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Advogada popular que atua pelo desencarceramento, Ane Halama (PSOL) disputa uma vaga como deputada federal no Espírito Santo. Moradora de Vitória (ES) e primeira pessoa de sua família a cursar o ensino superior, ela é lésbica e tem 38 anos. A candidata é uma das entrevistadas da semana no especial “Eleições 2022” do Gay Blog BR.

Ane se formou em Direito e passou na OAB em 2015, já com om mais de 30 anos. “Fui aluna ProUni e a educação transformou minha vida”, conta a candidata. Sua entrada na política, segundo ela, se deu pelo avanço do facismo e da necropolítica.

Atualmente, Ane tem se dedicado a militar na frente pelo desenvolvimento, que luta por mais escolas e menos prisões. “Lutamos pela descriminalização das drogas (a população preta nos presídios aumentou 377% depois da atual lei de drogas), a desmilitarização da PM, a resolução alternativa de conflitos menos graves, que não apenas o encarceramento, a ressocialização efetiva das pessoas presas e o tratamento humanizado de suas famílias”, pontua ela.

Além de propostas para a segurança pública, investimento em educação, cultura, esporte e estrutura estatal em todos os territórios, Ane também traz a pauta LGBTQIA+ com a política de cotas nas universidades para pessoas trans e travestis, incentivo fiscal para contratação de LGBTQIA+ e casas de acolhimento e formação educacional e profissional para essa população.

Ane Halama, candidata a deputada federal pelo PSOL no Espírito Santo (Foto: Reprodução)

GAY BLOG BR: Qual a sua formação e trajetória profissional?

Ane Halama: Eu sou de família humilde, sendo a primeira a cursar o superior. Me formei bacharel em Direito e passei na OAB em 2015, já com mais de 30 anos. Fui aluna ProUni e a educação transformou minha vida.

GB: O que motivou a se candidatar?

Ane: O avanço do fascismo e da necropolítica. A perda de direitos e a perseguição contra LGBTQIA+. Temos que ocupar os espaços de poder para garantir direitos e conquistar igualdade.

GB: Quais os desafios enfrentados ao ser uma candidata abertamente LGBTQ+?

Ane: Em tempo de intolerância, a nossa existência, por si só, é uma afronta ao conservadorismo. Então almejar espaços decisórios é algo inaceitável para essa extrema direita. Isso tem se traduzido em insegurança, violência verbal que pode rapidamente escalar para violência física. Por isso temos feito política em grupo, temos traçado estratégias de guerra e o desafio de voltar pra casa segura é cada vez maior. O mantra tem sido: que o medo não nos paralise.

GB: Quais são as suas principais propostas? Há pautas exclusivamente para LGBTQ+?

Ane: Minhas principais proposta são pela segurança pública de um novo jeito, com investimento pesado em educação, cultura, esporte e estrutura estatal em todos os territórios. Tenho pautas exclusivamente LGBTQIA+, com a política de cotas nas universidades para pessoas trans e travestis, incentivo fiscal para contratação de LGBTQIA+, casas de acolhimento e formação educacional e profissional para LGBTQIA+ que foram expulsos de suas casas. Ampliação das cirurgias para redesignação, com parcerias privadas, para reduzir drasticamente as filas, entre outras.

GB: Quais medidas você acredita serem necessárias para combater a LGBTfobia?

Ane: Formação de educadores e educação sexual e de gênero massivas, de acordo com cada faixa etária, pois não se nasce LGBTQIA+fóbico, se aprende a ser e só uma educação de qualidade é libertadora. A formação de profissionais de saúde e de segurança, com vistas a prestar o correto atendimento da população LGBTQIA+, para acabar com a violência realizada por estes serviços. E a punição exemplar dos crimes de preconceito, para inibir a sua prática.

GB: O que você pensa sobre o uso e políticas da PrEP?

Ane: As políticas de saúde pública, além do cuidado com TODOS os seus cidadãos, resultam na desoneração do Sistema Única de Saúde, que passa a trabalhar na prevenção, que, por conseguinte, é mais barata e menos violenta. As políticas da PrEP e seu uso devem ser amplamente divulgadas e estimuladas.

GB: Como você avalia o governo de Bolsonaro?

Ane: Um desastre total. São mais de 33 milhões de pessoas passando fome, metade da população brasileira em insegurança alimentar. Quase 80% das famílias endividadas. Uma dilapidação do patrimônio brasileiro e do meio ambiente. Retrocedemos 20 anos em 4. Simplesmente um dos piores de todos os tempos.

GB: Onde se concentra sua militância atualmente?

Ane: Atualmente tenho me dedicado a militar na frente pelo desenvolvimento, que é uma agenda nacional, com organizações dentro dos estados, que luta por mais escolas e menos prisões. Que entende que trocamos os navio negreiros pelos camburões e celas, onde 78% da população carcerária do Espírito Santo é de pessoas pretas. Lutamos pela descriminalização das drogas (a população preta nos presídios aumentou 377% depois da atual lei de drogas), a desmilitarização da PM, a resolução alternativa de conflitos menos graves, que não apenas o encarceramento, a ressocialização efetiva das pessoas presas e o tratamento humanizado de suas famílias.

Confira a lista de candidaturas LGBTQIA+ de 2022 neste link.

Lista de candidatos LGBTQ+ nas eleições 2022 | Deputados, Senadores, Governadores




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)