não cumpridos no meio, mas ele finalmente chegou. Esperamos que outros adversários da igualdade sigam esse caminho”, comentou o porta-voz da Movilh, Oscar Rementería.
No Chile, pessoas solteiras podem adotar uma criança independente de sua orientação sexual, mas não há uma legislação que reconheça legalmente a paternidade de dois pais ou duas mães para uma criança. No entanto, caso haja uma união homoafetiva e um dos dois morre, o pai que sobreviveu tem mais facilidade para conseguir a tutela da criança.
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