Em 1935, o criador da psicanálise, Sigmund Freud, já dizia que a homossexualidade se trata apenas de mais uma variante sexual e que não tem como ser curada ou alterada. O comentário foi escrito em uma carta a mãe de um menino que era homossexual.

“A homossexualidade não pode ser considerada uma doença. Nós a consideramos como uma variante da função sexual” – disse. “Muitos indivíduos altamente respeitáveis da antiguidade e também dos tempos modernos foram homossexuais. Diversos homens grandiosos”.

Foto: Wikipedia Commons
Foto: Wikipedia Commons

“Se ele se sentisse infeliz por causa de milhares de conflitos e inibições em relação à sua vida social, a psicanálise poderia lhe proporcionar tranquilidade, paz psíquica e plena eficiência”.

Na mesma carta, ele também questiona a mulher sobre o fato dela não usar alguma palavra que designasse a orientação sexual de seu filho.

“Eu vi na sua carta que seu filho é homossexual. Estou mais impressionado com o fato de você não mencionar esse termo ao passar as informações sobre ele. Posso te perguntar por que você evita o termo? Homossexualidade certamente não é uma vantagem, mas não há motivos para se envergonhar, não há vícios, não há degradação; isso não pode ser classificado como uma doença”

A carta escrita por Freud
A carta escrita por Freud. Foto: Kinsey Institute
Foto: Kinsey Institute

“Prezada senhora XXXXX,

Eu vi na sua carta que seu filho é homossexual. Estou mais impressionado com o fato de você não mencionar esse termo ao passar as informações sobre ele. Posso te perguntar por que você evita o termo?

Homossexualidade certamente não é uma vantagem, mas não há motivos para se envergonhar, não há vícios, não há degradação; isso não pode ser classificado como uma doença; consideramos como uma variação da função sexual, produzida por uma certa contenção do desenvolvimento sexual.

Muitos indivíduos altamente respeitáveis da antiguidade e também dos tempos modernos foram homossexuais, diversos homens grandiosos. (Platão, Michelangelo, Leonardo da Vinci, etc). É uma grande injustiça perseguir a homossexualidade como se fosse um crime – e uma crueldade também. Se a senhora não acredita em mim, leia os livros de Havelock Ellis.

Ao me perguntar se eu posso ajudá-la, suponho que queira dizer se posso abolir a homossexualidade e fazer com que a heterossexualidade tome seu lugar. A resposta é que, em termos gerais, não podemos assegurar que dê certo. Em alguns casos, temos êxito em desenvolver as tendências heterossexuais prejudicadas, que estão presentes em todos os homossexuais. Na maioria dos casos, isso não é possível. É uma questão da qualidade e da idade do indivíduo. O resultado do tratamento não pode ser previsto.

O que a terapia pode fazer pelo seu filho vai em outra direção. Se ele é infeliz, neurótico, atormentado por conflitos, prejudicado em sua vida social, a terapia pode trazer harmonia, paz de espírito, eficácia, quer ele permaneça homossexual ou mude. Se decidir que ele deve se consultar comigo — Não acredito que vá — ele teria que vir à Viena. Eu não tenho intenção de sair daqui. Entretanto, não deixe de me dar sua resposta.

Com os melhores cumprimentos e atenciosamente,

Freud

P.S. Não encontrei dificuldade em entender sua letra. Espero que minha letra e meu inglês não sejam uma tarefa difícil.”

Fonte: HuffPost

A SEXUALIDADE NA VISÃO DA PSICANÁLISE

Foto: Reprodução

De acordo com o livro “Três Ensaios sobre a teoria da Sexualidade”, publicado em 1905, Freud defende que todos nascem bissexuais e, ao longo do desenvolvimento, as pessoas inconscientemente reprimem o desejo por um dos sexos.

Em seu estudo, Freud questiona a visão determinista sobre as variações sexuais, defendendo que não existe uma sexualidade certa ou errada, ou que uma delas é normal e a outra patológica.

Hoje em dia, a psicanálise entende que não existe apenas “uma homossexualidade” e sim “várias homossexualidades”. Segundo o psicanalista Alexandre Simões em seu vídeo “A homossexualidade e o olhar da psicanálise”, o mesmo vale para a heterossexualidade.

“Homossexualidades, no plural, significa que devemos considerar diversas rotas, inúmeros caminhos e inúmeras situações que confluem para que uma pessoa se sinta atraída por outra do mesmo sexo (…) Não há um único fato, um único determinante, um gene, um trauma, um acontecimento, um amor ou desamor que por si só causem ou provoquem a homossexualidade” 

Quanto aos homossexuais egodistônicos, que são aqueles que sabem que se sentem atraídos por pessoas do mesmo sexo, porém rejeitam essa ideia e queriam que ocorresse de outra forma, a psicanálise entende que o melhor tratamento é auxiliar o indivíduo a compreender que o sofrimento é decorrente da não aceitação, tratando suas angústias e sofrimentos.

O objetivo dos psicólogos é fazer com que o ego entre em sintonia com o desejo, eliminando boa parte do sofrimento.

Pocs renascentistas Michelangelo e Da Vinci viviam em constante choque de mostro, diz pesquisadora

Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".