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Nos últimos dias, o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para declarar inconstitucional a lei que proibia o uso de linguagem neutra nas escolas. O julgamento, iniciado no começo de novembro de 2024, analisa a validade de uma lei sancionada em Votorantim, interior de São Paulo, em maio de 2023, que proíbe o uso de flexões de gênero inclusivas em instituições de ensino públicas e privadas, sob a alegação de que a legislação fere preceitos constitucionais e invade competências federais. As informações são do Terra Agora.

A Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) foi movida pela Aliança Nacional LGBTI+ e pela Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas, que argumentam que os municípios não possuem competência para legislar sobre diretrizes pedagógicas e conteúdos educativos. Para as entidades, a linguagem neutra representa uma ferramenta de inclusão importante para estudantes que não se identificam com os gêneros masculino ou feminino.

Até o momento, o STF tem mantido um entendimento favorável à inconstitucionalidade de legislações similares em outras cidades brasileiras. O ministro Alexandre de Moraes, que já presidiu decisões contra leis municipais semelhantes, lidera a posição contrária à lei de Votorantim, ressaltando que regular conteúdos educacionais compete à União e não a administrações locais.

A linguagem neutra, alvo de intenso debate, visa criar formas de comunicação que não reforçam binarismos de gênero, utilizando caracteres como “x”, “@” e “e” em substituição a vogais que indiquem gênero. Especialistas em linguística afirmam que a inclusão dessa modalidade reflete demandas sociais por maior respeito às diversas identidades de gênero, além de contribuir para ambientes escolares mais inclusivos.

STF forma maioria contra lei que veta linguagem neutra em escolas de Votorantim (SP)
STF forma maioria contra lei que veta linguagem neutra em escolas de Votorantim (SP) (Imagem: GAY BLOG BR)

Julgamento final do STF deve acontecer hoje

O julgamento final está previsto para esta segunda-feira (11) e poderá estabelecer um precedente importante para a aplicação de políticas inclusivas nas escolas do Brasil. A decisão do STF, aguardada por grupos de defesa de direitos e entidades educacionais, também poderá orientar futuras legislações que envolvam questões de identidade e inclusão.

Alguns ministros, como Cristiano Zanin, sugeriram interpretações mais brandas da lei, com destaque para artigos que poderiam ser mantidos sem interferir nas normas educacionais gerais. Contudo, a maioria do STF considera a regulamentação municipal de conteúdo educacional inconstitucional.




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