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Em países de maioria muçulmana, política e religião estão intimamente ligadas e muitas das leis instituídas encontram suas justificativas exclusivamente nos ensinamentos sagrados.

A homossexualidade ainda é considerada um crime em diversos países islâmicos, podendo ser punida com a morte na Arábia Saudita, Sudão, Somália, Mauritânia e Irã. Em outras nações há certa tolerância (mas a discriminação é bastante recorrente), como no caso do Egito, Tunísia, Indonésia, Albânia, Turquia.

Mesmo com a condenação da homossexualidade, pessoas trans têm relativa aceitação em alguns lugares. Não que sejam super bem tratadas ou totalmente aceitas, mas por acreditarem que a transexualidade não é mencionada no Alcorão, não sendo assim considerada como um pecado; diferentemente da homossexualidade, que é encarada como um comportamento imoral e condenável segundo o livro sagrado.

De Ali a Fatemeh e de Fatemeh a Amir, transexuais iranianos (reprodução)

O Irã faz a cirurgia de redesignação genital desde 1983 após o líder islâmico, Aiatolá Khomeini, passar uma fatwa (pronunciamento legal no Islã emitido por uma autoridade religiosa) permitindo a operação aos “diagnosticados como transexuais”. Inclusive, homossexuais se sentem pressionados a passar pelo processo de transexualização.

No Irã, homossexuais se sentem pressionados a passar pelo processo de transexualização. Foto: reprodução

TRANSEXUALIDADE SERIA A “CURA” DA HOMOSSEXUALIDADE

O fato de o país permitir a cirurgia também não significa que haja uma liberdade de escolha para pessoas transgênero: passar pelas operações é uma necessidade para que o indivíduo gay se encaixe na sociedade como alguém “normal”. Aqueles que não passam pela transição e pela cirurgia são considerados disruptivos, enganadores, pois dizem ser portadores da “doença” e rejeitam a “cura”. O comportamento é visto como um pecado, pois rompe com a ordem e a organização social.

Há outras questões ainda mais complexas no que diz respeito à permissão para que sejam realizadas cirurgias de redesignação e à suposta aceitação de transexuais no Irã. A primeira delas tem a ver com a precipitação que pode acometer algumas pessoas que, sentindo-se “diferentes”, logo buscam a operação – afinal, quando a homossexualidade é veementemente condenada, qualquer homem que se sinta “efeminado” ou mulher “masculinizada” pode encarar o diagnóstico de transexualidade e posterior transição como uma maneira de se obter melhor qualidade de vida ou mesmo de sobreviver num país onde ser gay é crime capital.

A segunda questão está no próprio reforço da normatividade, quando ainda se busca ter controle sobre o corpo de cada cidadão. Se, por um lado, permite-se a transição, por outro, não se trata de uma escolha ou de um apoio à diversidade. Na verdade, essa permissão trabalha a favor de uma uniformização do gênero por meio da qual transexuais são apoiados a fim de se encaixarem na sociedade que visa à manutenção da ordem.

Assista ao documentário “Transexual no Irã (Ser como os outros)“:

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Vislumbres de uma sauna gay no Irã

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