O Teatro Contêiner Mungunzá recebe a peça “eXílio”, um trabalho documental do Coletivo Comum, que destaca os deslocamentos forçados pelos quais milhares de pessoas são sujeitas todos os dias. A peça estreou em 11 de abril e fica em cartaz até 05 de maio. Após essa data, as apresentações serão transferidas para o Teatro Arthur Azevedo, e seguem temporada de 09 de maio até 02 de junho.

A trama
“eXílio” aprofunda o que o grupo considera um dos principais temas da atualidade. A peça fala sobre migrações forçadas, ao que eles chamam de deslocamentos, que se dão por variados fatores como guerras, violações de direitos humanos, condições climáticas e perseguições. Isso faz com que pessoas busquem abrigos em outros locais, seja dentro do próprio país ou fora. O espetáculo foi estruturado em 30 cenas, separadas em quadros independentes.

Confira a sinopse oficial:
“Atualmente, mais de 110 milhões de pessoas no mundo, segundo dados oficiais, foram obrigadas a se deslocar por causa de guerras, violações de direitos humanos, condições climáticas e perseguições de todo tipo (políticas, religiosas, étnicas, por orientação sexual). Elas estão sujeitas a violências anti-imigração, como estupro, discriminação, humilhação. Muitas perderam suas vidas. A experiência do exílio também pode ser vivida dentro do próprio país, como no caso das ditaduras e nos processos de desumanização. eXílio é um trabalho teatral, proposto pelo Coletivo Comum, que parte desta atualidade brutal, mas também da perspectiva de que as fronteiras são criações históricas, portanto, podem ser alteradas e suprimidas”.
Migrações ao redor do mundo
De acordo com informações do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), até setembro de 2023, pelo menos 114 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas, e cerca de 40% dessas pessoas são crianças. Ainda de acordo com a agência, a Turquia é o país que mais acolhe no mundo, recebendo em torno de 3,6 milhões de pessoas. Por outro lado, a República Árabe Síria é de onde mais saem pessoas, alcançando 6,5 milhões de migrantes.

Além da migração para outros países, a peça foca em outros tipos de deslocamentos, seja dentro da própria nação ou o deslocamento subjetivo, que ocorre no interior de cada pessoa. “Estamos discutindo também o sentimento de não se sentir pertencente a uma comunidade, mesmo dentro da sua própria cidade ou país. Há pessoas que se sentem exiladas de seu próprio corpo. Neste sentido, procuramos fazer uma discussão ampla, incluindo questões que envolvem, por exemplo, a população LGBTQIAP+, que sofre todo o tipo de preconceito e violências”, afirma o diretor Fernando Kinas.
Questões técnicas
Sobre a escolha do nome da peça, o diretor afirma que preferiu manter o X em caixa alta, em “eXílio”, para reforçar a ideia de encruzilhada, do conflito e das oposições.

Para a construção do enredo do espetáculo, os produtores se inspiraram no livro “Conversas de refugiados”, de Bertolt Brecht, escritor isolado nos Estados Unidos e na Finlândia por causa do nazismo. Além disso, o grupo também se inspirou em algumas pessoas, como o imigrante congolês Moïse Kabagambe, morto no Rio de Janeiro, a militante brasileira Dorinha, que tirou sua própria vida durante seu exílio no período da Ditadura Militar e o crítico literário palestino Edward Said, que fala sobre o conceito de orientalismo.
Como cenário, o grupo optou por elementos que lembrassem campos de refugiados e de deportação, como cercas e barreiras. “Estamos chamando nosso espaço cênico de campo, já que essa expressão está intimamente ligada ao refúgio. Existe campo de averiguação, de concentração, de triagem… No nosso caso, é também um campo de batalha, em que a memória e a resistência também estão presentes. E, de certa forma, quando o elenco está mais perto do público, ele está exilado da cena”, conta a assistente de direção Beatriz Calló.

A trilha sonora é um ponto importante na peça. Com nomes como Renata Soul e Roberto Moura no elenco, os sons e músicas utilizados evocam os temas da migração. O espetáculo possui canções em diversos idiomas, como a língua náuatle, asteca, e a tamazight, que vem do norte da África, além de músicas latino-americanas.

Ficha técnica
Roteiro: Fernando Kinas, com a colaboração de Beatriz Calló e elenco
Direção: Fernando Kinas
Elenco: Fernanda Azevedo, Maria Carolina Dressler, Renata Soul, Renan Rovida e Roberto Moura
Assistência direção: Beatriz Calló
Cenografia: Julio Dojcsar
Iluminação e operação de luz: Dedê Ferreira
Figurino: Beatriz Calló, com a participação do Coletivo Comum e pessoas em condição de migração e refúgio
Treinamento e direção vocais: Roberto Moura
Pesquisa musical e trilha: Fernando Kinas, com a colaboração de Eduardo Contrera
Assessoria dramatúrgica: Tercio Redondo (Bertolt Brecht e o exílio)
Interlocução crítica: Clóvis Inocêncio (Berna), Beatriz Whitaker, Leneide Duarte-Plon, Dominique Durand e Cimade (Paris), Organon Art Cie (Marseille), Jean-Michel Dolivo (Lausanne), Rabii Houmazen (Marrocos e São Paulo), Museu da Imigração do Estado de São Paulo, Arro (Afeganistão e São Paulo), Padre Assis (Cabo Verde e São Paulo)
Desenho e operação de som: Lienio Medeiros
Programação visual: Casa 36|Camila Lisboa
Fotografia: Fernando Reis
Serralheiro: Fernando Lemos (Zito)
Assessoria de Imprensa: Canal Aberto|Márcia Marques, Daniele Valério e Carol Zeferino
Produção: Patricia Borin
Realização: Coletivo Comum
Serviço
eXílio
Duração: aproximadamente 140 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
TEATRO DE CONTÊINER MUNGUNZÁ
Temporada: 11 de abril a 5 de maio, de quinta a sábado, às 19h30, e, aos domingos, às 18h.
Endereço: Rua dos Gusmões, 43, Santa Ifigênia.
Ingresso: R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia-entrada) e gratuito para moradores da Luz, estudantes do ensino público e pessoas em condição de migração e refúgio.
TEATRO ARTHUR AZEVEDO
Temporada: 9 de maio a 2 de junho, de quinta a sábado, às 20h, e, aos domingos, às 19h | Atenção: entre os dias 16 e 19 de maio não haverá espetáculo em razão da Virada Cultural.
Endereço: Avenida Paes de Barros, 955, Alto da Mooca.
Ingresso: R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia-entrada) e gratuito para estudantes do ensino público e pessoas em condição de migração e refúgio.
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