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O Dia Nacional da Visibilidade Trans, celebrado em 29 de janeiro desde 2004, marca a luta por reconhecimento, dignidade e respeito às pessoas trans no Brasil. A data surgiu a partir de uma ação pública da campanha “Travesti e Respeito”, realizada por ativistas no Congresso Nacional, e segue como referência na luta contra a exclusão e a violência estrutural que ainda impactam a população trans e travesti no país.

Para destacar esse contexto e ampliar o alcance de narrativas trans no cinema contemporâneo, a FILMICCA, plataforma brasileira dedicada ao cinema autoral, disponibiliza uma seleção de 10 obras, entre documentários e ficções, que abordam múltiplas vivências trans e não binárias ao redor do mundo. Com curadoria voltada à diversidade, a lista contempla títulos nacionais e internacionais que exploram temas como identidade, resistência, afeto, marginalização e transformação social.

Abaixo, filmes da seleção:

“Inferninho” (Brasil, 2018)

Direção: Pedro Diógenes, Guto Parente

Deusimar é a dona do Inferninho, um bar decadente onde desejos, melancolia e sonhos convivem. Interpretada por Yuri Yamamoto, a personagem é uma mulher trans que deseja fugir para um lugar distante, abandonando sua rotina. Quando Jarbas, um marinheiro misterioso, chega ao bar, os dois se envolvem afetivamente, e a presença dele altera profundamente o cotidiano do local e dos demais frequentadores.

Com estética kitsch, humor ácido e atmosfera onírica, o filme é um retrato simbólico de resistências queer em espaços marginais. Exibido em diversos festivais internacionais como o BFI Flare (Londres), Queer Lisboa, Filmfest München e BAFICI, além do Festival de Brasília, “Inferninho” se tornou uma referência do cinema queer brasileiro contemporâneo.

Inferninho - Divulgação
Inferninho – Divulgação

“Tangerine” (Estados Unidos, 2015)

Direção: Sean Baker

Filmado com iPhones 5s, “Tangerine” acompanha o dia de Sin-Dee Rella, uma mulher trans que acaba de sair da prisão e descobre, por sua melhor amiga Alexandra, que seu namorado e cafetão a traiu com uma mulher cis. Determinada a confrontá-los, Sin-Dee percorre as ruas de Los Angeles em uma caótica e emocionante jornada.

Com atuações viscerais de Kitana Kiki Rodriguez e Mya Taylor, ambas atrizes trans, o filme é reconhecido por sua abordagem crua e autêntica da realidade de mulheres trans trabalhadoras do sexo. Descrito como um “retrato exuberante e íntimo” pela Variety, teve estreia no Festival de Sundance e abriu portas para uma nova geração de realizadores queer no cinema independente dos EUA.

Tangerine - Divulgação
Tangerine – Divulgação

“Fabiana” (Brasil, 2018)

Direção: Brunna Laboissière

O documentário acompanha Fabiana, mulher trans caminhoneira que rodou o Brasil por mais de 30 anos transportando cargas e histórias. Em sua última viagem antes da aposentadoria, ela cruza estados como Goiás, Tocantins, Pará e Bahia, revisitando afetos, lembranças e relações marcadas pela estrada.

Com abordagem intimista e câmera sensível, o filme se debruça sobre gênero, envelhecimento e autonomia. Estreou no Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, e integrou a competição Bright Future no Festival de Roterdã, além de passar por eventos como IndieLisboa e a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

"Fabiana" - Divulgação
“Fabiana” – Divulgação

“Lola e o Mar” (Bélgica/França, 2020)

Direção: Laurent Micheli

Lola (Mya Bollaers), mulher trans de 18 anos, vive com seu melhor amigo e se prepara para se tornar assistente de veterinária. Amparada pela mãe, enfrenta dificuldades com o pai, que não aceita sua identidade. A morte repentina da mãe obriga Lola a reencontrar o pai, com quem embarca em uma viagem para cumprir o último desejo da falecida: espalhar suas cinzas no Mar do Norte.

Com delicadeza, o longa retrata o embate geracional entre pai e filha e os efeitos da transição de gênero no âmbito familiar. Mya Bollaers recebeu o Prêmio Magritte de Atriz Revelação, e o filme foi indicado ao César de Melhor Filme Internacional.

Lola e o Mar - Divulgação
Lola e o Mar – Divulgação

“Uýra – A Retomada da Floresta” (Brasil, 2022)

Direção: Juliana Curi

Uýra é uma artista trans indígena que percorre a Amazônia levando arte, ecologia e educação a comunidades locais. Através de performances corporais ligadas aos ciclos da natureza, ela se conecta aos saberes ancestrais, denunciando a destruição ambiental, o racismo e a transfobia.

O documentário evidencia a força das intersecções entre identidades LGBTQIA+, luta indígena e ativismo ambiental. Ao transformar o próprio corpo em obra e instrumento político, Uýra inspira jovens indígenas e provoca reflexões sobre pertencimento, território e justiça climática.


“Dorian Gray no Espelho dos Tabloides” (Alemanha, 1984)

Direção: Ulrike Ottinger

Inspirado em Oscar Wilde, o filme reimagina Dorian Gray como um ícone midiático fabricado pelo magnata Dr. Mabuse. A personagem é instrumentalizada por tabloides sensacionalistas que exploram sua imagem, apagando sua essência e reduzindo sua identidade à performance pública.

Com estética experimental e abordagem crítica à indústria da comunicação, Ottinger antecipa debates sobre gênero, visibilidade trans e espetacularização do corpo. A obra é considerada um clássico do cinema queer europeu dos anos 1980.

Dorian Gray no Espelho dos Tabloides - Divulgação
Dorian Gray no Espelho dos Tabloides – Divulgação

“O Lugar Sem Limites” (México, 1978)

Direção: Arturo Ripstein

Manuela, uma travesti que vive em um bordel com sua filha Japonesita, vê sua rotina ameaçada quando interesses econômicos tentam comprar o local. A chegada de Pancho, caminhoneiro ligado ao patriarca Don Alejo, reacende tensões e violências silenciadas.

O longa se tornou marco do cinema latino-americano ao abordar homossexualidade e identidade de gênero com profundidade em um contexto rural e conservador. Representou o México no Oscar em 1979 e voltou aos holofotes ao ser restaurado para o Festival de Veneza em 2018.

O Lugar Sem Limites - Divulgação
O Lugar Sem Limites – Divulgação

“O Que É Uma Mulher?” (Noruega, 2020)

Direção: Marin Håskjold

Em um vestiário feminino, uma mulher trans é interpelada por outra frequentadora. A discussão, inicialmente íntima, torna-se coletiva à medida que outras mulheres se envolvem, expondo diferentes percepções sobre identidade de gênero.

Em apenas 14 minutos, o curta revela as complexidades e tensões sociais sobre a presença de pessoas trans em espaços públicos considerados femininos. A obra aposta na simplicidade para provocar reflexão e confronto direto com preconceitos cotidianos.

O Que É Uma Mulher - Divulgação
O Que É Uma Mulher – Divulgação

“Genderblend” (Holanda, 2017)

Direção: Sophie Dros

Cinco jovens não binários compartilham como é viver entre os extremos do sistema binário de gênero. Suas histórias revelam enfrentamentos diários, mas também a potência da autoaceitação.

O documentário questiona normas sociais rígidas, sugerindo que a fluidez de gênero pode ser libertadora. Ao provocar perguntas como “o que é ser homem ou mulher?”, a diretora constrói um painel sensível sobre identidade, autenticidade e empatia.

Genderblend - Divulgação
Genderblend – Divulgação

“Señorita” (Filipinas, 2011)

Direção: Isabel Sandoval

Donna, mulher trans e trabalhadora do sexo, muda-se para uma cidade pequena para se reconectar com seu filho, que não sabe da sua identidade. Ao tentar reconstruir sua vida, ela se vê envolvida em uma campanha política contra um prefeito corrupto, o que a obriga a confrontar antigos vínculos com o passado.

O longa marca a estreia de Isabel Sandoval como diretora e protagonista e já aponta as questões que viriam a marcar sua filmografia: identidade, segredo, deslocamento e desejo.

Señorita - Divulgação
Señorita – Divulgação

FILMICCA

Todos os filmes estão disponíveis no site www.filmicca.com.br, bem como nos aplicativos para Smart TVs (Samsung, LG, Google TV, Apple TV e Amazon Fire TV), além de smartphones e tablets Android e iOS. Também há planos com acesso via Pix.

Planos disponíveis:

  • Mensal: R$ 24,90

  • Anual: R$ 199,80 (R$ 16,65/mês)

  • Passe Pix: R$ 14,90 (7 dias), R$ 68,70 (3 meses), R$ 119,40 (6 meses) e R$ 199,80 (12 meses)




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