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Victor Miller, carioca de 36 anos, é o criador do canal Planeta Sonic e uma das vozes mais firmes em defesa da representatividade LGBTQIA+ na comunidade gamer brasileira. Com uma carreira alicerçada na combinação de jornalismo e conteúdo digital, seu canal no YouTube dedicado ao personagem Sonic, franquia da SEGA, possui mais de 141 mil inscritos, atraindo uma audiência diversificada não apenas do Brasil, mas de todo o mundo.

Para Victor, a criação do Planeta Sonic foi uma oportunidade de unir a paixão pela franquia à análise crítica e ao jornalismo, mas também de promover um espaço de acolhimento para outros gamers LGBTQIA+. “O Sonic sempre representou, para mim, uma liberdade que poucos personagens têm, uma independência que eu também queria sentir na pele”, o youtuber conta.

Victor Miller em edição da Parada SP - Divulgação
Victor Miller em edição da Parada SP – Divulgação

Desde que se ‘entende por gente’, Victor, que é abertamente gay, orgulha-se em dizer que nunca hesitou em lutar pelo que acredita. Sua postura reflete tanto em sua atuação no mundo dos videogames quanto em sua participação no universo LGBTQIA+, abordando esses temas de forma aberta nas redes sociais e durante transmissões ao vivo, sempre com o objetivo de inspirar e apoiar a comunidade.

“Eu cresci com o Sonic. Acompanhar suas histórias sempre foi uma constante para mim, uma paixão que só cresceu”, comenta o streamer. “Criar o Planeta Sonic foi como construir um lar para todos que se sentem inspirados por ele, independente de quem são. Somos parte do jogo”.

Victor Miller - Divulgação
Victor Miller – Divulgação

Dono de uma voz marcante, o criador de conteúdo acrescenta: “Acho que uma das formas mais eficazes de combater o preconceito é falar com naturalidade. Comento sobre quem estou namorando de modo bem cotidiano. Felizmente, nunca foi uma questão para meu público”, diz Miller, cujo público-alvo são pré-adolescentes e jovens adultos. “É impressionante o quanto o público mais jovem, em sua maioria, tem a mente aberta. Eles simplesmente não acham ‘nada’”.

No entanto, o youtuber relata que já precisou enfrentar alguns casos de preconceito. “Um bem emblemático foi por volta do ano de 2012. Na época, um menino de 11-12 anos que era meu fã precisou me deletar do Facebook porque a mãe dele ‘achava que eu era gay’ e não queria que eu o ‘influenciasse’. Confirmei minha homossexualidade e disse a ele: ‘Conversa com sua mãe e diz que isso não é influenciável. Quem é, simplesmente é’. Ele ficou muito feliz com a resposta e me disse que ele também era, mas que a mãe dele não poderia saber, pois brigaria com ele. Hoje, doze anos depois, ele posta fotos com o namorado, e a mãe dele, inicialmente homofóbica, ressignificou seus preconceitos e hoje nós dois somos amigos”, conta Miller.

André Almada, Vinícius Yamada e Victor Miller - Divulgação
André Almada, Vinícius Yamada e Victor Miller – Divulgação

PAIXÃO PELO JORNALISMO E PELO SONIC

Formado em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e pós-graduado em Planejamento Estratégico para Mídias Sociais pelo SENAC Copacabana, Victor sempre teve um olhar apurado para a narrativa e seu impacto sobre o público. A escolha pelo ramo da comunicação, revela, deu-se pelo amor à escrita, a versatilidade que o jornalismo traz e o empoderamento que a informação dá para a sociedade.

“A vantagem da profissão de jornalista é o leque de opções. Trabalhei a vida inteira com jornalismo gamer, mas também já transitei em outras áreas, como artigos de psicologia e canal LGBTQIAPN+”, diz. A informação é uma arma poderosa e muitas vezes subestimada. Quem quer se empoderar em qualquer segmento, precisa se informar. Informação é poder”, pondera.

Essa filosofia de vida acabou se refletindo no próprio Planeta Sonic, sendo uma das razões apontadas por Victor Miller como motivo do sucesso. “Eu via o Sonic como uma figura de independência, um personagem que nunca se deixou limitar. Isso ressoava em mim. E sempre quis criar algo que fosse uma extensão disso”,  explica.

Foi essa paixão que o impulsionou a criar o Planeta Sonic, quando notou a falta de canais que explorassem o Sonic de forma aprofundada e acessível para o público brasileiro: “Criei o Planeta Sonic como uma comunidade do Orkut de ‘brincadeira’ em 2005. Em 2011, quando estava quase me formando na faculdade, resolvi ‘reviver’ o canal em formato de blog para discutir a ética dentro do jornalismo de videogames. As aulas me ensinaram que a mídia pode construir ou desconstruir mitos, e nesse período eu achava que a imagem da série Sonic estava manchada e tudo era motivo de críticas exageradas e injustas. A SEGA (empresa responsável pelo Sonic) poderia lançar ‘o melhor jogo do mundo’ que sempre apontavam um erro aqui, outro acolá, e até acertos viravam defeitos. Não achava isso certo, e quis fazer alguma coisa aqui no Brasil”, explica.

Victor Miller e Marco Pigossi - Divulgação
Victor Miller e Marco Pigossi – Divulgação

SAÍDA DO ARMÁRIO E REPRESENTATIVIDADE

O carioca diz que nunca teve problemas em lidar com sua orientação sexual e se sente “sortudo” por ter uma família que trata o assunto com naturalidade. “Nunca escondi minha sexualidade para ser honesto, mas também não falava abertamente achando que era melhor para não enfrentar preconceitos. Tive aquela fase de citar as pessoas com quem me relacionava ‘sem citar o gênero’, mas quem me perguntava no particular, eu dizia. Após muitos questionamentos, resolvi criar um vídeo em um canal secundário expondo minha sexualidade em 2019”, relembra.

Nos dias atuais, Victor diz que seu maior arrependimento é não ter falado tão abertamente sobre o assunto antes. “Acho que fui um bobo”, brinca. “Nem Jesus agradou a todos, quem dirá eu. Se alguém deixasse de me seguir pela minha orientação sexual, era porque aquela pessoa não deveria estar lá em primeiro lugar. Além disso, as pessoas se sentem mais livres para conversarem contigo, como se uma ‘barreira’ tivesse quebrado. Fora que você vira uma referência para diversas pessoas, seja para o próprio homossexual, quanto para pessoas que têm um parente ou algum familiar gay”, completa.

PLANOS PARA O FUTURO

Atualmente, Victor Miller está residindo em Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, e planeja levar uma vida um pouco mais tranquila para seguir seus projetos com mais foco. “Já vivi muito intensamente, agora quero só me construir em algum lugar (risos)”, diz.

Quanto ao seu futuro profissional, o jornalista afirma que quer ampliar ainda mais o Planeta Sonic e torná-lo um sucesso internacional, mas não descarta outras possibilidades de trabalho. “Sempre aberto a propostas e possibilidades”, diz. “Se aquele trabalho fizer a diferença na vida de pelo menos uma pessoa, sei que valeu a pena”, finaliza.

Victor Miller em entrevista com Elza Soares
Victor Miller em entrevista com Elza Soares – Divulgação

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