Um estudo realizado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) apontou que, de um total de 151 pessoas trans que morreram em 2022, 65% dos casos resultaram de “crimes de ódio” com níveis extremos de brutalidade. Além disso, 72% dos suspeitos não possuíam qualquer relação com as vítimas. O dossiê indica ainda que a identidade de gênero desempenha um papel crucial na ocorrência desses episódios.
Na busca por entender como a violação dos Direitos Humanos impacta a saúde mental de mulheres transexuais e travestis, a professora Sandra Brignol, da Universidade Federal Fluminense (UFF), criou o projeto voltado para a saúde dessa população. O objetivo é desenvolver uma rede de diálogo e entender os conflitos diários que sofrem como pessoas LGBTQIA+.

De acordo com a professora, “a maioria das pesquisas epidemiológicas nacionais se concentra na infecção pelo HIV, sífilis e demais doenças sexualmente transmissíveis, negligenciando outras dimensões da saúde nessa população. Diante desse contexto, o MuTransDH, como chamamos, se propõe a investigar o impacto da violência e da violação dos Direitos Humanos na ocorrência de sintomas depressivos e ideação suicida entre essas mulheres”.
A professora afirmou que trabalha com a “pesquisa-intervenção”, em que há o levantamento de dados e estudos científicos em conjunto com ações que visam combater a problemática. “Antes de aplicar entrevistas e questionários para o estudo, buscamos oferecer o máximo de benefícios possíveis, como atendimento e assistência social. Encaminhamos aquelas que necessitam de consultas médicas ou serviços jurídicos ao centro de cidadania”, afirma a docente.
Através do projeto, foi possível pontuar as situações em que as participantes tiveram seus direitos violados. Dentre eles, o desrespeito ao nome social nos serviços de saúde e instituições públicas, a dificuldade de acesso aos benefícios sociais e retificação do nome nos documentos, a violência nas ruas, escolas, família e comercio, desamparo e falta de uma rede de apoio e falta de acesso e oportunidades para estudar e trabalhar.
O projeto realiza atividades mensais, como seminários, palestras, postagens nas redes sociais sobre saúde voltadas para a população, rodas de conversa, cursos e capacitações. Para a professora, essa última atividade é muito importante, visto que mulheres trans e travestis estão numa situação de vulnerabilidade social em que não conseguem espaço no mercado de trabalho.
“Muitas travestis são expulsas de casa ainda crianças, e a prostituição é a opção para sobreviverem. Esse ciclo é muito complexo, porque a pessoa fica dependente desse trabalho. Então, no projeto, realizamos várias oficinas com o intuito de ensinar e incentivar as meninas a empreenderem, como a oficina de tricô e customização de roupas”, destaca Sandra Brignol.
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