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Nos bastidores da cena musical brasileira dos anos 1980, Cazuza e Supla desenvolveram uma relação que foi além da amizade eventual. Unidos por uma origem abastada e inquietações sociais em comum, os dois artistas colaboraram em uma canção que refletia suas visões sobre desigualdade e alienação: “Nem tudo é verdade”, lançada no primeiro álbum solo de Supla, em 1989.

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Em vídeo publicado nos Stories do Instagram, Supla compartilhou lembranças da convivência com Cazuza, morto em 1990. Segundo ele, os encontros ocorriam com frequência em programas de TV, como o do Chacrinha, e no Baixo Leblon, após gravações.

“Sempre foi muito educado comigo, divertido”, disse o cantor, acrescentando que a amizade se fortaleceu graças ao convívio familiar entre Lucinha Araújo e Yara Neiva.

O episódio que levou à criação da música envolveu também a fotógrafa Fabiana Kherlakian e o artista Marcos Bonisson, responsável pelo registro de uma imagem marcante na qual Cazuza aparece usando as botas de Supla durante uma sessão para a revista Bizz.

Supla e Cazuza - Reprodução
Supla e Cazuza – Reprodução

A colaboração musical, segundo Supla, foi feita à distância, por telefone. “Conversamos por telefone, trocamos ideias e ele me mandou algumas partes da letra”, afirmou. A letra, que critica a superficialidade de uma elite desconectada da realidade brasileira, foi interpretada por Supla como uma tentativa de expressar a contradição de quem “vem de família rica com noção do que acontecia ao nosso redor”.

Trechos como “Vejo o Brasil do avião, é tudo verde, é tudo em vão” revelam um olhar crítico sobre o país e o distanciamento entre aparência e realidade. A canção chegou a ser exibida no programa Fantástico, da Rede Globo.

No livro “Supla: crônicas e fotos do Charada Brasileiro” (2015), o músico descreve Cazuza como alguém “sem papas na língua”, que “falava o que vinha na cabeça” e “não tinha vergonha de ser o que ele era”. Para Supla, essa postura o aproximava do colega: “Eu também sempre busquei isso, desde o começo da minha carreira, como na letra de ‘Humanos’”.

Para conhecer “Supla: crônicas e fotos do Charada Brasileiro”, clique aqui.

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