Durante a Segunda Guerra Mundial, os campos de concentração da Alemanha Nazista exterminavam diversos grupos sociais, como judeus e ciganos. Nessa época, os homens homossexuais também eram perseguidos, mas o objetivo era a “cura” de sua orientação sexual através de “tratamentos” que hoje são vistos como anti-éticos e que violam direitos humanos. Os gays eram marcados inicialmente com a letra “A” e posteriormente com um triângulo cor-de-rosa em suas vestimentas.

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No campo de concentração Buchenwald, o endocrinologista nazista Carl Vaernet acreditava que a falta de testosterona era a principal razão que levava um homem a ser homossexual, dando origem a um tratamento onde eles eram castrados e em seguida injetavam altas doses de hormônios masculinos numa tentativa de “virilizá-los” e, desse modo, eles se tornariam heterossexuais.

Já no campo Flossenbürg, os nazistas abriram uma casa de prostituição e obrigavam os homossexuais a terem relações sexuais forçadas com mulheres. Neste caso, os nazistas acreditavam que forçando os gays a terem contatos íntimos com mulheres poderia reverter a orientação sexual. Historiadores afirmam que esta prática era cruel tanto para os homens quanto para as mulheres, que também eram prisioneiras, e ambos passavam por humilhações vindas dos guardas do campo.

Os gays na Alemanha Nazista eram perseguidos não só pelos soldados, mas também por outros prisioneiros. Foto: Domínio Público
Os gays na Alemanha Nazista eram perseguidos não só pelos soldados, mas também por outros prisioneiros. Foto: Domínio Público

Além disso, o sociólogo alemão Rüdiger Lautmann diz que os homossexuais também foram perseguidos pelos outros prisioneiros, já que eram vistos como “doentes e pervertidos”, muitas vezes sendo espancados até a morte. Os nazistas davam a eles os trabalhos mais perigosos dentro dos campos de concentração sob a política Arbeit macht Frei (“Libertação pelo Trabalho”, em tradução livre), como atuar na fábrica de foguetes subterrâneos de Dora-Mittelbau e nas pedreiras das já citadas Flossenbürg e Buchenwald.

Aqueles que aparentemente eram “curados”, sendo que a teoria mais aceita é de que eles fingiam terem se tornado héteros para serem libertos dos campos de concentração, eram enviados para uma divisão militar que visava combater os russos. Já os que continuavam “demonstrando sinais de homossexualidade” eram considerados “homossexuais crônicos” e permaneciam nos campos.

A estimativa é que 55% dos homens gays que foram levados ao campo de concentração da Alemanha Nazista morreram, que em números absolutos fica algo entre 5.000 a 15.000 homens. No entanto, os números podem ser ainda maiores considerando que os registros referentes às razões do internamento muitas vezes não existem.

Quando houve o fim da Segunda Guerra Mundial, os homossexuais sobreviventes não foram considerados vítimas da perseguição nazista e as pensões sociais atribuídas aos outros grupos perseguidos foram negadas. Isso porque a lei alemã continuou considerando a homossexualidade como um crime, sendo oficialmente banida apenas em ano de 1994.

(Com informações de Aventuras na História)

“Cura Gay” volta a ser julgada no STF

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".