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Celebrando 36 anos de carreira, a drag queen Salete Campari é uma figura conhecida não apenas da noite paulistana, mas no Brasil. Ela já lançou uma linha de produtos com o seu nome, livro, fez teatro e cinema, além de ter atuado também como coordenadora do Transcidadania.

Para ela, a partir do momento que sai de casa com uma peruca na cabeça, isso já é uma política, uma militância. E muitas novidades vêm por aí, garante Campari.

Salete Campari
Salete Campari

Você tem mais de duas décadas de carreira: além de hostess, escreveu um livro, fez cinema, teatro, programas de TV e um curta-metragem. Os fãs podem esperar mais novidades por aí?

Sim, são três décadas, vou fazer 36 anos de noite. Eu lancei perfume, livro, eu sou peça de museu, mas vão vir muitas novidades ainda, pode aguardar, enquanto há vida, há trabalho para se fazer… muito e muito.

Você construiu uma carreira de grande visibilidade. Você em algum momento se deslumbrou com a fama e o sucesso?  

Não, em nenhum momento me deslumbrei com a fama ou o sucesso. Sucesso, para mim, é poder estar este tempo todo trabalhando e pagando as contas. O sucesso, para mim, é poder trabalhar. São 36 anos de noite, de Salete Campari, e eu nunca fiquei sem trabalhar. Então isso é o mais importante. Acho besteira a gente se deslumbrar, não acredito nisso não, e nem tem o porquê. Fiz cinema e teatro, fiz tudo que qualquer pessoa do meio LGBT+ possa um dia sonhar em fazer. Lancei perfume, shampoo, fiz teatro. Então eu sou feliz com tudo que fiz e espero fazer muita coisa. Mas sucesso, para mim, é poder ver as pessoas curtindo o meu trabalho e me respeitando. Isso sim é sucesso.

Tem algo que as pessoas ainda não saibam sobre a Salete Campari?

Tem muita coisa… sou uma drag do campo, que fico a maior parte do tempo no campo, na natureza. E adoro ler, porque as pessoas acham que as drags são apenas “oba oba” e eu sou muito religiosa, família e gosto muito dos meus amigos. Tem muita coisa do meu dia a dia que o público não sabe.

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Salete Campari – crédito: reprodução

Na noite LGBT+, às vezes, ocorre o uso de substâncias ilícitas, você já teve problemas com isso?

Graças a Deus não, eu não bebo. É muito difícil, no Natal e Ano novo que eu bebo uma taça. Não me drogo, não gosto de colocação. Já perdi muitos amigos e colegas por causa da droga, que é um vício terrível. A noite, neste momento, está passando por uma fase muito difícil, das pessoas acharem que para serem felizes, serem moderna, tem que se drogar. Então eu acho chato, mas eu ainda acho que a gente tem que buscar, pelo menos eu, temos que buscar a natureza, Deus, pois isso faz a diferença na vida de quem trabalha na noite. Se você trabalha na noite e busca artifícios para ser feliz e se dar bem, isso é algo que te leva para o caminho do mal, então nunca.

Estamos com uma geração nova de LGBTs que tem usado muito as redes sociais através de Youtube, TikTok e afins. Você acompanha essa nova geração? Acha que a causa vai estar em boas mãos no futuro? 

Eu acompanho, acho o máximo, acho que a internet é tudo que o mundo precisa nesse momento que a gente tá em casa. Mas temos que tomar cuidado, pois a internet é muito boa, mas às vezes atrapalha quando você coloca um conteúdo que não é legal, ou quando você não presta atenção nas coisas que você está falando. Assim como a internet pode ser maravilhosa, ela também pode acabar com qualquer um, mas acho que as drags que estão agora na internet, elas estão arrasando e é um tempo diferente. Quando eu comecei não tinha internet, agora que eu também estou me modernizando, acho o máximo.

Qual a sua opinião a respeito da Parada de SP?

Eu acho simplesmente maravilhosa, porque é ali que o mundo vê o trabalho do LGBTQI+ porque vai 1… 2 milhões de pessoas na rua, e quando estamos na rua pedindo respeito, trabalho e inclusão social. Eu, de verdade, espero que a comunidade LGBT+ aproveite esse público que a gente tem para eleger mais políticos LGBT+.

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Salete Campari – crédito: reprodução

Você tentou a carreira política três vezes (2006, 2008 e 2010) e desistiu. Teve algum motivo em específico para deixar de se candidatar?

Eu não desisti não, eu estou na política o tempo inteiro, porque a política a gente faz no dia a dia. A grande realidade é que para você ser um candidato político você não precisa ser apenas conhecido, você precisa ter dinheiro, precisa ter uma turma que esteja ao seu lado, te apoiando o tempo inteiro. Mas quem sabe no próximo ano eu não volte de novo para política? Eu nunca saí da política, eu estou me movimentando o tempo todo, quando eu me candidatei, virei coordenadora de política pública aqui em SP no mandato do Haddad. Fui coordenadora do Transcidadania durante 4 anos. Isso é uma política, trabalhar pela inclusão do nosso movimento LGBTQI+. E até hoje eu faço essa militância. Todos os dias que eu saio de casa eu faço política, no momento que eu coloco uma peruca na cabeça e estou na rua batalhando, isso é política. Eu não fui eleita, mas eu continuo na política e vou continuar, quem sabe no ano que vem eu não serei eleita? Vai depender do povo, porque não adianta só a gente ser candidata e não ter o apoio da população, da comunidade também. Então eu acho que é isso que falta no movimento LGBTQI+, a gente se unir e eleger os seus candidatos, o pessoal que esteja à frente. Este ano aqui em São Paulo foi bem legal, nós tivemos vários candidatos LGBT +eleitos, então a tendência é essa.

Em 2008, você foi eleita delegada à Conferência Nacional LGBT, convocada pelo Presidente Lula, em que defendeu as principais reivindicações do movimento. Como foi essa experiência?

Foi maravilhosa, antes de 2008, eu já tinha participado da ILGA Internacional no Rio quando nós chamamos de “A Primeira Parada LGBTQI+”. Então, eu sempre venho militando, eu sempre estive lá, para mim a experiência foi maravilhosa, porque nós estávamos com um presidente nordestino, que fez um evento em Brasília chamando toda a comunidade LGBTQI+. Então isso foi muito empoderado. No partido do PT que a gente teve uma fala, onde nós pudemos de verdade ser quem somos porque se o presidente estava do lado da gente, então a gente estava com tudo, o que é diferente do que esta acontecendo neste momento.

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Salete Campari – Crédito: reprodução

E como você avaliação a situação política no país atualmente?

Para o movimento LGBTQI+, péssimo. Acho que é a pior, a gente tem uma ministra que era para defender os Direitos Humanos, defender principalmente os LGBTQI+… primeiro que o discurso dela é já falando que menino tem que usar azul e menina rosa, você espera o quê? Um país que não tem educação, não tem saúde, o tanto de pessoas morrendo neste momento… está difícil para os LGBTQI+ e acho que pra toda a nação. Tenho vergonha desse presidente, dessa política que a gente está vivendo nesse momento. Quando se trata de uma presidência que não está nem aí para a saúde, para a educação, para cultura, para o desmatamento, só Deus na causa. Espero que na próxima eleição, principalmente a comunidade LGBTQI+ na hora de votar pense com amor, com carinho, e faça diferente, não faça o que fez na última eleição, pois pior do que está, pode ficar muito mais.

Para acompanhar Salete: instagram.com/saletecampari

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