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Hélyo Karvalho é um nome que tem ganhado destaque no cenário adulto brasileiro. Nascido em São Paulo, aos 27 anos, Hélyo traz uma trajetória marcada por desafios e superações. Com 1,78m de altura, ele iniciou sua jornada profissional com trabalhos convencionais, como atendente em uma cafeteria e em um shopping. No entanto, sua vida tomou um rumo inesperado quando, aos 18 anos, ingressou no mundo da pornografia.
Em entrevista exclusiva ao Gay Blog BR, Hélyo Karvalho compartilhou suas experiências, desde as dificuldades iniciais até o sucesso da atualidade. Ele aborda temas sensíveis como a necessidade que o levou a escolher essa carreira, os obstáculos enfrentados por não se enquadrar nos padrões físicos da indústria, e o preconceito vivenciado por ser bissexual e versátil. Hélyo também reflete sobre sua identidade e estilo únicos, a relação com seus fãs, colaborações com outros nomes reconhecidos do cenário pornô, e seus planos na indústria.

Através desta conversa franca, Hélyo revela não apenas os bastidores de sua carreira, mas também as reflexões e insights de alguém que viveu de perto as complexidades e as nuances da indústria do conteúdo adulto. Com sinceridade e abertura, ele oferece uma visão íntima de sua jornada, suas lutas e conquistas, proporcionando uma leitura envolvente e esclarecedora.
Confira a seguir:
– Você já trabalhou em shopping, foi gerente de uma cafeteria. Como começou a atuar no mundo do entretenimento adulto?
Eu comecei com 18 anos, lá mais ou menos em 2014, 2015. Eu trabalhava no McDonald’s. Comecei a trabalhar lá ainda novinho e era muito pouco dinheiro, né? Então, foi na época que eu fui expulso de casa, que enfrentei algumas dificuldades. Aí foi que começou aquela vontade de fazer programa. Aí fui e comecei no Autorama, que era onde rolava, ali no Ibirapuera. E comecei a atender lá. Aí nessa me veio a vontade de fazer pornô.
– Quais foram os principais desafios no início da sua carreira?
Foi a questão do físico e do porte. Assim, porque eu era completamente fora do padrão da indústria. Até de programa mesmo eu não era padrão, né? Eu sempre fui assim, magrinho. E, antigamente, ainda era mais magro. Tinha um estilo completamente diferente, né? Era uma outra época.
– Recentemente, você foi assunto em diversos canais de notícias ao compartilhar que sofre preconceito por ser bissexual e versátil.
Eu sinceramente eu não entendo o público, né? O porquê de tanto preconceito com os bissexuais, principalmente quando o bissexual é versátil ou é um bissexual passivo. Só aceitam mesmo aqueles bissexuais que dizem ser ativos ou dizem ser héteros, aí aceitam de boa. Mas quando é um bi que fala que é versátil, ou até um gay gravando com mulher, atacam. Mas eu lido com isso super bem. Eu gravei com mulher e foi o vídeo que mais bombou. Então tem os contras, mas tem os a favor.
– Por outro lado, você acredita que parte do seu público gosta de consumir seu conteúdo justamente por conta disso?
Eu mostro a minha verdade. Então, tipo assim, eu tento atrair um público que goste de ver esse conteúdo, tanto eu com homem sendo ativo, sendo passivo, tanto eu com mulher. Que é a minha verdade e o que eu gosto. Eu gosto de homem e de mulher. Então o que você vê no vídeo? Você vê o que eu curto. Então, eu acredito que isso atrai também pessoas que são iguais a mim.

– E como lida com o assédio dos seus fãs pelas redes sociais, recebe muitos nudes aleatórios e convites para sair?
Recebo muito nudes, sim. Recebo muitas mensagens de ‘vício’, né? Tipo, a gente coloca um anúncio em algum lugar de programa, coloca o contato no Twitter ou em alguma plataforma. O pessoal entra em contato, mas a maioria das vezes querendo um vício. E tipo assim, é estressante, né? Muitas vezes porque é o meu trampo e muita gente, tipo assim, não respeita o meu trampo, sabe? Até tem vezes que eu sou meio chato e, tipo, pelas redes sociais é bem assim dessa forma. Pessoalmente eu fico meio com vergonha né? Quando me reconhecem, quando vêm falar comigo, ainda me dá auma vergonha. Mas é gratificante ver que o trampo tá alcançando, né? Várias pessoas.
– E você tem trazido uma nova perspectiva e dinâmica para as suas performances com o “estilo maloca”, é isso?
O estilo “maloca” tem conquistado bastante os criadores de conteúdo, né? E as pessoas têm consumido bastante criadores nesse estilo. A gente tem alguns criadores que fazem sucesso já nesse estilo, o Bruno ZL, o Erick Diaz. É o estilo que eu acho que vai dominar nas plataformas, os criadores. É um estilo que, querendo ou não, vem da comunidade, né? Favela, então, é o estilo que a maioria dos gays gosta, que se sentem atraídos, né? Aquela coisa de maloca mandrake. O meu estilo é assim. Muita gente ainda confunde com MC, né? Porque lembra muito o MC. Tem gente que fala: ‘Ah, você é MC’, dependendo do lugar que estou, por causa do colar, do casaco, do óculos estilo Juliet na cara, né? Mas é mais pelo fetiche mesmo do público, o gay. Os gays têm abraçado bastante esse estilo e têm bastante fetiche com isso, com Juliet e tal. Até eu também. Eu hoje uso esse estilo por causa disso, por causa que eu também tenho fetiche nele.

– Trabalhar com grandes nomes do cenário pornô atual certamente trouxe experiências únicas. Você já atuou com Erick Diaz, Marcos Goiano e Bruno Hot. Como foi gravar com eles, pode compartilhar suas impressões e curiosidades?
Então, o Marcos Goiano foi quem me lançou, né? Lá em 2014, ele gravou um vídeo comigo e me jogou ali, no vídeo. E foi ali que eu comecei a aparecer. Então, tipo, eu aprendi muito com ele. Ali eu comecei a ter a noção de quem ele era, porque ele já era famoso naquela época, ele era um dos primeiros a fazer conteúdos e conteúdos próprios, né? Os amadores. Então, para mim, foi gratificante isso. E nessa nova fase a minha inspiração maior é o Erick Diaz, porque o Erick Diaz me inspirou, o jeito que ele produz. Então, vocês vão ver muita inspiração do meu trabalho no Erick, porque eu sou fã dele. Quando eu gravei com ele, nossa, para mim foi gratificante demais. O cara tem tudo assim que eu admiro. A humildade. O cara tem visão, cara, tem um trampo da hora, o cara grava com pessoas, assim, que são fora do padrão, né? Eu admiro muito o Bruno Hot também. Eu já acompanhava, né? Porque eu acompanhava o Erick, automaticamente acompanhava ele com os Irmãos Dotados, aquelas coisas toda. E gravar com ele foi maravilhoso, porque o cara é humilde também, gente boa, né? Então é muito bom isso daí.
– Quais são seus planos para o futuro na indústria pornô? Há algum projeto ou colaboração em particular que você está ansioso para realizar, especialmente dentro do contexto do estilo ‘maloca’ e da sua identidade bissexual?
Meu plano é sempre estar trazendo o melhor para as pessoas. Estar conseguindo viver dos conteúdos, né? Porque o meu foco maior são os conteúdos, não são os programas. O foco maior é esse, estar fazendo as minhas plataformas, estar em evidência, mas sempre trazendo o melhor. E trazendo a minha essência nos vídeos. O que vocês veem nos vídeos é o que eu gosto, é o que eu curto, tem muito de mim ali. Tem inspirações de outros criadores? Tem. Mas ali tem muito de mim. Eu tento trazer algo do pessoal antigo, tipo me inspirar nas pessoas antigas que eu já. Como eu comecei em 2014, eu tenho uma visão de gente antiga, como Riu Melo, Marcos Goiano, Léo Filippo. E, hoje em dia, eu tenho a visão das pessoas novas do meio, que são a minha inspiração, que é Erick Diaz, Bruno Hot, Bruno da ZL. Eu tento misturar tudo, sempre me inspirando uma coisinha, uma coisinha no outro e sempre trazendo a minha característica.? Acho que é por isso que tá dando certo. Eu sempre estou tentando gravar com pessoas diferentes, não simplesmente com quem é do estilo maloca, porque eu acho que o público não é só este estilo, não é só o padrão. Tem todo tipo de gente. Então a gente tem que mostrar no conteúdo a realidade. Eu gravo com afeminado, eu gravo com uma pessoa que as pessoas dizem que não são tão bonitas. Eu gravo com um gordinho, eu gravo com uma pessoa mais velha. Então, tipo assim, o bom disso é isso que você vai mostrar a realidade. Você não vai ficar naquele foco só de: “Ah, eu vou gravar só com padrão, só com gente bonita”. O mundo não é só padrão, a gente tem que trazer para o conteúdo a realidade, a realidade que tá lá fora.

– Quais atributos você acredita serem necessários para se tornar um profissional como você?
Hoje em dia, não tem atributos para virar um criador de conteúdo. Tem gente que tem um tipo, digamos assim, um pauzão, tem uma bunda perfeita, é lindo, mas não tem carisma, não tem a visão. E tem gente que não é padrão, que é considerado feio e tem uma visão muito boa, tem um marketing muito foda e acredita no trampo dela e dá certo. Eu acredito que hoje em dia o que conta é o carisma. Não é só o tamanho do pau, não é só o tamanho da bunda, não é só a beleza e sim um carisma. Se você tem um carisma, você tem um marketing bom, mano, você vai dar certo.
– Qual é a dica que você dá para quem está pensando em entrar no mundo do conteúdo adulto?
A dica para quem está pensando em entrar no ramo, é que não é um mar de rosas, não é o que vocês pensam. Tem todo um trabalho para quem realmente é criador de conteúdo, para quem realmente trampa de verdade nesse meio, que não não leva como zoeira e leva como trabalho mesmo, mano. Tipo, é muito difícil, você tem que ter um investimento foda, porque não é simplesmente chegar e gravar e jogar e pronto. Não. Você tem que ter um foco, tem que acreditar no seu trampo e tem que investir. Tipo, você vai passar aí uns meses gastando com produção, porque é um investimento do caralho, mano. A gente gasta muito para conseguir estar ali em evidência, fazendo o melhor, gravando o vídeo. A gente gasta com motel, gasta com Uber, gasta com parceria, que a gente muitas vezes recebe muito. Tem muita gente preconceituosa no meio, tipo, que não quer gravar com o meu perfil. Tem muito preconceito entre um meio mesmo, então é muito difícil. Então, você tem que acreditar muito no seu trampo e tipo, não ligar para essas coisas aí. Você, que está entrando no meio, tem que saber que vem o preconceito da família, vem o preconceito dos conhecidos. Você tem que ter tipo uma cabeça muito boa e falar: “É isso que eu quero”. Se é isso que você quer, mano, então vai. Se você não vai ligar para crítica, se você não vai ligar para as coisas difíceis que acontece, vai. Porque não é fácil.

Para acompanhar Hélyo Karvalho:
Site oficial: helyokarvalho.com
Instagram: @helyoofcc
Twitter: @helyoofc
Plataformas de conteúdo para maiores: allmylinks.com/helyoofc
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