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A mineira Condessa Mônica (15 de junho de 1942 – 19 de junho de 1989), até os 30 anos, atuava advogando e chegou a ser oficial de justiça. De família de classe média com ascendência portuguesa, tinha três irmãos, um com parentesco de pai e mãe, e dois do segundo casamento de sua mãe.

Radicada no Bairro Cambuci, em São Paulo, aos 12 anos completos conheceu Mônica, uma colega de sala de aula que a defendia do bullying e que se tornou a melhor amiga por toda a sua adolescência. Aos 18 concluiu o ensino científico, e aos 25 anos, inicio da segunda metade da década de 1960 formou-se Bacharel em Direito.

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Condessa Mônica (in memory) – Reprodução

Em razão de sua profissão costumava manter-se atualizado com as notícias econômicas, políticas e sociais do Brasil e do mundo. Ao ter conhecimento dos episódios de violência e preconceito no Bar Stonewall Inn em 1969, entre os gays e a polícia de Nova York, Condessa teve a ideia de criar uma casa noturna para os gays de São Paulo.

No primeiro semestre de 1971, dia 30 de abril, surgia o bar Top Room, destinado ao público LGBT+ (muito antes dessa sigla existir, inclusive). Também nesta noite de inauguração que, o até então ator transformista Clóvis Vieira, se tornou “Mônica”, nome em homenagem à sua inesquecível amiga da adolescência.

O sucesso da casa foi imediato e o nome mudou para “Nosso Mundo”.  Embora fosse uma boate, o registro constava como “bar”. Durante o primeiro mês, a Nostro funcionou aos sábados, mas a partir do mês de junho passou a funcionar em dias úteis e fins de semanas sob a autorização expressa do Juiz da Comarca de Cerqueira César, que além de atuar naquela Comarca, era amigo de Condessa desde os tempos de quando ela advogava.

Mais tarde, em homenagem ao amigo juiz, que tinha descendência italiana, a boate passou a se chamar Nostro Mondo. O público “torceu o nariz” em relação ao estrangeirismo, mas acabou acostumando de modo gradativo. 

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Acervo: Condessa Mônica (in memory)

A Nostro Mondo se tornou uma das casas noturnas mais populares de São Paulo na década de 1970, rendendo a Mônica o nome artístico de “Condessa”. E foi assim que se consagrou como Condessa Mônica, que também era chamada alternativamente de Condessa da Consolação (em referência ao nome da rua) e Condessa da Nostro Mondo

Condessa transformou a data de aniversário da boate em um acontecimento, “A Noite do Preto e Branco”, a que muitos suspeitavam que o evento também era uma forma homenagear ao seu time de coração, o Corinthians, ainda que ela dissesse que as cores eram apenas parte da identidade visual da sua marca.

Com a quantidade de shows, Mônica se viu na necessidade a contratar diretores artísticos, mas após três contratações, decidiu assumindo também a função de diretora artística da casa. Também atuava descobrindo talentos, circulava nas noites do centro por locais onde havia concentrações dos que ele chamava de “artistas anônimos”.

Ainda na década de 1970, a empresária se destacou por performar Amália Rodrigues, Edith Piaf e Miriam Batucada na Nostro.

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Acervo: Condessa Mônica (in memory)

Ela também defendeu amigos e frequentadores de sua boate das repressões do Governo Civil Militar. Numa noite de sexta-feira, antes de subir no palco para uma performance, foi levada em regime de detenção ao DEIC, onde permaneceu por 24 horas sob a acusação de desacato à autoridade ao impedir a tentativa de invasão da boate por policiais sob o comando do então delegado José Wilson Richetti.

Solidária, Condessa fazia doações para diversas instituições de caridade e, na década de 1980, quando os primeiros casos de HIV foram diagnosticados em São Paulo, ajudou pessoas estavam sendo rejeitadas pelas famílias.

Com Andréa de Mayo e Brenda Lee (ambas já falecidas), promoveu campanhas para a Casa de Apoio Brenda Lee. 

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Acervo: Condessa Mônica (in memory)
Acervo: Condessa Mônica (in memory)
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Acervo: Condessa Mônica (in memory)
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Acervo: Condessa Mônica (in memory)

Condessa faleceu em 1989 por septicemia e infecção urinária oriundas da síndrome da imunodeficiência adquirida. Após sua morte, a casa foi assumida pelo gerente Hugo Lima e, depois de passar por vários donos, a Nostromundo encerrou suas atividades em 2014, sendo de balada LGBT+ mais longeva da América do Sul, durando 43 anos. 

Existem poucos registros em vídeo de Condessa Mônica. Ela foi uma das protagonistas do documentário Dores de Amor” de 1988, disponível no Youtube.

Conheça mais sobre a história da NostroMundo neste link.

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