A atriz e modelo trans Marcella Maia, conhecida no meio artístico apenas como “Maia”, comunica que está estreando na carreira musical após assinar contrato com a distribuidora Altafone. No último dia 7 de agosto, ela lançou o single e o clipe da música “Pra Dá Dolce Bacana”, disponível nas plataformas digitais através deste link.
“Sempre imaginei estar onde estou hoje. Quando minha voz desafina, ela não desafina como o ‘cis tema’. Trago minha luta, minha essência, um corpo político”.
Com cenas de luxo e ostentação, a proposta do clipe de Marcella Maia é trazer uma nova perspectiva do olhar periférico de onde a artista nasceu.
“Lá os meus e as minhas já estão cansados de ver e ouvir desgraça. Por isso, trago no clipe muita riqueza, beleza e ostentação, porque estou aqui para fortalecer o lugar de onde vim e dizer que é possível, quero as manas fortes. A miséria nós já conhecemos de cabo a rabo”, explica, acrescentando que todos têm direito de uma vida melhor: “Luxo e elegância normalmente não são espaços que nos são dados de mãos beijadas”.
Maia diz que suas músicas sofrem diversos tipos de influências, incluindo POP, R&B, Afro Beats, o Rap nacional e a música urbana.

“A música tem que me atravessar de certa forma. Minha inspiração vem muito do que escuto e também da minha vivência, do universo que me rodeia”.
Ativista LGBT, Maia diz que sofreu muito ao longo de sua trajetória, incluindo bullying e abusos desde cedo, tendo que sair de casa aos 15 anos e vendendo doces em Brasília.
Com 18 anos e já se apresentando como Drag Queen em Juiz de Fora (MG), quando descobriu que de fato queria ser artista, foi vítima de trafico humano e obrigada a se prostituir em Londres. A transição de sexo veio anos depois, já superados alguns tabus, e Marcella demorou para conseguir falar com naturalidade do assunto.
“Não é uma genital que nos define. Somos o que queremos ser e aceitar não é opção, na verdade não precisamos de validação de ninguém. Fiquei calada por muito tempo por medo de perder trabalho. Hoje minha voz é forte e ecoa, nunca precisei levantar bandeira para conseguir meu sucesso, hoje levanto com orgulho porque é necessário, é preciso abrir a escuta, falar de nossos corpos no lugar do amor, da empatia. Pessoas estão morrendo por serem elas mesmas, o Brasil é o país que mais mata travesti. Represento muita coisa e sinto que tenho a responsabilidade de influenciar de forma positiva e impactar a mudança desse cenário que é tão marginalizado. Parte desse trabalho requer dedicação e saber de si e isso eu sei, sou uma mulher forte e é assim que prefiro ser mencionada”




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