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Gautyelle Machado, 32 anos, foi do anonimato à fama de forma inesperada após divulgar os seus serviços como diarista nas redes sociais. A beleza do jovem maranhense chamou atenção dos internautas que o intitularam de “Diarista Gato”. Machado relata, nesta entrevista para o GAY BLOG BR, que esta alcunha que lhe deram acabou resultando em vários assédios, não apenas no ambiente online, mas também na casa de clientes.

Pé no chão, Machado não parece se iludir com a súbita notoriedade e revela como foi falar abertamente sobre sua sexualidade, o preconceito da família evangélica e relação de quatro anos com o marido.

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Gautyelle, o ‘Diarista Gato’ – Foto: Fernanda Guglielimi
  • O que te levou a se tornar diarista?

Gautyelle: O que levou a me tornar um diarista foi ter perdido o emprego na pandemia. Enviei vários currículos e nada. Eu não poderia ficar sem trabalho e, como eu gosto muito de limpar, me surgiu a ideia de ser um diarista, até porque eu estava pagando pensão e não poderia ficar sem ajudar minha filha.

  • Como você está lidando com a súbita fama de “diarista gato”?

Gautyelle: Me incomoda sobre esse nome que me deram. Devido a isso, tenho recebido muitos ataques nas redes sociais de pessoas maldosas, me xingando com palavras de baixo calão. Mas, de um outro ângulo, estou feliz porque estou abrindo um leque pra alguns homens, que perderem o medo de ser diarista. Muitos entraram em contato comigo pedindo conselhos de como entrar na área. Isso me deixou realizado.

  • O preconceito com a profissão partiu mais de homens ou mulheres?

Gautyelle: Recebi muitos preconceitos por ser um homem diarista, principalmente de mulheres que falaram que esse serviço não é pra homem, que só mulher pode fazer. E de alguns homens afirmando que isso é coisa de ‘boiola’, trabalhar fazendo faxina.

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Gautyelle Machado, o “Diarista Gato” – crédito: Instagram
  • Após a repercussão, houve um aumento nas solicitações de faxina? Você recebeu outras propostas de trabalho?

Gautyelle: Sim, houve um aumento. Muitas pessoas estão me procurando pra faxina. Claro, está surgindo também outras oportunidades. Fui chamado pra tirar algumas fotos, confesso. Sei lá… não levo muito jeito, mas pode ser que seja o início de uma grande porta. 

  • Você postou um desabafo nas redes sociais reclamando de clientes assediadores, como você lidou?

Gautyelle: Sobre os assédios, eu não lidei muito bem, mexeu com meu psicológico. Pensei em parar de trabalhar. Fiquei muito triste, ainda mais porque muitos assédios que sofri nas casas de alguns clientes, os mesmos me perguntavam quanto eu cobrava pra fazer outros serviços, como sair, fazer sexo. Eu nunca tinha me sentido como um pedaço de carne como me senti. Os assédios vieram mais de homens do que de mulheres.

  • E como você reage às cantadas nas redes sociais?

Gautyelle: As cantadas nas redes sociais me fez sentir também como um pedaço de carne. Até porque cantada não são palavras imorais. Mas perguntando quanto era o programa foi sensação foi extremamente ruim.

  • Qual foi a pior situação que você teve que lidar?

Gautyelle: Houve duas situações de assédios que me marcou muito. Uma mulher que queria muito me pagar pra sair com ela, insistia muito, falando que ninguém iria saber. E outro cliente, quando terminei de fazer a faxina, o mesmo olhou e me perguntou quanto eu cobraria pra beijá-lo – detalhe: o mesmo é casado, falou que o marido não iria sentir ciúmes. Ele insistiu muito, e eu não tinha recebido minha diária por ter limpado o apartamento deles, me deu muito medo.

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Gautyelle Machado, o “Diarista Gato” – crédito: Instagram
  • Você migrou do Maranhão para São Paulo em busca de oportunidades melhores, como foi esse início?

Gautyelle: Quando eu vim pra São Paulo, na época eu vim com a mãe da minha filha. Aqui passamos por situações bem difíceis, porque ela já estava grávida de oito meses. Decepções enfrentei, porque não tinha arrumado trabalho e algumas pessoas começaram a criticar, pessoas que achei que poderiam ser amigos. Mas graças a Deus, arrumei um trabalho antes da minha filha nascer.

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Gautyelle Machado – crédito: Instagram
  • Falando um pouco mais sobre a sua vida pessoal, você está namorando atualmente?

Gautyelle: Atualmente estou casado. Nos conhecemos no Tinder. Na noite do meu aniversário, eu estava vindo de uma comemoração com amigos, cheguei em casa e decidi instalar o app. Encontrei ele lá. Na hora dei match, aí veio conversar comigo. Ficamos conversando das 23h até às 3h25 da manhã. Em uma quarta-feira, logo pela amanhã, eu perguntei pra ele se poderíamos nos ver. Ele falou que estava chovendo e seria ruim eu ir até Jundiaí (SP) na chuva. Mas meu coração pediu e eu fui. Chegando lá, quando eu vi ele… lembro até cor da calça (bege) e camisa verde. Ali, meu coração bateu muito forte. Até então, eu nunca tinha conhecido um homem, ainda mais imaginar que poderia estar, sei lá, me apaixonando. Ficamos passeando no shopping até às 16h. Daí em diante fomos nos apegando cada dia mais. Depois de um mês conversando, eu chamei ele para o parque da cidade e fui disposto a pedir ele em namoro. Fiquei mais desesperado porque ele seria meu primeiro namorado homem. Fiz o pedido e ele aceitou na hora. Ficamos uns três meses namorando. Como eu morava com minha irmã na época, ela descobriu e falou que eu não poderia mais ficar na casa dela, porque eu estava namorando um homem. Entrei em desespero porque não tinha pra onde ir. Contei a ele, e ele arrumou um jeito e alugou uma casa, me fez uma surpresa me chamando pra morar com ele. Para ser sincero, eu aceitei. Não vou mentir, porque não tinha onde morar e, claro, porque eu já sabia que meu amor estava crescendo cada dia mais. Estamos até hoje juntos! Fez quatro anos de casado dia 18 de setembro de 2021. Ele é meio chato, mas eu o amo e temos sonhos de adotar uma criança.

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Gautyelle Machado – crédito: Instagram
  • Então a sua família não lidou bem com a sua “saída do armário”?

Gautyelle: Na verdade, minha irmã me arrancou do armário. Eu não estava pronto pra falar pra ninguém, mas como eu decidi somente pra ela contar, pedi segredo absoluto. Ela prometeu. Mas aí fui ao Maranhão ver minha mãe… ali eu iria ter coragem pra falar. Mas cheguei lá e conheci um rapaz. Ele era da igreja, estávamos saindo e nunca transamos; contei pra minha irmã isso. Como ela tinha virado minha única confidente, ela com raiva porque conhecia o rapaz e a igreja onde ele estava, contou pra minha mãe. Ela quis se matar, e eu junto. Depois minha mãe mesma contou para o resto da família, me fazendo sentir até pior, porque toda minha família é evangélica e somente uma prima ficou do meu lado. Voltei pra São Paulo e decidi viver minha vida, já que tinham me arrancado do armário. Então, eu decidi ser o que eu queria ser. Até hoje, minha mãe e basicamente todos da família não gostam, tem um preconceito terrível por eu ser gay. Agora que eu amadureci mais, eles que lutem.

  • Seu namorado não fica com ciúmes das cantadas?

Gautyelle: Olha… meu marido até fica sim, mas conversamos muito sobre isso. Eu não dou bola pra nenhuma cantada.

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Gautyelle Machado – crédito: Instagram
  • E como você avalia o atual governo?

Gautyelle: Minha avaliação é, sem dúvida, bem negativa. Nunca tinha visto um governo tão ignorante e sem preparo, como esse que temos. Sem educação, sem segurança, sem tantas coisa… Então, ressalto, esse governo é sem dúvida um lixo.

Gostaria de deixar um recado: não deixe de viver sua vida com medo do que os outros possam pensar de você. Aprenda a não dar satisfação e nem confiar muito nas pessoas. Não tenha medo de viver a vida. Pule, dance, enfim, viva com quem gostar de você, do seu jeitinho de ser.

Reprodução

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